A Noite Canta os seus Cantos (1997)

A Noite Canta os seus Cantos (1997)
Livrinhos de Teatro nº4 Artistas Unidos 2005
BMPV
Leituras, agosto de 2025

Luzes da Boemia (1920)

Peça de teatro de Valle-Inclán

Foi muito bom ter visto, pela primeira vez, uma peça de Valle-Inclán, grande nome do teatro espanhol. Aliás, este texto é emblemático do género esperpento, criado pelo próprio Valle-Inclán, numa época que teve tantas revoluções na arte. Luzes de Boemia apresenta os últimos dias de Max Estrella, poeta cego e decadente, reconhecido por poucos mas destratado por quase todos. O poeta, condenado à miséria e à doença, faz ferozes críticas à sociedade, sobretudo aos poderes que tudo podem e mandam. Encenação de Santiago Roldós. Salvador da Bahia 04.2017 Teatro da Vila Velha 3/5

A TASTE OF HONEY

A Taste of Honey (Tony Richardson, 1961)
O cinema Champo teve a feliz ideia de apresentar uma trilogia representativa do Free Cinema, movimento de renovação do cinema britânico na passagem dos anos 50 para os anos 60. O Free Cinema deve muito à renovação nos anos 50 do teatro daquele país e é disso exemplo A Taste of Honey, originalmente uma peça de Shelagh Delaney, que assinou com Richardson o argumento deste clássico. A protagonista é uma jovem adolescente com uma péssima relação com a mãe, que coleciona amantes e quartos alugados onde a filha se sente a mais. A jovem (Dora Bryan, que ganhou o Bafta para melhor atriz) decide viver de forma independente com um amigo homossexual (uma das primeiras personagens homossexuais no cinema britânico). A vida das personagens é tão sombria e dura quanto a paisagem onde vivem, acentuada pela fotografia a preto e branco de Walter Lassally. O filme recebeu 3 BAFTA, para melhor filme britânico, melhor argumento e melhor atriz. Um dos filmes de que mais gostei de ver no último ano (tinha-o visto meses antes no Cineclube 7e Genre e agora no Champo). Paris 11.2017 Le Champo 4/5 Porto 22.12.2024 Batalha

AUGUST: OSAGE COUNTY

AUGUST: OSAGE COUNTY (2013)
Um filme de atores (de atrizes, sobretudo). Personagens e texto que permitem a Meryl Streep e a Julia Roberts brilharem (ambas foram nomeadas ao Oscar e ao Golden Globe). Mas este ajuste de contas no seio de uma família que acaba de perder o seu patriarca, nada tem de original para nos dar. Paris 03.2014 Odeon 2/5
August: Osage County (John Wells, 2013), pt. Um Quente Agosto, escrito por Tracy Letts (adapta a sua peça que recebeu o Pulitzer), com Meryl Streep (nomeada ao Oscar e Golden Globe), Julia Roberts (nomeada ao Oscar, Golden Globe e BAFTA), Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Juliette Lewis, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Julianne Nicholson, Sam Shepard, música de Gustavo Santaolalla, produzido por Smokehouse Pictures.

THE LITTLE FOXES

The Little Foxes (William Wyler, 1941)
The Little Foxes (em Portugal recebeu o título de Raposa Matreira), de William Wyler, um dos cumes da carreira de Bette Davis. Adaptação de uma peça de Lillian Helman, estreada em 1939 na Broadway com Tallulah Bankead (uma ano de representações).Terceira e última colaboração (sempre intempestiva, sempre produtiva) entre Wyler e Davis. A Warner emprestou Davis a Samuel Goldwin para este filme (em troca de Gary Cooper que filmou para a Warner) e o resultado foi um clássico sempre revisitado. Gregg Toland assinou a fotografia. Cinemateca Francesa 2013 (4/5)

MARIUS

Marius (Marcel Pagnol, 1931)
Um clássico do cinema francês que inicia uma trilogia marselhesa (Marius, Fanny e César), agora reposta nas salas. O filme tem origem numa peça de teatro de grande sucesso de Marcel Pagnol, e foi realizado por este e por Alexandre Korda. Um jovem hesita entre o casamento e o apelo da vida de marinheiro. O mais interessante é a relação entre pai e filho, que não é muito tratada no cinema. Como protagonistas, dois grandes atores franceses: Raimu e Pierre Fesnay. Paris 12.2015 Le Champo 3,5/5

