Biblioteca Oscar WILDE

OSCAR WILDE (2009)
Autor: Daniel Salvatore Schiffer
Folio Biographie 2009
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Uma boa biografia francesa de Oscar Wilde, escritor britânico de origem irlandesa que amou a França como poucos. Passou aqui os seus últimos anos de vida. Schiffer recorre por vezes à reação mais favorável dos parisienses para sublinhar a posição ingrata do autor na sua pátria, onde não era compreendido pelo público nitidamente mais conservador, que no entanto adoraria mais tarde as suas peças de teatro. A vida de Wilde foi uma tragédia anunciada e Schiffer abusa dessa leitura, chamando a atenção para os muitos factos da juventude de Wilde que iriam ter um papel na sua improvável queda. Entre os escritores Wilde tem um dos destinos mais trágicos: teve uma morte (social) antes de morrer. Foi-lhe retirada a família (mulher e filhos) e quase todos os amigos se afastaram dele. Nunca mais reuperou da série de humilhações que resultaram da condenação do seu amor pelo jovem lord Douglas. Paris 11.2018 4/5

Oscar Wilde (1969)
Autor: Funker
Temas & Debates
BIBLIOTECA P

Carlo Goldoni (Frank Médioni, 2015)

Carlo Goldoni (2015)
Autor: Frank Médioni
Folio Biographie 2015
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Goldoni é um dos grandes nomes da cultura italiana de Setecentos. Nasceu e escreveu grande parte da obra em Veneza, da qual celebrou os costumes e a língua tanto em peças que seguiam a tradição da commedia dell'arte como em comédias revolucionárias que marcam o início do teatro moderno em Itália. Apesar de ser popular e ao mesmo tempo reconhecido pelo público mais exigente (as suas obras completas foram várias vezes publicadas em vida do autor), Goldoni teve uma competição à altura em Veneza sobretudo com Gozzi, mais apegado à commedia dell'arte. Uma das partes mais interessantes desta biografia é a narrativa da oposição entre os dois no campo literário e institucional. Goldoni passou a última parte da sua vida em Paris, vivendo de favores (ou subsídios, diríamos hoje) dos aristocratas e da família real. Escreveu ao longo da vida muitos libretos de ópera e uma grande obra que ainda hoje se lê muito, as suas Memórias. Paris 12.2018 4,5/5

La Locandiera (Goldoni, 1753)

La Locandiera é a peça mais célebre de Goldoni e nunca saiu do repertório dos grandes teatros. Uma estalajadeira diverte-se a seduzir os homens, mantendo o seu desejo aceso, mas não se dando a nenhum, numa afirmação de liberdade pessoal. De certa forma, Mirandolina é uma allumeuse, atitude que serve o seu negócio. A encenação de Alain François para a Comédie Française é muito boa. Permitiu-me ficar a conhecer e a amar esta peça, uma das mais brilhantes comédias que conheço. Paris 11.2018 4/5
La locandiera, Comédie-Française, tradução de Myriam Tanant, encenação de Alain Françon. 
Elenco: Mirandolina (Florence Viala), Marquês de Forlipopoli (Michel Vuillermoz), Conde de Albafiorita (Hervé Pierre), Cavaleiro de Ripafratta (Stéphane Varupenne), Dejanira (Coraly Zahonero), Ortensia (Françoise Gillard), Clotilde de Bayser, Fabrizio (Laurent Stocker), criado do Chevalier (Noam Morgensztern), criado do Conde (Thomas Keller)

Une des dernières soirées de Carnaval (Goldoni, 2019)

Poucas vezes me senti tão entusiasmado com um espetáculo de teatro. Une des dernières soirées de Carnaval, de Goldoni, na mise en scène de Clément Hervieu-Léger, é o trabalho de equipa mais impressionante que vi. Parece que fui convidado para o serão desta família e amigos que se juntam para jantar, jogar, dançar e conviver como se o mundo acabasse no dia seguinte. Mas na verdade para quase todos eles a vida recomeçaria, diferente, depois desta noite. O anfitrião e a filha e os respetivos companheira e companheiro  (confirmados nesse serão) viajariam para a Rússia em breve, assim como Goldoni, dias depois da criação desta peça, partiria para o seu exílio (voluntário) em Paris, onde permaneceria até ao fim da vida. Renovo a paixão que tenho por Goldoni, apesar de pouco conhecer dele. Paris 11.2019 Théâtre des Bouffes du Nord 5/5

