Dos clássicos não me canso eu. Tinha visto Le Jeu de l'amour et du hasard (1730) de Marivaux em 2011 na Comédie Française, mas não me lembrava de quase nada a não ser da situação burlesca de partida: uma criada e a sua ama trocam de papéis durante a visita que recebem do candidato a noivo da ama. Mas o provável noivo também tem o mesmo estratagema e transforma-se no criado do seu proprio criado, sendo este promovido a amo. Estamos em pleno universo da comédia de enganos, aqui levada a uma sofisticação sem paralelo. Revisitei ontem esta mesma peça no teatro La Pépinière. numa boa encenação de Philippe Calvario. Paris 06.2015 La Pépinière 3,5/5
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Les Fausses Confidences (Marivaux, 1737)
Se eu não fosse um espetador avisado, e não soubesse que Marivaux é um clássico francês, tomaria esta peça por contemporânea. É o melhor elogio que eu posso fazer a esta produção. Um texto do século XVIII, encenado num teatro do mesmo século (o Théâtre de l'Odeon é de 1782) que consegue seduzir sem dificuldade as plateias de hoje. Suponho que este texto é estudado nas escolas, pois eram muitos os adolescentes em grupo que assistiam à sessão de hoje.
Muito do sucesso desta produção deve-se ao encenador Luc Bondy, assim como aos atores, em particular a estrela Isabelle Huppert. Pessoalmente, só tive olhos para ela. Fascina-me tanto no cinema como no teatro. Louis Garrel, a outra estrela, encontrou um papel que o impediu de ser o cabotino e arrogante que de filme em filme parece cultivar como imagem de marca. Foi a primeira vez que gostei de ver este ator. Paris 03.2014 Odeon-Théâtre de l'Europe 4/5
Le Jeu de l'amour et du hasard (1730)
Esta peça de Marivaux é uma das mais populares do teatro francês. Na sessão a que assisti estava presente uma criança que esteve atenta o tempo todo e de vez em quando soltava umas gargalhadas bem sonoras. A linguagem da peça não é propriamente fácil, mas também é em si mesma um dos elementos da comicidade do texto. Dois jovens nobres que se desconhecem estão prometidos em casamento. Para poderem observar e julgar mais objetivamente o futuro conjuge, resolvem fazer-se passar pelos respetivos criados enquanto estes assumem o papel dos amos. Fácil é mudar de traje, mais difícil é assumir a linguagem e o comportamento de outro estrato social. O criado que se transforma em amo, por exemplo, é traído pelos (maus) hábitos de linguagem da sua condição social de origem e isso origina alguns dos melhores momentos da peça. Encenação de Elise Vega Beron, com Marc Servies, Katerina Floradis, Béatrice Mandelbrot, Alexandre de Pardailhan, Joanna Rubio, Dominique Vasserot, Eric Veiga. Paris 02.2018 Théâtre du Nord-Ouest 4/5
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Le Jeu de l'amour et du hasard (1730)
Dos clássicos não me canso eu. Tinha visto Le Jeu de l'amour et du hasard (1730) de Marivaux em 2011 na Comédie Française, mas não me le...

