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EM FAMÍLIA (1972)

Hoje assisti a uma peça de teatro que foi uma verdadeira revelação. Vianninha conta o último combate do homem comum, chama-se a peça, foi escrita por Oduvaldo Vianna Filho e estreada em 1972 com o título Em Família. Desconhecia por completo este importante dramaturgo brasileiro que morreu jovem (há 40 anos, em 1974). O seu texto é uma maravilha, atualíssimo. Um casal de velhos é posto para fora da casa onde sempre viveram e criaram os filhos. Estes tentam arranjar uma solução para o problema, mas as saídas são limitadas e o desgaste das relações entre os familiares é crescente. Esta nova montagem da peça, dirigida por Aderbal Freire-Filho e com um excelente elenco, tem a maior qualidade em revelar para quem não conhecia o valor do teatro de Oduvaldo Vianna Filho. Brasil 07.2014 5/5

La Cage aux folles (Jean Poiret, 1973)

Em 2010 La Cage aux folles foi apresentada aos parisienses pela terceira vez, depois da criação da peça de Jean Poiret em 1973. Nesta nova produção, apresentada no Théâtre de la Porte Saint-Martin, e encenada por Didier Caron, os dois papéis principais pertencem a Christian Clavier e a Didier Bourdon. Os dois vivem juntos e terão de receber os futuros sogros do filho de um deles, mas para isso têm de esconder a sua relação conjugal. Um clássico. Melun 12.2020 TV 3/5

Abigail's Party (Mike Leigh, 1977)

Abigail's Party é uma peça de teatro de Mike Leigh que ainda hoje é representada em Inglaterra. Foi um grande sucesso de crítica na estreia e tornou-se popular com a adaptação televisiva feita pelo próprio Mike Leigh para a BBC. Trata-se simplesmente de um dos  melhores programas de televisao britânicos de sempre. A história é simples: Beverly convida os novos vizinhos e uma amiga para tomar uns copos em sua casa. Conversam, dançam, ouvem discos, dando-nos um show completo dos disparates, lugares-comuns, preconceitos, frustações e gostos culturais da classe média inglesa. Com Alison Steadman (Beverly), Tim Stern (Laurence), Angela (Janine Duvitski), Tony (John Salthouse), Susan (Harriet Reynolds). VC 05.2019 Excelente 4/5

Folle Amanda (Barillet e Grédy, 1971)

 
Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy é uma dupla famosa de autores de teatro com enorme êxito não apenas em França, mas igualmente noutros países (Hollywood já adaptou várias vezes as peças deles). Felizmente, Folle Amanda tem algumas das suas produções filmadas para televisão e editadas em DVD. Foi através deste que pude agora ver a primeira difusão da peça na televisão francesa, em 1974, com Jacqueline Maillan (Amanda) e Daniel Ceccaldi (Philippe Morhange) nos principais papéis. Mas eu já conhecia o universo de Barillet e Grédy do filme Potiche, de François Ozon, que adapta uma das peças da dupla. Amande é uma artista do music-hall há muitos anos inativa, retirada no seu apartamento onde toda a ação se passa. Ela vive com grandes dificuldades financeiras, recebendo uma pensão do ex-marido, que agora é ministro e se aproxima dela com intenções ambíguas (quer impedi-la de publicar as memórias dela). Amande tem uma atitude descontraída perante a vida mas também amarga e irónica. Um teatro burguês de entrenimento garantido. VC 02.2018 DVDTECA 4/5

La Mer (Comédie-Française, 2016)

 
Foi a primeira vez que vi uma peça de Edward Bond. The Sea (estreada em 1973 no Royal Court Theatre, em Londres), ou La Mer, na produção da Comédie-Française encenada por Alain Françon. Uma pequena terra da costa inglesa está de luto porque um jovem morreu no mar durante uma tempestade. Ele ia casar com uma jovem da upper-class local, que agora é consolada pelo amigo do noivo que sobreviveu ao naufrágio. À volta destes dois jovens que no final da peça abandonam juntos a terra, uma sociedade imobilizada, hierarquizada, de mulheres solitárias e frustradas e homens alienados, que escolhem o isolamento absoluto (um eremita de praia) ou caem na loucura. Uma comédia muito negra com o mar ao fundo, que muda de humores tal como os homens. Muito bom. Paris 05.2016 Comédie-Française 4/5

O Beijo da Mulher Aranha (Manuel Puig, 1976)

 
O Beijo da Mulher Aranha, encenado por Hélder Gamboa, com João Jesus e Diogo Mesquita. Que espetáculo maravilhoso! Muito simples, dois homens numa cela de prisão, presos por serem o que são: um homossexual e um revolucionário, algures num país da América Latina sob uma ditadura. O homossexual, em troca da liberdade, tem de obter informações sobre as atividades do revolucionário. Mas quem realmente manipula quem? Ao longo da peça o homossexual conta detalhadamente ao companheiro a história de um dos meus filmes preferidos, Cat People. Lisboa, abril de 2022 Sala Estúdio do Teatro da Trindade INATEL 4,5/5

Tiago Ferro O Pai da Menina Morta 2018 (Tinta-da-China 2018)

Tiago Ferro O Pai da Menina Morta 2018 (Tinta-da-China 2018) NT