THE LION IN WINTER (James Goldman)

The Lion in Winter (Anthony Harvey, 1968)
Desde muito jovem que ouço falar deste filme por causa do óscar dado a Katherine Hepburn. Mas nunca o tinha visto. Agora é reposto nas salas em cópia restaurada. Trata-se de um bom filme que mantem as qualidades que foram reconhecidas na altura da estreia. Para começar, um texto muito bom: o original é uma peça consagrada da Broadway, de James Goldman (Oscar), que assina a adaptação da sua peça para o cinema. E há ainda os atores, um festival de atores: Peter O'Toole (Golden Globe), Katharine Hepburn (Oscar e BAFTA), John Castle, Anthony Hopkins. Já há muitas obras (romances, filmes, séries) sobre os dramas familiares da realeza britânica e The Lion in Winter é uma dessas obras que ficaram. O único senão para mim é tratar-se de um filme que nunca consegue afastar-se, autonomizar-se da sua origem teatral (acontece o mesmo com o recente Fences), o que acaba por ser limitativo. O filme recebeu sete nomeações para o óscar, tendo ganho três (atriz, argumento e score musical para John Barry). Paris 03.2017 Mac-Mahon 3/5

OUR TOWN

Our Town (Sam Wood, 1940)
Our Town não envelheceu bem, para um filme que foi nomeado para 5 Oscars: melhor filme, score (Aaron Copland), atriz principal  (Martha Scott) e som. Talvez por adaptar de forma demasiado fiel a peça de Thornton Wilder, muito apreciada na época (mas que também desapareceu um pouco dos palcos). Trata de um tema caro aos americanos, o elogio do seu modo de vida, dos seus valores, do apego à terra e à família. Sobre a vida ideal nas pequenas cidades, aquelas em que o espírito americano melhor se exprime. Com William Holden e Martha Scott. Vila do Conde 12.2019 (2/5)

LE PASSÉ (2025)

AUTORES Julien Gosselin, a partir de Léonid Andréïev ou Leonid Andreyev TRADUÇÃO André Markowicz (obras: Ékatérina Ivanovna suivi de Requiem, de Léonid Andréïev, éditions Mesures 2021) ENCENAÇÃO Julien Gosselin INT Guillaume Bachelé, Joseph Drouet, Denis Eyriey, Carine Goron, Victoria Quesnel, Achille Reggiani, Maxence Vandevelde e Jérémie Bernaert, Baudouin Rencurel (cadre vidéo) MUS Guillaume Bachelé, Maxence Vandevelde ESTREIA Paris 13.09.2025 Théâtre de l'Odéon

ÉTINCELLES (2025)

ENC Gabriel Dufay ESTREIA Paris 18.09.2025 Comédie-Française

VENTO FORTE (2021)

A OBRA (J. Fosse, 2021)
CRIAÇÃO Noruega 4.09.2021 Det Norske Teatret, com encenação de Johannes Holmen Dahl e interpretação de Jan Grönli, Anne Marit Jacobsen e Joe Bleiklie Devik

O ESPETÁCULO (Artistas Unidos, 2024)
𝗩𝗘𝗡𝗧𝗢 𝗙𝗢𝗥𝗧𝗘, 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗻 𝗙𝗼𝘀𝘀𝗲
ENC Pedro Porto Fernandes ENC António Simão INT Andreia Bento, António Simão, Nuno Gonçalo Rodrigues CEN FIG Rita Lopes Alves PROD Artistas Unidos, Teatro Municipal Joaquim Benite ESTREIA Lisboa 27.11.2024 Teatro Variedades

Livrinhos de Teatro

Fernando Krapp hat mir diesen Brief geschrieben (1992)

A OBRA (T. Dorst, 1992)
ORIGEM Inspirada em Nada menos que todo un hombre (Miguel de Unamuno, 1916) CRIAÇÃO Viena 15.05.1992, encenação de Wilfried Minks para o Akademietheater Wien uraufgeführt
AUTOR Tankred Dorst TÍTULO Fernando Krapp Escreveu-me esta Carta TRAD João Lourenço, Vera San Payo de Lemos DRA Vera San Payo de Lemos MUS Eduardo Paes Mamede CEN António Casimiro | João Lourenço FIG Eduarda Abbondanza, Mário Matos Ribeiro LUZ João Lourenço, Melim Teixeira ENC João Lourenço ELENCO Alexandra Lencastre, Francisco Pestana, Hermes Andrade, João Perry, José Bettencourt, José Eduardo, Melim Teixeira, Paulo Neto, Rogério Samora, Rui Mendes ESTREIA Lisboa 7.01.1997 Teatro Aberto