Lorenzaccio (Alfred de Musset, 1834)

É inacreditável que num país tradicionalmente tão francófilo como Portugal a grande obra de Alfred de Musset só agora tenha sido criada. Pois é uma obra-prima, com cenas que lembram os melhores momentos de Shakespeare (uma óbvia influência do romântico Musset). Assim, o Teatro do Bolhão e o TNSJ estrearam este mês no Porto este clássico do romantismo francês. É um drama histórico, passado na Florença dos Médicis, sobre as guerras de poder entre os nobres da cidade e sobre os abusos do poder absoluto. Lorenzo é o protagonista tão complexo quanto Hamlet. Cláudio Silva interpreta-o de forma extraordinária. Por que os aplausos no final foram tão contidos? Pelo menos os atores mereciam uma grande ovação. Foi um dos grandes espectáculos teatrais  do ano, talvez o mais importante. Porto 10.2020 Palácio do Bolhão 4,5/5

The Vortex (Noël Coward, 1924)

Fabulosa peça de Noël Coward. Porque será que raramente a vemos nos teatros? O playboy de Florence Lancaster seduz a noiva de Nicky Lancaster: a traição de mãe e filho pelos companheiros do momento leva a um confronto violento entre os dois e à revelação das angústias que os consumiam desde sempre. Elenco notável encabeçado pela grande Margaret Leighton: Richard Warwick, Jennifer Daniel, Alan Melville, Barry Justice, Felicity Gibson, Nancie Jackson, David McKail e Patricia Mort. Melun 2021 TV 4/5

Vamos a contar mentiras (Alfonso Paso, 1961)

Vamos a contar mentiras é uma peça de teatro de Alfonso Paso, estreada em Madrid em 1961 e logo adaptada para português em 1963 por Raul Solnado. A versão que vi é a segunda (acho) filmada em 1985 com Raul Solnado, Maria do Céu Guerra, Alexandre Sousa, Camacho Costa, Vítor Norte, Maria Teresa Faria e Silva e Armando Cortez. 
Uma mulher não para de contar mentiras ao marido para tornar a sua vida mais interessante, mas um dia um homem assalta-lhe a casa e a verdade não vai convencer o marido... Divertimento garantido com estes grandes atores que marcaram uma época.
Em 1963 o elenco era o seguinte: Raul Solnado, Florbela Queirós, Armando Cortez, Santos Carvalho, Lynne Motta, Nicolau Breyner, Lurdes Cabral, José Alberto e Isabel Ferreira. Em 2011 Octávio de Matos, Igor Sampaio e Isabel Damatta, encenação de Isabel Damatta.
Uma comédia que resiste ao tempo. Melun 02.2021 TV 4/5

Três em Lua de Mel (1988)

Comédia de enganos de Ribeirinho e Henrique Santana, realizada para a televisão por Victor Manuel e produzida pela Atlântida Estúdios. Com Morais e Castro, Henriqueta Maya, Carlos Areia, Carlos Quintas, Linda Silva, Dulce Guimarães, Rui Luís e Alda Pinto. Este espetáculo foi gravado ao vivo no Teatro Gil Vicente, em Cascais. No dia em que Madalena se casa pela segunda vez aparece-lhe o primeiro marido, dado há muitos anos como defunto. Ela vai ter que dar satisfações a ambos. Melun 02.2021 TV 3/5

Le Mariage (Jean-Luc Jeener, 2015)

Jean-Luc Jeener
Jean-Luc Jeener é dramaturgo, encenador, ator e crítico de teatro no Figaro. Em 1997 fundou com alguns atores amigos o Théâtre du Nord-Ouest (Paris), que propõe regularmente integrais de grandes dramaturgos. Não tenho conhecimento de uma iniciativa semelhante no campo do teatro. Há dias vi uma peça sua sobre o casamento homossexual. Uma jovem investigadora em psicologia vai pedir a mão da sua companheira em casamento à casa do futuro sogro. Mas este revela-se um "osso" homofóbico bem duro de roer... Uma peça de tese ou de exposição dos argumentos correntes a favor e contra o casamento homossexual. Os três atores (Jeener é o pai) são perfeitos. Boa mise en scène de Pascal Guignard Cordelier. Paris 06/2015 TNO

