LE MISANTHROPE (1660)

Paris 09.2022 TNO

Tinha visto esta peça no ano passado no Porto, em português, e preferi sem dúvida essa produção à que vi hoje, na Comédie-Française, encenada por Clément Hervieu-Léger. Muito por culpa da dificuldade em compreender integralmente as falas em francês. Essa dificuldade impede a concentração numa das peças mais difíceis de Molière. Paris 01.2017 Comédie-Française  2,5/5
 
Gostei muito do Misantropo com pronúncia do Norte que o Teatro de São João propôs. A peça de Molière vê a sua atualidade confirmada com a modernização que o encenador Nuno Cardoso fez ao texto seiscentista francês. O salão mundano do argumento original passa a um salão onde reina a música disco. Mas os problemas da reputação da elite e a misantropia justificada do protagonista perante uma sociedade baseada na bajulação inter-pares cabem que nem uma luva no nosso presente facebookiano. À parte o vocativo majestático e a estrutura clássica da linguagem de Molière, a língua do escritor passa bem a prova do tempo e a prova dos novos (muitos adolescentes na platéia). Porto 04.2016 TNSJ 4/5 

LA CASA DE BERNARDA ALVA (1936)

A casa de Bernarda Alba é uma casa de "mulheres sem homens", sufocadas pela matriarca que cobriu a casa de luto depois da morte do seu marido. A cor local da Andalusia está presente (os ciganos e a sua liberdade, o calor sufocante do interior, as tradições rí gidas) mas é a Espanha sob o jugo autoritário que é visada, por isso durante muitos anos não foi representada neste país. Escrita em 1936, dois anos antes da morte de Lorca, foi criada em 1945 em Buenos Aires. Entrou este ano no repertório da Comédie Française numa excelente encenação de Lilo Baur. Paris 06.2015 CF 4/5

LA PUCE À L'OREILLE (1907)

La Puce à l'oreille, clássico do vaudeville de Feydeau, inspirou recentemente o filme Le Dindon, uma nódoa ao pé do original. Na mesma altura, a Comédie-Française, numa mise en scène de Lilo Baur, propõe uma versão espetacular da peça, com inúmeros momentos de comicidade irresistível. Paris 11.2019 Comédie-Française 4,5/5

THE TEMPEST (1611)

A OBRA (Shakespeare, 1611)

DATAS Escrita em 1610-1611, publicada no First Folio (1723)
PERSONAGENS Prospero, Miranda, Caliban, Ariel, etc.

O ESPETÁCULO (TNO, 2025)
ENCENAÇÃO Ludovic Coquin INTÉRPRETES Frédéric Beau, Clara Beauvois, Didier Bizet, Julien Briffod, Vivi Brusset, Louise Caluwé Dardelin, Sylvain Durand-Soriano, Joseph Gabison, Ilan Ginsburger, Valentine Neuville, Allen Nicolae, Béatrice Mandelbrot, Michel Mora, Frédéric Morel, Marion Rif, Christophe Rouillon, Joanna Rubio, Augustin Schemel, Clémence Thoison, Vincent Van Damme 

BEAUMARCHAIS (2015)

BEAUMARCHAIS (2015)
Autor: Christian Wasselin
Folio Biographies nº 125
BIBLIOTECA F
Leituras 2025

CASA DE BONECAS (1879)

