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MARIUS

Marius (Marcel Pagnol, 1931)
Um clássico do cinema francês que inicia uma trilogia marselhesa (Marius, Fanny e César), agora reposta nas salas. O filme tem origem numa peça de teatro de grande sucesso de Marcel Pagnol, e foi realizado por este e por Alexandre Korda. Um jovem hesita entre o casamento e o apelo da vida de marinheiro. O mais interessante é a relação entre pai e filho, que não é muito tratada no cinema. Como protagonistas, dois grandes atores franceses: Raimu e Pierre Fesnay. Paris 12.2015 Le Champo 3,5/5

Maligne


Um one-woman-show sobre uma jovem mulher que passou pelo tratamento do cancro de mama. Texto preciso e ágil, atriz mais do que convincente. Mas é um tema que atrai os lugares-comuns e estes nem sempre são evitados. Graças a uns amigos lá voltei à simpática La Pépinière, cheia como um ovo de jovens (que adoraram a peça). Paris 06.2015

Léonie est an avance (Feydeau, 1911)

Vi no Guichet Montparnasse esta deliciosa comédia do grande Feydeau numa boa encenação. Uma mulher grávida dá sinais de estar prestes a dar luz, um mês antes do tempo esperado. Tal facto provoca a histeria entre os familiares mais chegados... Feydeau vintage. Paris 02.2015:  3,5/5

BÉRÉNICE (1670)

Li que Bérénice ficou mais de dois séculos na sombra, mas hoje é uma das peças mais populares de Racine. A sessão a que assisti estava cheia de adolescentes, que têm de estudar esta obra na escola. Esta tragédia baseia-se em acontecimentos da antiga Roma, nos amores de Titus e Bérénice. Titus, o novo imperador, rejeita Bérénice para não contrariar a opinião do povo de Roma. Os atores principais estiveram muito bem, mas a encenação não me agradou. Também o enredo não esteve a meu ver à altura de Britannicus, que foi a peça de Racine de que mais gostei até agora. Paris 03.2015 Théâtre du Nord Ouest 3,5/5

Tailleur pour dames (Feydeau, 1886)

Feydeau garante sempre momentos de comédia ligeira mas ao mesmo tempo de qualidade perene: passado mais de um século continuamos a rir com o cómico de situação de que é rico o seu teatro. Três casais às voltas com problemas de infidelidade, afinal o tema preferido do teatro de boulevard. Paris 06.2015 Théâtre de Montparnasse 3/5

PHÈDRE (1677)

Phèdre, mulher de Thesée, rei de Atenas, insiste na paixão (não correspondida) que sente pelo enteado Hipolythe e por isso desencadeia a tragédia familiar. Uma peça de sentimentos exacerbados, que a atriz principal leva ao histerismo. Como acontece no teatro de Racine, o melhor é a sua poesia. Paris 01.2015 Théâtre du Nord Ouest 3/5

ATHALIE (1691)

Athalie é a última peça (tragédia) de Racine. Muito elogiada por grandes escritores europeus de várias épocas, foi escrita para as pensionistas da instituição escolar Saint-Cyr. A produção a que assisti opta por um elenco inteiramente feminino. Gostei da encenação, mas achei o texto particularmente difícil, denso, que se presta mais à leitura ou pelo menos exige uma leitura prévia. Deve ser das peças mais exigentes de Racine (nunca foi popular como outras) mas é certamente uma das mais belas. Paris 05.2015 Théâtre du Nord-Ouest 4/5

GEORGE DANDIN (1668)

George Dandin, ou o marido cornudo. Molière escreveu esta curta mas brilhante peça sobre a humilhação de um marido que não consegue convencer os sogros da infidelidade da filha, antes se rebaixa e se ridiculariza a cada tentativa de provar essa falta da mulher. A humilhação é terrível e passa muito pelas subtilezas da linguagem com que a aristocracia (os sogros) reprime os avanços da burguesia (o marido). Além disso, a peça avança considerações sobre a mulher que a tornam numa peça feminista. Revi agora a peça com a mesma equipa da primeira vez que a vi, e enquanto a força do texto se confirma, a encenação empalidece. Paris 02.2016 TNO 3/5