O Jardim das Cerejas (1987)


Tive a oportunidade de ver a encenação de João Lourenço de O Jardim das Cerejas pelo Novo Grupo em 1987. Penso que ainda tenho o programa dessa produção. Não tinha chegado há muito a Lisboa e este foi um dos primeiros grandes momentos de teatro que lá vi. Inesquecíveis foram as interpretações de Carmen Dolores e Irene Cruz. Lisboa 1987 Teatro Aberto 5/5

La cerisaie (Tchekhov)

No Théâtre du Nord-Ouest vi a peça La cerisaie de Tchekhov, inesquecível como todas as que conheço do autor. Ver uma peça de Tchekhov é ver a humanidade de qualquer tempo e lugar no que ela tem de pior e sobretudo no que ela tem de melhor. É o meu dramaturgo preferido desde há muitos anos. Apesar de todas as referências à Rússia da viragem do século, e da omnipresença da melancolia russa, não conheço outras peças que falem tão bem e profundamente da vida de hoje, das pessoas que vivem hoje connosco, como as peças de Tchekhov. Paris 12.2013 TNO 5/5

RICHARD III (Shakespeare, c. 1592)

Richard III é uma das primeiras e mais extensas peças de Shakespeare, escrita por volta de 1592. É uma tragédia política sobre a ambição desmesurada de um rei, que acedeu ao poder à custa de assassinatos de alguns dos seus familiares. A produção do Théâtre do Nord-Ouest não consegue evitar momentos pesados devidos ao estilo caudaloso do teatro shakespeareano, apesar do esforço dos intérpretes. Quando assistia ao espetáculo, apercebi-me de que raramente assisti a uma encenação arrebatadora de Shakespeare (lembro-me do Otelo de Nekrosius) mas quase sempre me entusiasmo pelas produções baseadas em Tchekhov, por exemplo. Para mim, Shakespeare é antes de mais um poeta, que ganha muito em ser lido; a encenação das suas peças não permite usufruir de forma cabal a sua poética. Ao contrário de muitos dramaturgos, o teatro de Shakespeare não depende da cena para afirmar a sua grandeza. Paris 04.2015 Théâtre du Nord Ouest 3/5

L' Alouette (Anouilh, 1953)

Cartaz de Jean-Denis Malclès (1953). Collections A.R.T.
Jean Anouilh é um dos grandes dramaturgos franceses, mas só agora consegui ver uma das suas peças. Por sinal, uma das suas obras mais célebres (mais de 600 representações na estreia), criada no Théâtre Montparnasse em 1953 e desde então regularmente representada em França e no estrangeiro. L'Alouette é uma peça sobre Jeanne D'Arc que, perante os juízes do tribunal que a vai condenar, revive os momentos marcantes da sua vida. O texto é poderoso, acentuando os elementos políticos e de género próprios da história da heroína. A produção do Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Geneviève Brunet e Odile Mallet, é excelente, com muito bons intérpretes, como a Jeanne de Marta Corton Viñals. Paris 06.2015 TNO 4/5

Ivanov (Tchékhov, 1887)

Ivanov é uma das primeiras peças de Tchekhov e teve duas versões (1887 e 1889). Luc Bondy optou pela primeira versão e assinou um excelente espetáculo. A peça é mais violenta e negra do que as obras posteriores e mais célebres do dramaturgo russo, faltando-lhe a poesia e a uma certa leveza que caracteriza estas. Mesmo assim, é uma excelente peça, e tem como protagonista um jovem homem que se isola socialmente, envelhece e despede-se da vida precocemente. Paris 10.2015 Théâtre de l'Odéon 4/5

Il ne faut jurer de rien (Musset, 1836)