Maison de Poupée é património mundial ou qualquer coisa do género. Como Hamlet, por exemplo. Hoje pude confirmar esse estatuto da obra-prima de Ibsen. Na verdade, o meu coração balança entre a Casa da Boneca e Hedda Gabler, dois grandes textos literários, que tiveram um impacto considerável na sociedade e ainda hoje nos interpelam. Nora Helmer é uma esposa tradicional que vive para o marido e os filhos, mas no passado, para salvar o marido de uma grave crise de saúde, contrai um empréstimo com a assinatura falsa do fiador (o seu pai). Ela orgulha-se do seu gesto, mas então apercebe-se de que para os homens que fazem as leis, o passo que ela tomou só pode ser condenável. Ela, como mulher, sente-se excluída do mundo e da lógica desse mundo, construídos pelos homens para os homens. Resolve então, por fim, renunciar à casa da boneca onde a sempre mantiveram (o pai, o marido). A encenação de Jean-Luc Jeener expõe de forma clara as grandes questões feministas da peça e tem um respeito à palavra que me agrada. Os atores são muito bons. Paris 05.2018 TNO 4,5/5
Atores: 
Alicia Roda (Nora Helmer) 
Yves Jouffroy (Torvald Helmer)
Martine Delor (Kristine Linde)
David Mallet (Nils Krogstad)

 
A Doll's House (Patrick Garland, 1973)
Filme de Patrick Garland

Christopher Hampton adaptou a peça de Ibsen para este filme maravilhoso com atores superlativos: Claire Bloom, Anthony Hopkins, Denholm Elliot (nomeado ao BAFTA), Ralph Richardson, Edith Evans. O discurso final de Nora é sempre surpreendente de atualidade, e nem se aplica apenas às mulheres, mas reflete a contradição do amor, quando aquele que ama não deixa o outro existir por si. Melun 01.2021 TV 4/5

Teatro de Anton TCHEKHOV

Anton Tchekhov, RÚSSIA 1860-1904
PLATONOV (1881)
Platonov, Metteur en scène : Patrice Le Cadre, Théâtre du Nord-Ouest 2019*****

ON THE HARMFUL EFFECTS OF TOBACCO (1886, 1902)
Les Méfaits du tabac, Théâtre du Nord-Ouest em 2019, encenador e ator: Charles Gonzales***

SWANSONG (1887)

IVANOV (1887)
Ivanov. Encenação de Luc Bondy, Théâtre de l'Odeon 2015
Ivanov, mis en scène par Yvan Garouel, Théâtre du Nord-Ouest 2019*****

IVANOV (1889)

THE BEAR (1888)
L'Ours, mis en scène par Sébastien Scherr, Théâtre du Nord-Ouest 2019

A TRAGEDIAN IN SPITE OF HIMSELF (1889)
Le Tragédien malgré lui mis, encenado por Alain Bonneval,Tchekhov 2019 

THE WEDDING (1889)
Une noce, mise en scène de Éric Auvray, Théâtre du Nord-Ouest 2019****

TATIANA REPINA (1889)
Tatiana Repina, Metteur en scène : Isabelle Erhart, Théâtre du Nord-Ouest, 2019**

THE WOOD DEMON (1889)
Le Sauvage ou l'Homme des Bois (1889), enc. Olivier Bruaux, Théâtre du Nord-Ouest 2019***

UMA CRISE (Conto, 1899)
Paroxysme, adaptado por Luana Kim, mis en scène de Olivier Bruaux e Luana Kim, Théâtre du Nord-Ouest 2019

A DAMA DO CACHORRINHO (Conto, 1899)
La dame au petit chien, enc. Love Bowman, Théâtre du Nord-Ouest 2019****

A MARRIAGE PROPOSAL (1890)
La Demande en mariage, mis en scène par Sébastien Scherr, Théâtre du Nord-Ouest 2019

THE FESTIVITIES (1891)

O MONGE NEGRO (Conto, 1894)
Encenação de Kirill Serebrennikov (2022), Théâtre du Châtelet 2023***

A GAIVOTA (1896)
A Gaivota, Lisboa??
A Gaivota, Encenação de Marcelo Flres e Harildo Deda, Cia de Teatro Os Argonautas, Brasil, Salvador da Bahia, Teatro Martim Gonçalves 2014*****
La Mouette, Encenação de Thomas Ostermeier, Odéon 2016**** 
La mouette, mis en scène par Jean Luc Jeener, Théâtre du Nord-Ouest 2019
La Mouette, mise en scène de Nicole Gros, Théâtre du Nord-Ouest 2019