HERR PAUL (1994)

O SENHOR PAUL (T. Aberto, 2025)

AUTOR Tankred Dorst TRAD Vera San Payo de Lemos ENC Álvaro Correia CEN André Guedes FIG Marisa Fernandes música Vitória desenho de luz Manuel Abrantes ELENCO Carlos Malvarez, Íris Cañamero, José Pimentão, Lia Carvalho, Maria José Paschoal e Miguel Loureiro

ORPHEUS DESCENDING

THE FUGITIVE KIND (Sidney Lumet, 1960)
V2011

LE PÈRE (2012)

The Father (Florian Zeller, 2020)

Christopher Hampton colaborou com Florian Zeller na escrita do argumento, que adapta uma das peças mais celebradas de Zeller (2012). O argumento e os dois atores principais, Anthony Hopkins (Oscar e Bafta de melhor ator) e Olivia Colman, são o grande trunfo deste filme. Melun 06.2021 Les Variétés 3/5

Floride (Philippe Le Guay, 2015)

Floride adapta Le Père de Florian Zeller, que este ano voltou a ser adaptado ao cinema com Anthony Hopins no papel que aqui cabe a Jean Rochefort (no seu último trabalho no cinema). É a história de um velho octogenário que se torna cada vez menos autónomo, a ponto de ter de ser internado. Os atores são impecáveis, mas o filme nunca chegou a interessar-me muito. Tenho a certeza de que no teatro o resultado seria mais interessante. Melun 03.2021 TV 2,5/5

Blithe Spirit (1945)

Filme de David Lean
Noël Coward
Paris 12.2023 Cinémathèque 3/5

Maligne


Um one-woman-show sobre uma jovem mulher que passou pelo tratamento do cancro de mama. Texto preciso e ágil, atriz mais do que convincente. Mas é um tema que atrai os lugares-comuns e estes nem sempre são evitados. Graças a uns amigos lá voltei à simpática La Pépinière, cheia como um ovo de jovens (que adoraram a peça). Paris 06.2015

La Reine de Césarée (Brasillach, 1954)

Que maravilha de texto e de interpretação! Não conhecia Brasillach, escritor que morreu no fim da segunda guerra mundial, durante a qual aliás escreveu esta peça (mas foi apenas criada no palco em 1954). Bérénice reencontra o rei Titus, o seu amor de juventude, com quem quer passar os seus últimos anos. Mas razões de estado, entre outras, separam para sempre os amantes reincidentes. Uma excelente produção, que voltaria a ver com prazer. Paris 06.2015 TNO 4/5

La petite fille espérance (Péguy, 1912)

Penso que se voltasse a viver em pleno na fé cristã (na qual fui educado), seria através da poesia. Fiquei maravilhado com o texto de Charles Péguy, La petite fille espérance, retirado do Porche du Mystère de la Deuxième Vertu (1912). Trata-se de um texto dos últimos anos de vida de Péguy, quando ele regressou à fé cristã. A atriz Marie Hasse encenou e interpretou este texto e durante uma hora hipnotizou-nos com a força que retira do texto. Eis alguns dos seus versos magníficos.

Ce qui m'étonne, dit Dieu, c'est l'espérance. 
Et je n'en reviens pas. 
Cette petite espérance qui n'a l'air de rien du tout. 
Cette petite fille espérance.
Immortelle.

L'Espérance est une petite fille de rien du tout. 
Qui est venue au monde le jour de Noël de l'année dernière. 
Qui joue encore avec le bonhomme Janvier.