Alfred de Musset é um dramaturgo estudado nas escolas francesas e um dos mais representados na Comédie-Française, logo a seguir a pesos-pesados como Molière. Vendo ontem a peça "Il ne faut jurer de rien" (1836), pensei em toda uma tradição francesa que vai de Marivaux a Rohmer, por exemplo, pela leveza e ao mesmo tempo seriedade com que abordam o tema do amor, os jogos do amor e da sedução. Um jovem vive à custa da fortuna do tio e recusa casar-se e deixar essa vida de solteiro. Ele aposta com o tio em como a moça que o tio lhe propõe como noiva vai deixar-se seduzir por ele em menos de oito dias, o que provará que uma vez casada ela vai traí-lo em pouco tempo. Esta peça pertence ao género "proverbe dramatique", pois desenvolve o provérbio «Il ne faut jamais être trop sûr de soi et du lendemain». A produção que vi do Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Monique Beau-Frére, é brilhante. Não senti o tempo passar e a peça não parece ter os quase 200 anos que efetivamente tem. Voltaria a vê-la com prazer. Paris 12.2015 TNO 4/5

Petit Eyolf (Ibsen, 1894)

Peça a peça, Ibsen torna-se num dos meus dramaturgos preferidos, a par de Tchekhov ou Tennessee Williams. Petit Eyolf (1894) é um drama breve, com uma hora de duração, mas parece ter a densidade de uma grande peça de Shakespeare. Um drama familiar com uma criança doente no centro, pais atormentados não só com o filho mas com o que resta do amor do casal, um pai que projeta mudar radicalmente a sua conduta, uma mãe e esposa que revela ou sugere sentimentos e desejo nada maternais e mesmo destrutivos (as personagens femininas de Ibsen são sempre um assombro). Está de parabéns a equipa que pôs de pé esta produção do Théâtre du Nord-Ouest, com encenação de Jean-Luc Jeener, que me fez amar ainda mais Ibsen. Paris 04.2018 TNO 4/5
Elenco
Benoît Rivillon (Alfred Allmers)
Laurence Hétier (Rita Allmers) 
Ezechiel Detomasi (Eyolf) 
Fanny Sutterlin (Asta Allmers)
Pierre Bes de Berc (Borgheim)
Syla de Rawsky (a mulher dos ratos)

Platonov (Tchekhov, 1881)

Platonov é uma peça monumental (a representação a que assisti durou mais de 5 horas) do início da carreira de Tchekhov como dramaturgo, muito antes das obras-primas que escreveu nos seus últimos anos de vida. Mas é uma obra poderosa que revela aqui e ali o génio do dramaturgo russo. Platonov é o Don Juan russo, que atrai as mulheres como um íman, tanto as solteiras como as dos outros, e as descarta logo a seguir, desfazendo corações e casais. Só a morte põe um fim a tal comportamento desregrado e destruidor. Apesar de se referenciar a um mito ocidental (espanhol), a peça é russa até à medula. O encenador e os atores merecem um enorme aplauso pelo trabalho feito. Paris 11.2019 Théâtre du Nord-Ouest 5/5
Metteur en scène: Patrice Le Cadre, atores: Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoît, Sarah Bertholon, Florence Bigot, Didier Bizet, Anatole de Bodinat, Florence Cabaret, Gerard Darman, Joseph Dekkers, Rui Ferreira, Antoine Houdard, David Mallet, Nenad Miloslavjevic, Lilit Simonian, Dimitri Stampfer, Benoît Szakow

Retrato Inacabado (1984)

Retrato Inacabado (1984)
Memórias de Carmen Dolores
O Jornal 1ª edição 1984
BIBLIOTECA

Anne Marie la Beauté (Yasmine Reza, 2020)

 
Basta um ator e uma história de vida para termos um grande momento de teatro, como este que concebeu Yasmine Reza (Anne Marie la Beauté, criada em 2020). Paris 05.2022 Gambetta 4/5


O Duelo (Heinrich von Kleist, 1811)

 

O Duelo (Heinrich von Kleist, 1811) 
Kleist 2021 O Duelo (1811, novela), tradução e dramaturgia Maria Filomena Molder, direção cénica Carlos Pimenta, com Miguel Loureiro, coprodução Centro Cultural de Belém & Teatro Nacional São João, 06.2022
Teatro Carlos Alberto, 07.07.2021

AS TROIANAS (1996)

AS TROIANAS

Peça de Eurípedes, revisitada por Sartre

Lisboa: TNDMII - Sala Garrett, fevereiro de 1996

TRÊS MULHERES ALTAS (1996)