Que brilhante peça de Molière, sobre um marido cornudo (de origem humilde) que, desesperado em desmascarar a mulher (de origem nobre), só consegue enterrar-se cada vez mais aos olhos dos sogros. Uma peça cómica, mas violenta, sobre as diferenças de classes. Ou de como as maneiras civilizadas são uma poderosa arma para manter o povo no seu lugar, afastado do poder. 
George Dandin ou le Mari confondu é uma comédie-ballet com música de Jean-Baptiste Lully, tendo sido criada em Versailles em 1668. Suponho que já não se representa a peça com música, nem consigo imaginar como terá sido a sua representação original. Mas fiquei muito curioso em relação a essa possibilidade. Como será a encenação desta peça com a música original de Lully?
Paris 01.2015 Théâtre du Nord Ouest 4/5

What the Butler Saw (Joe Orton, 1969)

Vi ontem pela primeira vez uma peça de Joe Orton: What the Butler Saw (1969), numa versão espanhola (Teatro Infanta Isabel, Madrid). Uma farsa que começa quando um psiquiatra tenta seduzir uma candidata à função de (sua) secretária. O ritmo é imparável e os atores bons mas tenho a certeza de que o texto podia ser aproveitado de forma mais interessante. Madrid 08.2015 Teatro Infanta Isabel 3/5

LA CASA DE BERNARDA ALVA (1936)

A casa de Bernarda Alba é uma casa de "mulheres sem homens", sufocadas pela matriarca que cobriu a casa de luto depois da morte do seu marido. A cor local da Andalusia está presente (os ciganos e a sua liberdade, o calor sufocante do interior, as tradições rí gidas) mas é a Espanha sob o jugo autoritário que é visada, por isso durante muitos anos não foi representada neste país. Escrita em 1936, dois anos antes da morte de Lorca, foi criada em 1945 em Buenos Aires. Entrou este ano no repertório da Comédie Française numa excelente encenação de Lilo Baur. Paris 06.2015 CF 4/5

POUR UN OUI OU POUR UN NON (2025)

TÍTULO: Pour un oui ou pour un non AUTOR: Nathalie Sarraute CRIAÇÃO: 1986 (encenada), 1982 (publicada na Gallimard), 1981 (peça radiofónica) PERSONAGENS: Três amigos

Acho que é a primeira vez que tenho contacto com um texto de Nathalie Sarraute, um dos expoentes do Nouveau Roman dos anos 50.  Pour un oui ou pour un non é uma peça de teatro sobre as palavras, um tema de eleição daquela corrente literária. Duas amigas de longa data digladiam-se a propósito de palavras que foram ditas há muito entre elas e que se tornaram coisas, obstáculos, armas disponíveis para manter feridas abertas. Um grande momento de teatro da palavra. 
Encenação de Jacques Bondoux, interpretação de Mireille Carozzi, Catherine Chauvière, Edith Garraud (em 2025).
Paris 4.2015 Théâtre du Nord-Ouest 4/5
Paris 12.01.2025 Théâtre du Nord-Ouest 4/5

BRITANNICUS (1669)

A OBRA (Jean Racine, 1669)

O ESPETÁCULO (CF, 2016)