Paris 09.2016 TNO

MEDEIA

Médée (TNO, 2016)
A Medeia de Eurípides tem uma longa história de adaptações. A que vi ontem é da autoria de Jean-Dominique Hamel e pareceu-me estar bem próxima da original. A encenação de Nathalie Hamel é apenas mediana e os atores nem sempre são os melhores para os papéis, mas a história trágica de Medeia, traída, vingadora e vingada, é narrada de forma límpida e é geralmente isso que eu mais aprecio quando vejo uma peça clássica. Paris 11.2016 TNO 3/5

La Découverte du monde (TNO, 2016)

La Découverte du monde é um convite à descoberta da palavra de Clarisse Lispector e, por esse meio, à descoberta do mundo. Duas atrizes brasileiras (Monique de Boutteville e Viviana Coletty), com humor apresentam alguns textos de Clarisse, incluindo entrevistas, crónicas e contos. Mas reconheço que esperava mais desta "peça" encenada por Jean Beppe. Paris 11.2016 TNO 2/5

Pai (Strindberg, 1887)

Na Comédie-Française, encenado por Arnaud Desplechin, foi proposto em 2015 e reposto este ano o grande clássico Pai, de August Strindberg. Um homem atravessa uma crise conjugal e começa a duvidar da paternidade da sua filha... Esta ideia fixa leva-o à loucura. Excelente interpretação de Michel Vuillermoz no papel principal. Paris 11.2016 CF 4/5

24 h de la vie d'une femme (Stefan Zweig)

24 h de la vie d'une femme é uma peça de teatro que adapta o breve e famoso romance de Stefan Zweig. Uma mulher tenta ajudar um jovem jogador de casino, que se arruina ao jogo numa noite. Entre eles nasce uma relação de amor que tem a paixão do homem pelo jogo o seu principal obstáculo. Esperava mais desta peça, apenas gostei na verdade dos três atores. Paris 02.2017 TNO 2/5

Le Dibbouk (Shalom Anski, 1917)

Le Dibbouk ou entre deux mondes é considerada a obra-prima do teatro escrito em yiddish. Conta a história de uma noiva que é possuída pelo espírito do rapaz que amava e que morreu quando ela foi prometida a outro. A Igreja, através de um exorcismo, vai tentar salvar a vida da jovem... Uma peça interessante mas pouco mais do que isso. Paris 03.2017 TNO 3/5

A Resistível Ascensão de Arturo Ui (Brecht, 1941)

Uma das obras mais conhecidas de Bertold Brecht na Comédie-Française, encenada por Katharina Thalbach. Um retrato da ascensão ao poder de Hitler. Para isso, a ação da peça passa-se na Chicago da corrupção e dos grupos de Mafia nos anos 30/20. Uma boa produção. Paris 05.2017 Comédie-Française 3/5

A Aurora e o Crepúsculo do mundo na mitologia escandinava

Tenho de reconhecer que o meu conhecimento da mitologia escandinava deve muito aos filmes que recentemente têm sido feitos dentro do género do cinema de super-heróis. Não é a melhor fonte para conhecer essa mitologia. Por isso aproveitei para assistir a duas sessões de teatro, em que duas encantadoras performers, Hélène Loup e Monique Lancel, narram e dramatizam a aurora do mundo (l'Aube du monde) e o crepúsculo desse mesmo mundo (Le crépuscule du monde) segundo a Edda poética e a Edda de Snorri, que são recolhas de textos com cerca de mil anos, fontes da mitologia escandinava ou viking (ramo da mitologia dos povos germânicos). Em quase três horas, fomos assistindo, imaginando sobretudo, com a ajuda dos instrumentos que as performers dispunham e principalmente através das suas vozes, a sucessão de deuses, gigantes, humanos, criaturas fantásticas de todas as formas e feitios (psicológicos) que povoam a mitologia escandinava. Paris 5.2018 TNO 3,5/5

Le Grand Inquisiteur (Fédor Dostoïevski, 2020)

Baseada num texto de Dostoïevsk, a peça Le Grand Inquisiteur faz uma revisão da política dos últimos 150 anos, com adaptação e encenação de Sylvain Creuzevault. Os grandes líderes mundiais (Marx, Trump, Hitler, Estaline...) desfilam e só têm misérias para apresentar, a começar por eles mesmos, reduzidos a canibais... Paris 10.2020 Odéon 2/5

SEPARATED TABLES

Separate Tables (Delbert Mann, 1958)
Queria muito ver este filme pela peça de Terence Rattigan que o originou. Rattigan também escreveu o argumento com John Gay e John Michael Hayes. Tudo se passa em menos de 24 horas na pensão Beauregard, em Inglaterra. Os pensionistas ficam a saber pelo jornal que um deles, um suposto major tagarela, foi apanhado num cinema a seduzir algumas espetadoras, denunciado e levado a tribunal por esse motivo. Os pensionistas dividem-se entre os que defendem a sua expulsão e os que o apoiam. Mas a peça é também sobre a solidão, o sofrimento e as paixões reprimidas de quase todas as personagens. Trama mais british não podia haver. O ramalhete de atores é impressionante:  Rita Hayworth, Deborah Kerr, David Niven, Burt Lancaster e Wendy Hiller. Esta ganhou o óscar para melhor atriz coadjuvante e David Niven o óscar para o melhor ator, num papel difícil mas a meu ver mal defendido por Niven. Vila do Conde 07.2015 DVDteca 4/5