TRÊS MULHERES ALTAS

Peça de Edward Albee

Lisboa: Teatro Municipal S. Luiz, abril de 1996

ANTÓNIO, UM RAPAZ DE LISBOA (1995)

ANTÓNIO, UM RAPAZ DE LISBOA
Peça de Jorge Silva Melo
Lisboa: Teatro Tivoli 1996
BIBLIOTECA

THE BOYS IN THE BAND (Mart Crowley, 1968)

 
THE BOYS IN THE BAND (Joe Mantello, 2020)
The Boys in the Band é originalmente uma peça de teatro de Mart Crowley estreada em 1968 na Off Broadway. A peça faz o ponto da situação dos gays na época, dos gays mais ou menos assumidos e das relações difíceis com os heteros. Tudo se passa num penthouse onde um jovem gay recebe os amigos para uma festa de aniversário, mas recebe também inesperadamente um ex-colega de universidade claramente homofóbico. Crowley, o autor da peça, também escreveu o argumento que foi filmado em 1970 por William Friedkin e este ano por Joe Mantello. Ambos os filmes mantêm o elenco que tinha levado ao palco o texto de Crowley em 1968 e em 2018. Os atores do revival e do filme de 2020 são Jim Parsons, Zachary Quinto, Matt Bomer, Andrew Rannells, Charlie Carver, Robin de Jesús, Brian Hutchison, Michael Benjamin Washington e Tuc Watkins. VC 2020 Netflix 3/5

The Boys in the Band (1970)
Peça de Mart Crowley
Filme de William Friedkin
Paris 04.2024 Cinémathèque 3/5

 

Courteline (Emmanuel Haymann, 1990)

 
COURTELINE (1990)

Não foi das biografias de que mais gostei de ler. É difícil hoje entender a importância de Courteline no seu tempo. Foi um grande escritor cómico, mas de formas breves que chegam dificilmente até nós, muitas vezes restritas à imprensa e publicadas em livro posteriormente. Como um grande cómico de televisão e de teatro: como será conhecido no futuro, quando os seus contemporâneos desaparecerem todos? Courteline era filho de um grande autor de operetas, íntimo de Offenbach. O filho seguiu-lhe as pisadas mas fez se menos discreto do que o pai. Para mim, Courteline junta-se a Labiche e a Feydeau entre os grandes autores da comédia da Belle Époque. VC 12.2020 3/5

Feydeau (1991)

 
FEYDEAU (1991)
Autor: Henry Gidel
Flammarion 1991
Grandes Biographies
BIBLIOTECA

Feydeau é um dos ícones da Belle Epoque parisiense. Na viragem do século XIX para o século XX as suas peças, vaudevilles e comédias, entusiasmavam o público e a crítica e começavam a ser representadas no estrangeiro e também a ser reprisadas pelos teatros franceses. As suas peças imortalizaram figuras da época, como as cocottes, as mulheres de vida fácil que dominavam a vida social de Paris, ou os ricos, de dinheiro novo ou velho, que caíam nas suas garras. O início do livro é muito interessante porque me deu a conhecer o pai do dramaturgo, Jacques Feydeau, que foi amigo de Flaubert, Théophile Gautier ou Dumas Fils e foi um romancista de grande sucesso mas hoje esquecido. Georges Feydeau, o filho, tornou-se evidentemente muito mais conhecido do que o pai (é o autor cómico francês mais genial depois de Molière). Feydeau foi também um dos grandes colecionadores de arte da sua época, tendo adquirido inúmeros quadros dos impressionistas. Mas foi perdendo quase tudo para pagar as dívidas que ele e a mulher acumulavam com luxos de vária ordem. Feydeau nunca saía de Paris e levava uma vida social invejável (para mim): nunca jantava em casa e mas passava todo o tempo nos bares, sobretudo no Maxim's, a sua segunda casa, e só recolhia aos nascer do sol. Foi amigo de grandes nomes do teatro como Lucien e Sacha Guitry, tendo este último começado a carreira (de ator e autor de comédias) quando Feydeau terminava a sua. Henri Gidel, o autor desta biografia, é um grande especialista de Feydeau, tendo publicado as suas obras completas e escrito várias obras sobre a vida e obra do dramaturgo. Leituras 2018 Vila do Conde, Natal de 2018: 3,5/5