Já conhecia Britannicus (1669) de uma produção do Théâtre du Nord-Ouest, obviamente uma casa menos prestigiada e com muito menos recursos do que a centenária Comédie-Française. No entanto, gostei mais do espetáculo do TNO do que do da CF, encenado pela estrela Stéphane Braunschweig e interpretado, entre outros famosos atores, por Dominique Blanc. A peça de Racine foi escrita em verso e é de uma dificuldade extrema para chegar hoje a um público alargado. Os atores lutam para que o texto lhes saia naturalmente mas o esforço nota-se. E ação e movimento é o que as peças de Racine não permitem facilmente. Acho que o teatro de Racine mostra o seu melhor através da leitura e da análise textual e perde algo na passagem à cena. A plateia da Comédie-Française aplaudiu imenso o espetáculo mas os muitos adolescentes que estavam na sala estavam simplesmente entediados. Paris 05.2016 CF 2/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)    
Há meses, integrado na integral Racine que o Théâtre du Nord-Ouest está a apresentar, assisti ao clássico Britannicus, tragédia sobre o ódio que Néron nutre pelo seu irmão Britannicus e que o leva a matá-lo. Foi a melhor peça que vi da integral, não só porque o texto é muito bom (compreende-se que seja leitura obrigatória na escola) mas sobretudo porque a interpretação e a encenação valorizavam a peça. Lembro-me de que havia uns pormenores que modernizavam a peça, como o recurso à música rock e a utilização das drogas que faziam sentido no contexto de decadência moral em que o protagonista (Nero) e os seus aliados viviam. Talvez esta encenação não tenha sido do agrado de todos, o facto é que o TNO resolveu estrear hoje uma nova produção de Britannicus,  assinada por Jean-Luc Jeener. Foi mais uma noite inesquecível de teatro e confirmou a genialidade da peça de Racine. Não havia nenhum adereço na pequena cena da Salle Economidès, nem havia música.  Os atores (todos bons, Néron e Burrhus brilhantes) vestiam apenas umas túnicas romanas. Quase tudo repousava na palavra. A peça é longa (três horas) e em verso, os atores esforçaram-se por ser inteligíveis,  houve momentos em que não consegui acompanhar a torrente de palavras, mas houve outros em que ficamos todos hipnotizados,  suspensos pela arte de Racine (e dos atores). Austeridade, ausência de espetacularização, intensidade dramática é o que nos dá esta encenação de Britannicus. Foi muito, muito bom. Paris 11.2015 TNO (5/5)  

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)  
A história: Agrippine, viúva de Claudius, teve dois filhos de homens diferentes, Britannicus e Néron, que se enamoram pela mesma mulher, Junie. Néron, o imperador, mata o irmão, iniciando uma série de mortes entre os seus mais próximos. Depois de Iphigénie, Mithridate e Phèdre, vi agora Britannicus, a segunda grande peça de Racine. De longe foi a melhor produção entre as quatro propostas pelo Théâtre du Nord Ouest. Esta tragédia, tal como as restantes, é exigente ao nível do discurso, composta de versos alexandrinos. Mas os atores apropriam-se do texto com brio e encarnam as personagens romanas com um talento imenso. Excelente encenação de Florence Marschal. A introdução de elementos modernos (como a tablete lúdica que exprime a impaciência de Néron) tem um efeito expressivo surpreendente. Paris 02.2015 TNO 5/5

IPHIGÉNIE (Racine, 1674)

 

Iphigénie será sacrificada pelo pai para aplacar a ira dos deuses. Segue-se a reação dos mais íntimos da heroína, a mãe e o futuro esposo. Infelizmente, o tom da peça, nesta produção, resvala para o histérico. Esta é uma das peças menos interessantes que vi de Racine. A encenação de Rémi de Monvel e a direção de atores estão aquém do que costumo ver no Théâtre du Nord-Ouest. Paris 06.2017 NOTA: 2,5/5

Voltei hoje a frequentar um dos meus locais preferidos de Paris: o Théâtre du Nord Ouest. Deve ser único no mundo, pois propõe regularmente integrais de dramaturgos, mesmo que isso implique a encenação de dezenas de peças e a leitura de tantas outras. Há semanas começou a integral de Racine, de quem nada vi antes. Iphigénie é uma tragédia pouco encenada hoje, que retoma a trama de Eurípedes. Iphigénie, filha do rei de Micenas Agamemnon, vai ser sacrificada pelo pai para aplacar a ira dos deuses. Em Eurípedes o sacrifício consuma-se, em Racine não. Afinal a peça foi estreada perante a corte em Versailles, que não devia estar para suportar tamanho desenlace trágico. A peça conta com quase dois mil versos alexandrinos, mas os atores dirigidos por Jean-Luc Jeener tiveram o talento de tornar o texto mais inteligível do que muitas comédias francesas contemporâneas. O grande trunfo do espetáculo é a palavra de Racine. Durante três horas a minha atenção foi muito desigual, mas muitas vezes foi um encanto escutar a poesia de Racine. Paris 01.2015 TNO
Hall do Théâtre du Nord Ouest

Le Mariage (Jean-Luc Jeener, 2015)