Manual de Teatro (Antonino Solmer, 1999)

Descobri este livro de 1999 hoje, em Paris, nos saldos. Soube depois que foi reeditado neste mesmo ano, 2014. Ainda bem. É uma excelente introdução às variadas dimensões do teatro. Põe em ordem ideias que na minha cabeça estavam soltas e pouco precisas. Gosto especialmente da parte histórica. Além disso, tem muita informação sobre o teatro em Portugal. Já li uma boa parte dos capítulos que me interessam e pareceu-me de facto um bom e pioneiro trabalho. Leitura 2014

EM FAMÍLIA (1972)

Hoje assisti a uma peça de teatro que foi uma verdadeira revelação. Vianninha conta o último combate do homem comum, chama-se a peça, foi escrita por Oduvaldo Vianna Filho e estreada em 1972 com o título Em Família. Desconhecia por completo este importante dramaturgo brasileiro que morreu jovem (há 40 anos, em 1974). O seu texto é uma maravilha, atualíssimo. Um casal de velhos é posto para fora da casa onde sempre viveram e criaram os filhos. Estes tentam arranjar uma solução para o problema, mas as saídas são limitadas e o desgaste das relações entre os familiares é crescente. Esta nova montagem da peça, dirigida por Aderbal Freire-Filho e com um excelente elenco, tem a maior qualidade em revelar para quem não conhecia o valor do teatro de Oduvaldo Vianna Filho. Brasil 07.2014 5/5

Léonie est an avance (Feydeau, 1911)

Vi no Guichet Montparnasse esta deliciosa comédia do grande Feydeau numa boa encenação. Uma mulher grávida dá sinais de estar prestes a dar luz, um mês antes do tempo esperado. Tal facto provoca a histeria entre os familiares mais chegados... Feydeau vintage. Paris 02.2015:  3,5/5

COLOMBE (1951)

Colombe é uma peça brilhante de Jean Anouilh, que descende das comédias de boulevard de Feydeau e outros. Vi a produção da Comédie des Ternes que é simplesmente excelente. Duas horas e vinte minutos de puro divertimento, sem um momento apagado. Há atores melhores do que outros, é certo, por vezes falta subtileza no jogo de certos atores, mas nada que impeça o brilho de toda a produção. Passou a ser uma das minhas peças de teatro preferidas. A história? Colombe, uma jovem tímida, casada com um homem que vive mal com todos inclusive com a sua família, é recebida por uns tempos pela sogra que é uma célebre atriz de teatro. Colombe transforma-se completamente. Torna-se atriz e liberta-se do mundo pudico e asfixiante que o marido lhe impunha. Paris 01.2017 TNO 4,5/5

Les affaires sont les affaires (Octave Mirbeau, 1903)

Fui ver esta peça duas vezes, na encenação de Rui Ferreira (que também lidera o elenco), e nunca me ocorreu estar perante uma peça de sucesso. E, no entanto, desde a sua criação na Comédie-Française em 1903,  o seu enorme êxito nunca foi desmentido, não apenas em França mas em todo o lado. Esta peça de Octave Mirbeau é uma comédia clássica na tradição de Molière. Um pai autoritário e frio no relacionamento com os filhos, pretende alargar o seu poder local associando-se com os nobres terratenentes e para isso pretende casar a filha contra a vontade desta. Esta recusa e o filho no final morre num acidente. Mesmo assim esse pai supera rapidamente o drama familiar para se dedicar à sua fortuna. Les affaires sont les affaires. Paris 03.2016 TNO 4/5

Les Boulingrin et autres pièces (Georges Courteline)

Les Boulingrin et autres pièces de Georges Courteline. Uma sessão de teatro de Courteline: 4 breves peças, das quais apenas uma me agradou. Les Boulingrin é uma peça deliciosa de humor sobre um casal que vive a 100 à hora e ai daquele que estiver por perto, como o pobre hóspede que esperava um pouco de conforto na casa dos seus novos amigos. A encenação de Geoffrey Lopez e a interpretação estão à altura da alta velocidade que o casal B. imprime à sua vida. Paris 03.2016 TNO 3/5