O TIO VANIA (1897)
Vânya 42nd Street (Louis Malle, 1994),argumento de Andre Gregory, adaptação de David MameT****
Oncle Vania, mis en scène par Jean Luc Jeener,Théâtre du Nord-Ouest 2019 & 2022*****
Théâtre Vakhtangov, encenado por Rimas Tuminas, Théâtre Marigny 2019*****
O Tio Vânia (Andrei Konchalovsky, 1970)****
Oncle Vania, Encenação de Galin Stoev, Odéon 2023****

THREE SISTERS (1901)
As Três Irmãs, prod. Cornucópia 1988*****
Les Trois Sœurs, Odéon 2017 enc. Simon Stone****
Les Trois Sœurs, mis en scène par Vincent Gauthier, Théâtre du Nord-Ouest 2019****

O JARDIM DAS CEREJAS (1904)
O Jardim das Cerejas, produção do Novo Grupo, encenação de João Lourenço, 1987*****
La Cerisaie, Théâtre du Nord-Ouest em 2013*****
La Cerisaie, Encenação de Clément Hervieu-Léger, Comédie-Française  2022****
La Cerisaie, Théâtre de l'Odéon 2021, Tiago Rodrigues, Isabelle Huppert****

OUTROS:
Sur la Grande Route, enc. Virginie Lisb, Théâtre du Nord-Ouest 2019***

Une nature énigmatique, Metteur en scène : Odile Mallet & Geneviève Brunet , Théâtre du Nord-Ouest 2019

Une femme sans préjugés (Conto), Monique Lancel, 2019, TNO 2019***

Notre cher Anton, Catherine Salviat, Artistic Théâtre 2018****

O TIO VÂNIA

O ESPETÁCULO (Odéon, 2023)

Paris 02.2023 Odéon 4.5/5
Encenação de Galin Stoev

O ESPETÁCULO (TNO, 2022)

Simplesmente um dos melhores espetáculos de teatro que vi até hoje. A peça, é certo, é uma obra-prima do teatro universal, mas é o encenador e, sobretudo, os atores que elevam este espetáculo a um patamar superior. As minhas personagens preferidas são Vânia e a sua sobrinha Sónia, e os atores que os interpretaram são inesquecíveis, talvez ligeiramente superiores aos restantes. Paris 2019 & 2022 Théâtre du Nord-Ouest 5/5
Mise en scène de Jean Luc Jeener, com Vincent Gauthier, Claude Gentholz, Pascal Guignard, Marie Hasse (Sonia), David Mallet, Herve Mangoust, Syla De Rawski, Marie Helene Viau.

O ESPETÁCULO (Paris, 2019?)

O Tio Vânia pelo Théâtre Vakhtangov, encenado por Rimas Tuminas, foi um dos melhores espetáculos que vi este ano. Tanto a língua como a interpretação dos atores transmitiram de forma única a alma russa que perpassa a obra-prima de Tchekhov. Foi muito comovente ver as personagens que eu já conhecia bem ganharem uma nova vida, mais intensa e mais conforme à atmosfera criada pelo autor russo. Magnífico. Paris 10.2019 Théâtre Marigny 4,5/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2019)

Simplesmente um dos melhores espetáculos de teatro que vi até hoje. A peça, é certo, é uma obra-prima do teatro universal, mas é o encenador e, sobretudo, os atores que elevam este espetáculo a um patamar superior. As minhas personagens preferidas são Vânia e a sua sobrinha Sónia, e os atores que os interpretaram são inesquecíveis, talvez ligeiramente superiores aos restantes. Paris 04.2019 TNO 5/5
Oncle Vania (Tchekhov) Théâtre du Nord-Ouest, mis en scène de Jean Luc Jeener, com Vincent Gauthier, Claude Gentholz, Pascal Guignard, Marie Hasse, David Mallet, Herve Mangoust, Syla De Rawski, Marie Helene Viau.