Jean-Luc Jeener
Jean-Luc Jeener é dramaturgo, encenador, ator e crítico de teatro no Figaro. Em 1997 fundou com alguns atores amigos o Théâtre du Nord-Ouest (Paris), que propõe regularmente integrais de grandes dramaturgos. Não tenho conhecimento de uma iniciativa semelhante no campo do teatro. Há dias vi uma peça sua sobre o casamento homossexual. Uma jovem investigadora em psicologia vai pedir a mão da sua companheira em casamento à casa do futuro sogro. Mas este revela-se um "osso" homofóbico bem duro de roer... Uma peça de tese ou de exposição dos argumentos correntes a favor e contra o casamento homossexual. Os três atores (Jeener é o pai) são perfeitos. Boa mise en scène de Pascal Guignard Cordelier. Paris 06/2015 TNO

RICHARD III (Shakespeare, c. 1592)

Richard III é uma das primeiras e mais extensas peças de Shakespeare, escrita por volta de 1592. É uma tragédia política sobre a ambição desmesurada de um rei, que acedeu ao poder à custa de assassinatos de alguns dos seus familiares. A produção do Théâtre do Nord-Ouest não consegue evitar momentos pesados devidos ao estilo caudaloso do teatro shakespeareano, apesar do esforço dos intérpretes. Quando assistia ao espetáculo, apercebi-me de que raramente assisti a uma encenação arrebatadora de Shakespeare (lembro-me do Otelo de Nekrosius) mas quase sempre me entusiasmo pelas produções baseadas em Tchekhov, por exemplo. Para mim, Shakespeare é antes de mais um poeta, que ganha muito em ser lido; a encenação das suas peças não permite usufruir de forma cabal a sua poética. Ao contrário de muitos dramaturgos, o teatro de Shakespeare não depende da cena para afirmar a sua grandeza. Paris 04.2015 Théâtre du Nord Ouest 3/5

L' Alouette (Anouilh, 1953)

Cartaz de Jean-Denis Malclès (1953). Collections A.R.T.
Jean Anouilh é um dos grandes dramaturgos franceses, mas só agora consegui ver uma das suas peças. Por sinal, uma das suas obras mais célebres (mais de 600 representações na estreia), criada no Théâtre Montparnasse em 1953 e desde então regularmente representada em França e no estrangeiro. L'Alouette é uma peça sobre Jeanne D'Arc que, perante os juízes do tribunal que a vai condenar, revive os momentos marcantes da sua vida. O texto é poderoso, acentuando os elementos políticos e de género próprios da história da heroína. A produção do Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Geneviève Brunet e Odile Mallet, é excelente, com muito bons intérpretes, como a Jeanne de Marta Corton Viñals. Paris 06.2015 TNO 4/5

Ivanov (Tchékhov, 1887)

Ivanov é uma das primeiras peças de Tchekhov e teve duas versões (1887 e 1889). Luc Bondy optou pela primeira versão e assinou um excelente espetáculo. A peça é mais violenta e negra do que as obras posteriores e mais célebres do dramaturgo russo, faltando-lhe a poesia e a uma certa leveza que caracteriza estas. Mesmo assim, é uma excelente peça, e tem como protagonista um jovem homem que se isola socialmente, envelhece e despede-se da vida precocemente. Paris 10.2015 Théâtre de l'Odéon 4/5

PYGMALION (1938)

 
PYGMALION (Anthony Asquith, 1938)
Este filme é merecidamente um clássico do cinema britânico. Quase tão bom quanto o famoso filme My Fair Lady com Audrey Hepburn (ambos inspirados na mesma peça de teatro). Em tempos vi alguns filmes de Anthony Asquith na televisão portuguesa, mas perdi-lhe o rasto. Pygmalion é um dos seus filmes mais famosos. Baseado na peça homónima (1913) de George Bernard Shaw (que resistiu muito a autorizar esta adaptação), o argumento do filme (consagrado com um óscar) inspirou diretamente o musical My Fair Lady (1958) da Broadway e o filme de George Cukor (1964). A estrela deste filme é Leslie Howard, que na altura estava prestes a tornar-se uma estrela mundial em Gone With The Wind (1939), mas a grande revelação é Wendy Hiller, no seu primeiro papel importante no cinema. Dois enormes atores britânicos dos anos 30/40. Um belo clássico. VC 07.2015 DVDTECA (4/5)

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F