LE TARTUFFE (1664)

O ESPETÁCULO (Comédie-Française, 2023)
 
Le Tartuffe ou l'Hypocrite (1664)
ENCENAÇÃO: Ivo van Hove INTÉRPRETES: Denis Podalydès (Orgon), Marina Hands (Elmire), Dominique Blanc (Dorine la servante), Christophe Montenez (Tartuffe) VISTO: 03.2023

O ESPETÁCULO (TNO, 2016)
O Tartuffe mereceu uma acertada encenação de Pascal Guignard Cordelier para o Théâtre du Nord-Ouest. Em relação à recente produção da Comédie-Française, a encenação de Cordelier impõe um ritmo bem mais brando, pareceu-me. E o trabalho dos atores não é histérico como o dos comédiens-français. De resto há boas ideias de interpretação e de encenação nas duas produções. Paris 06.2016 3/5

O ESPETÁCULO (Comédie-Française, 2016)
TARTUFFE
A Comédie-Française repõe uma produção de Tartuffe de 2014 encenada por Galin Stoev. Uma boa produção da peça mais representada pela Comédie-Française: 3100 representações. Mas gostei mais do Misantropo que vi recentemente no Porto, talvez por ser em português, porque tenho dificuldade em acompanhar em francês o teatro em verso do século XVIII. O teatro romântico francês é muito mais fácil de acompanhar no original, por exemplo. O Tartuffe de Stoev não é muito inovador, pelo menos superficialmente, pois não conheco bem esta célebre peça sobre um beato charlatão que se apodera dos bens de um burguês conquistando a confiança absoluta deste e da mãe deste. Quando o charlatão é desmascarado já é tarde, pois a propriedade da vítima já está nas suas mãos. No final tudo volta à ordem com a intervenção direta do monarca, o justo, que manda prender Tartuffe. Paris 05.2016 Comédie-Française 3/5

Don Juan (Odéon, 2024)

 

Peça de Molière
Paris 2024 Odéon 2.5/5

Une mise en scène d'enfer pour Dom Juan

Anthony Palou, LE FIGARO, 26.04.2024

Il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe. À l'Odéon, Macha Makeïeff électrise l'œuvre de Molière. Un spectacle beau et maîtrisé.  

Lorsque apparaît Dom Juan, le parc aux biches n'est pas encore fermé. Le libertin sort de son alcôve, visage fatigué, plâtré. Vêtu de noir, Xavier Gallais, l'interprète de « l'épouseur du genre humain », tout échevelé, a gardé quelque chose de son professeur Daniel Mesguich. Peut-être son profil et ce regard de rapace. Peu avant, précédée d'un drôle de ballet de portes qui s'ouvrent et se ferment sur une musique pop rock, nous avons assisté à la célèbre scène d'ouverture de la pièce, celle du tabac. Le ton était donné : nous avons compris que Sganarelle, joué par l'éblouissant Vincent Winterhalter, allait sans fausses notes mener ce ballet orchestré par Macha Makeïeff, qui signe ici une de ses meilleures partitions. Sa mise en scène étincelante oscille entre la farce provinciale et la tragédie métaphysique.

Odeur de fin de partie

Dans un décor qui ne serait pas du siècle d'or mais celui de Laclos et du divin marquis, tout en clair-obscur, le drame se joue dans un mobilier bohème où les bruissements d'étoffes froissées, les tintements de verres et les quelques notes de clavecin donnent aux spectateurs le sentiment que le corps moite de Dom Juan ne va tarder à rendre l'âme. Une odeur de fin de partie semble ici s'échapper d'un soupirail. Deux scènes resteront dans la mémoire des spectateurs. Celle, hilarante, de Charlotte (Xaverine Lefebvre) et de Pierrot (Joaquim Fossi), et celle où Sganarelle mime le combat que mène son maître cavaleur en coulisse contre trois voleurs qui s'en sont pris à un pauvre bougre (qui n'est autre que Dom Carlos, un des frères d'Elvire).  Bien sûr, Dom Juan prendra, sous #MeToo, quelques résonances particulières. Mais qu'importe le message, il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe 

Ah, Elvire !