Edmond (Alexis Michalik, 2018)

Edmond é um biopic de Edmond Rostand, centrado na criacão da sua peça mais célebre, Cyrano de Bergerac. A ação passa-se portanto em 1897, nas poucas semanas em que foi escrita e criada, com sucesso retumbante, e que perdura até hoje. Gostei particularmente de encontrar na trama Courteline e sobretudo Feydeau, que representavam a grande comédia popular da época. E, claro, a diva Sarah Bernhard, rainha do teatro em verso, que era a única vocação de Rostand. Paris 01.2019 3,5/5

La Mort d'Agrippine (Cyrano de Bergerac, 1653)

É a primeira vez que assisto a uma peça de Cyrano de Bergerac. A coisa não correu muito bem. O texto de La Mort d'Agrippine (1653), todo em verso, é difícil como o caraças. E a encenação não ajuda o suficiente a clarificar pelo menos a ação. Os atores é que merecem o maior aplauso. Paris 04.2016 TNO 2/5

Biblioteca ALFRED DE MUSSET

Ensaio de Sylvain Ledda
Como vi há pouco a peça Il ne faut jurer de rien, de Musset, e gostei muito, resolvi ler a sua biografia ilustrada e em formato de bolso que Sylvain Ledda propõe na incomparável coleção Découvertes Gallimard. Musset é um dos grandes nomes do romantismo francês e quando se estreou, a revolução romântica no teatro estava a acontecer com Hugo, Dumas e Vigny. Porém, Musset falhou completamente a entrada nessa rampa para o sucesso artistico e mundano que era o teatro. A estreia mal acolhida da sua peça de estreia levou-o a continuar o teatro no papel, publicando com regularidade as suas peças em revistas e volumes. Quando foi redescoberto, o seu teatro tornou-se um dos mais queridos dos franceses. Hoje é um dos autores mais representados na Comédie Française. Mas Musset foi famoso também pelos seus versos que cantam a juventude e o amor como poucos e que fez a sua fama em vida. A sua obra seguia de perto a sua biografia e o seu livro em prosa mais famoso, La Confession d'un enfant du siècle (1836), é precisamente um romance biográfico. Famosas também ficaram as suas relações com mulheres artistas, como George Sand, assunto de vários livros e filmes até à data. Paris 12.2015 (4/5)


Il Faut qu'une porte soit ouverte ou fermée (Musset, 1848)

Uma peça breve de Alfred Musset põe em cena uma mulher e um homem da alta sociedade parisiense que se provocam, seduzem, se aborrecem e se amam, tudo num diálogo vivo, ligeiro, cintilante. Os atores Françoise David e Jack Gallon são fenomenais, sem eles não reconheceria o brilho desta peça de dimensões e ambição tão modestas. Paris 12.2016 TNO 3,5/5

PORT-ROYAL (1954)

Port Royal é uma grande peça de Montherlant sobre as freiras rebeldes de Port-Royal, que em 1664 recusaram assinar um documento da hierarquia (do Papa) e acabaram por ser dispersadas como forma de as punir e obrigar a obedecer aos superiores. Bem encenada por Céline Bédéneau, o grande trunfo desta produção é  o magnífico conjunto de atrizes, que conseguem defender com grande talento o difícil texto de Montherlant. Paris 03.2017 TNO 4/5

Un Roi, deux dames et un valet (François Porché, 1934)

Um drama doméstico passado em Versailles em 1691. La Maintenon, atual amante de Louis XIV, quer livrar-se de La Montespan, antiga amante do rei e mãe dos seus filhos. Ambas habitam no palácio de Versailles, separadas pelos corredores frios, uma Sibéria, como diz com graça uma das personagens. Um criado do rei e a Maintenon acertam um ardil para afastar a Montespan de Versailles. O confronto entre as duas, em terreno neutro, nos aposentos do criado, à meia-noite, é o centro desta peça surpreendente, muito bem servida pelo trio de atores desta produção. Paris 06.2018 TNO 3,5/5
Mise en scène de Annie Monange
Adaptação de Marie Véronique Raban
Elenco:
Annie Monange 
Christine Melcer 
Patricia Gleville
Philippe Blanchard

Lettres à Nour (Rachid Benzine, 2018)