MADEMOISELLE JULIE (1888)

A OBRA (A. Strindberg, 1888)

O ESPETÁCULO (T. Trindade, 2025)
MENINA JÚLIA (2025)
TRAD Augusto Sobral e Tânia Filipe ENC João de Brito ELENCO Helena Caldeira, João Jesus e Rita Brütt  CEN Henrique Ralheta ESTREIA Lisboa 27.11.2025 Teatro da Trindade

 
MISS JULIE (Mike Figgis, 1999)
Foi Strindberg que me trouxe a este filme. O seu clássico Miss Julie tem aqui uma transposição competente mas nada que faça a esquecer qualquer das duas três ou quatro encenações que vi da peça, apesar do bom trabalho dos atores: Saffron Burrows (Miss Julie), Peter Mullan (Jean) e Maria Doyle Kennedy (Christine). VC 10.2019 DVDteca 2,5/5

MADEMOISELLE JULIE (1984)

Já vi melhores produções de Miss Julie, um clássico absoluto do teatro. Fanny Ardant, muito jovem, não está à altura de um papel tão dramático como esse. Tem uma presença incrível, de grande estrela que é, mas nas cenas mais violentas a sua atuação pareceu-me um pouco forçada. Com Niels Arestrup e Brigitte Catillon. Realizado para a televisão de Yves-André Hubert em 1984. Melun 04.2021 TV 3,5/5
 
MADEMOISELLE JULIE (Sjoberg, 1950)
Que bom ver um clássico sueco não assinado por Bergman! Em versão restaurada, foi reposto agora em Paris o clássico de  Alf Sjoberg, Mademoiselle Julie (1950) com Anita Björk.
Já vi várias vezes esta peça célebre de Strindberg, mas sempre em teatro, pelo menos três vezes, uma no Teatro do Chiado, há tanto tempo que parece que foi numa outra vida anterior; e recentemente com Juliette Binoche do palco do Odeon.
Mas o filme de Sjoberg traz a história quase toda para o exterior, para o ar livre (não é o que desejam as personagens principais?) sem que a ideia de claustrofobia social seja atenuada por essa opção do exterior. São seres que não podem mudar as convenções sociais de classe sem se aniquilarem. Uma das maiores histórias que o teatro nos deu e que é sempre um prazer rever. Paris 09.2014 Filmothèque du Quartier Latin 4/5
MADEMOISELLE JULIE
Une tragédie naturaliste
(Fröken Julie, Ett naturalistiskt sorgespel, 1888)
de August Strindberg
Traduction du suédois de Terje Sinding
Éditions Circé/Théâtre 2006
BIBLIOTECA F

Histoire du Théâtre (2005)

HISTOIRE DU THÉÂTRE (2005)
Autor: Alain Viala
Que sais-je? 2005 1ère édition
NT

Que sais-je? 2010 2ème édition
BIBLIOTECA F 



LE MENTEUR (1642)

A OBRA (Corneille, 1642)

O ESPETÁCULO (TNO, 2025)

ARTISTAS Jean-Paul Audrain, Clara Beauvois, Olivier Bruaux, Martine Delor, Philippe Hazza, Suzana Joaquim-Maudslay, Jonathan Le Guillou, Marion Rif ENCENAÇÃO Jean-Luc Jeener VISTO Paris 10.06.2025 Théâtre du Nord-Ouest 

Comédia em verso, inspirada por uma peça famosa de Alarcon, foi um enorme sucesso no seu tempo. Hoje é sobretudo um objeto literário notável, que necessita de leitura e análise para revelar as suas qualidades. Os atores da produção que vi tornaram o texto intelegível (bravo!), tanto quanto seria possível. Mesmo assim, foi difícil acompanhar as peripécias desta comédia devido à linguagem versificada. 3/5


La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle,  mais de l...