Une des nombreuses victimes du scélérat. Elle est interprétée par Irina Solano, sincère, touchante, volontaire et droite dans sa robe jaune cocu. Joaquim Fossi et Anthony Moudir ont revêtu les costumes naïfs de ses deux frères benêts. Impayables, ils nous feraient penser à Robert Dhéry dans Le Petit Baigneur. Si Xaverine Lefebvre excelle dans le rôle de Charlotte la paysanne, elle donne le vertige dans celui d'une longue et mince libertine et impressionne dans le costume blanc du Commandeur. Quel spectre glaçant !  Quant à Dom Louis, le père de notre jouisseur athée, le voici sous les traits de Pascal Ternisien. La scène entre le père et le fils achève le portrait de ce dernier soudain petit garçon, pauvre créature à deux pattes qui n'a pas réussi à se libérer des désirs du moi. Oserait-on avancer que Macha Makeïeff a réussi à percer le blindage du crâne de Dom Juan ? Peut-être celui de son corps qui, à la fin, se retrouve comme vitrifié après avoir bu à la coupe du Commandeur. Bien sûr, Dom Juan prendra, sous #MeToo, quelques résonances particulières. Mais qu'importe le message, il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe.

Odéon-Théâtre de l'Europe, avril-mai 2024

Gas Light (Patrick Hamilton, 1938)

Gaslight (George Cukor, 1944)
REALIZADOR: George Cukor ARGUMENTO: John Van Druten Walter Reisch, John L. Balderston, basedo na peça Gas Light (Patrick Hamilton, 1938)  PRODUTOR: Arthur Hornblow Jr. (Metro-Goldwyn-Mayer) ELENCO: Charles Boyer, Ingrid Bergman, Joseph Cotten, May Whitty, Angela Lansbury FOTO: Joseph Ruttenberg MÚSICA: Bronisław Kaper PALMARÉS: Ingrid Bergman recebeu o Oscar, o Golden Globe e NBR. Nos Oscars foi nomeado para melhor filme, melhor argumento, melhor ator (Charles Boyer) e atriz secundária (Angela Landsbury).
ESTREIA: 4.05.1944 (EUA) 26.03.1946 MEIA LUZ (Portugal)   REVISTO: Paris 6.10.2024 Cinémathèque 

Les Méfaits du Tabac (Tchekhov, 1902)

Les Méfaits du Tabac é um texto curto de teatro que foi rejeitado por Tchekhov no balanço final das suas obras. O título refere-se ao assunto de uma palestra que o protagonista deve apresentar, mas na verdade acaba por falar mais na mulher dele. Charles Gonzales é o encenador e ator desta produção, enriquecida com textos de Sarah Kane e Thomas Bernhard. Paris 04.2019 Théâtre du Nord-Ouest 3,5/5

4.48 Psychosis (Sarah Kane, 2000)

 

Fui ver a última representação deste bom espetáculo encenado (e interpretado) por Magalie Claustres, no papel de uma jovem mulher que anuncia a sua morte e ajusta conta contas com a vida. Com Claustres e Paul Nicolas. Paris 01.2022 TNO 3,5/5

Un ennemi du peuple (Henrik Ibsen, 1883)

 
Adorei rever esta obra-prima (En folkefiende, 1882) do teatro universal, que descobrira no ano passado, numa produção muito mais modesta do que a atual produção do Odéon Théâtre de l'Europe. Mas estas duas produções, uma rica outra pobre, revelaram cada uma à sua maneira o génio de Ibsen. Depois de Shakespeare poucos dramaturgos conseguiram falar de forma tão ousada, inteligente e frontal sobre o poder e sobre a solidão dos grandes homens como Ibsen... O doutor Tomas Stockmann descobre que a água que cria a riqueza da sua cidade (que vive do turismo balnear) está contaminada. A verdade que ele insiste em divulgar vai fazer dele o inimigo número um do povo... Brilhante. Paris 06.2019 4/5 