Uma jovem francesa, filha de um filósofo universitário de fé muçulmana, parte para o Iraque para se juntar aos djhiadistas. Nunca mais verá o pai, com o qual troca cartas que testemunham a evolução da sua situação até ao desenlace trágico. O texto foi escrito e é interpretado por Rachid Benzine. Paris 10.2018 Bouffes du Nord 2/5

Demi-Véronique (2018)

Demi-Véronique (2018) é uma criação coletiva dos seus três intérpretes: Jeanne Candel, Caroline Darchel e Lionel Dray. Inspirando-se na V Sinfonia de Mahler, os três propõem uma série de cenas cómicas (na sua maior parte), num cenário de terra devastada. Paris 11.2018 2/5

LE DINDON (1896)

Le Dindon (Jalil Lespert, 2019)
O clássico de Feydeau (de 1896) não se dá bem na tela. A interpretação exagerada dos atores funciona no palco mas no cinema seria preciso mais subtileza. Um Almodovar faria maravilhas com este textos e atores; Dany Boon, Guillaume Gallienne, Alice Pol, Ahmed Sylla, Laure Calamy. Paris 10.2019 Les Halles 2,5/5

La jeune fille Violaine (Claudel, 1892)

La jeune fille Violaine (Claudel, 1892)
Quando um texto é longo e difícil como esta peça de Claudel, é de admirar ainda mais o trabalho dos atores, que é impressionante. Esta peça anuncia a famosa obra L’Annonce faite à Marie do mesmo Claudel. Um drama familiar que opõe duas irmãs, uma segue o caminho do crime, a outra o caminho do sacrifício conducente à santidade. Um drama religioso pesado que nunca suscitou o meu entusiasmo, apesar da boa qualidade da produção. Paris 03.2017 TNO 2,5/5

L'ÉCHANGE (1914)

L'échange apresenta dois casais que nada têm em comum, um é rico e com grande experiência de vida, o outro é pobre e inocente. Mas o marido deste segundo casal vai aceitar dinheiro do outro homem para este cortejar a sua mulher... Assistimos aos dilemas provocados nas quatro personagens por tal decisão. Peça interessante e inesperada de Claudel (tendo em conta o que conheço e espero do autor). Encenação de Magalie Claustres, com Alicia Roda (Marthe), Magalie Claustres (Lechy), Jean-Pierre Couturier, Paul Nicolas. Paris 10.2019 TNO 3/5

Thérèse Raquin

Thérèse Raquin (Émile Zola) 

Dois intérpretes para contar e encarnar a célebre obra (narrativa) de Émile Zola. 
Sala Théâtre du Nord-Ouest 02.2022

La Demande en mariage & L'Ours (Anton Tchekhov)

Duas comédias em um acto com uma história semelhante: um homem e uma mulher discutem e agridem-se até (quase) à morte, mas acabam nos braços um do outro. Esta veia cómica de farsa é inesperada em Tchekhov, mas as personagens mais desajeitadas e mais frageis antecipam algumas das personagens das suas grandes peças. E há aquelas frases que ecoam outras mais famosas : "Quand on réfléchit, qu'on hésite en attendant de trouver le parfait amour, on ne se marie jamais!". Paris  01.2019 TNO 4/5
L'Ours: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Louka), Rose Raguel (Elena Ivanovna Popova) e Thomas Sans (Grigori Stépanovitch Smirnov)
La Demande en mariage: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Ivan Vassilievitch Lomov), Thomas Sans (Stepan Stepanovitch Tchouboukov), Cynthia Soto (Natalia Stepanovna)

Tatiana Repina (Tchekhov, 1889)

Uma peça muito curta e rara que pouco tem a ver com as grandes peças de maturidade de Tchekhov. Tudo se passa durante a cerimónia de casamento (segundo o ritual ortodoxo) de um jovem casal, que é perturbada pelo aparecimento do fantasma de uma amante do noivo, que se suicidara dias atrás. O noivo fica nervosíssimo e quase estraga a cerimónia. Uma boa produção com todos os acessórios do ritual ortodoxo trazidos certamente de uma igreja. Paris 03.2019 TNO 2/5
Elenco: Tibrizi Amari, Fanny Balesdent, Isabelle Erhart, James Neyraud, Jean-Louis Wuillemin, Roberto Zibetti,  Metteur en scène : Isabelle Erhart 

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle,  mais de l...