Odéon Théâtre de l'Europe, encenação de Jean-François Sivadier, com Nicolas Bouchaud (Doutor Thomas Stockmann), Agnès Sourdillon (Katherine Stockmann), Jeanne Lepers (Petra), Vincent Guédon (Peter Stockmann), Cyril Bothorel (Morten Kiil), Sharif Andoura (Hovstad, editor de jornal), Cyprien Colombo (Billing, sub-editor de jornal), Captain Horster, Stephen Butel (Aslaksen)

Espectros (TNDM, 2022)

 
Espectros é uma produção do Teatro Nacional São João, estreada em 2021, mas vi-o na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em maio de 2022. É uma excelente produção do clássico de Ibsen e tem encenação de Nuno Cardoso. É a história da destruição da família Alving, família da alta sociedade local mas cheia de problemas domésticos, passados e presentes. Lisboa 05.2022 TDN II 4/5

Programas e Folhas de TEATRO

 
MONÓCULO, de Stéphane G. Rousselet, Teatro Aberto, setembro de 2024
BOOM!, de T. Williams, TNSJ maio de 2022, textos de Renata Portas e Miguel Graça, folha
ESPECTROS, de Ibsen, TNSJ maio de 2022, livro
OS IRMÃOS KARAMÁZOV, de Dostoiévski, TNSJ abril de 2022 texto de Jean Genet, folha 4 p.
MARÁIA QUÉRI, TNDMII fevereiro de 2022
O BALCÃO, de Jean Genet, Manual de Leitura, TNSJ janeiro de 2022, textos de vários autores, c. 100p
A FORÇA DO HÁBITO, de Thomas Bernhard, Teatro das Beiras novembro de 2021, folha 6 p.
COMEÇAR, de David Eldridge, Teatro Aberto, outubro de 2021
O DUELO, de Kleist, TNSJ julho de 2021
MACBETH, de Shakespeare, Manual de Leitura, TNSJ fevereiro de 2018, textos de vários autores, c. 100p
O MEU JANTAR COM O ANDRÉ, TNSJ julho de 2016
REI LEAR, de Shakespeare, TNSJ julho de 2016
POCILGA, de Pasolini, TNSJ julho de 2015
HÁ MUITAS RAZÕES...BONITA, de Neil Labute, Teatro Aberto, dezembro de 2012
O NOVO MENOZA, de Jacob Lenz, PO.N.T.I novembro de 2001
A SERPENTE, de Nelson Rodrigues, Teatro do Pequeno Gesto

Folle Amanda (Barillet e Grédy, 1971)

 
Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy é uma dupla famosa de autores de teatro com enorme êxito não apenas em França, mas igualmente noutros países (Hollywood já adaptou várias vezes as peças deles). Felizmente, Folle Amanda tem algumas das suas produções filmadas para televisão e editadas em DVD. Foi através deste que pude agora ver a primeira difusão da peça na televisão francesa, em 1974, com Jacqueline Maillan (Amanda) e Daniel Ceccaldi (Philippe Morhange) nos principais papéis. Mas eu já conhecia o universo de Barillet e Grédy do filme Potiche, de François Ozon, que adapta uma das peças da dupla. Amande é uma artista do music-hall há muitos anos inativa, retirada no seu apartamento onde toda a ação se passa. Ela vive com grandes dificuldades financeiras, recebendo uma pensão do ex-marido, que agora é ministro e se aproxima dela com intenções ambíguas (quer impedi-la de publicar as memórias dela). Amande tem uma atitude descontraída perante a vida mas também amarga e irónica. Um teatro burguês de entrenimento garantido. VC 02.2018 DVDTECA 4/5

Potiche (Barillet e Grédy, 1980)

 
Uma mulher apercebe-se um dia de que não é mais do que um bibelot para a família, para os filhos e sobretudo para o marido, que mal lhe dá atenção. Mas quando o marido fica doente na sequência de uma greve na sua fábrica de guarda-chuvas, é a mulher que assume a direção do negócio. O papel principal foi escrito para a atriz Jacqueline Maillan, que já tinha protagonizado Folle Amanda dos mesmos autores Barillet et Grédy. Ela é excelente, mas prefiro ver Catherine Deneuve no mesmo papel no filme Potiche de François Ozon. Na verdade, prefiro o filme, 40 minutos mais curto do que a peça nesta produção filmada em 1983. VC 03.2018 DVDTECA 3/5

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle,  mais de l...