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MEDEIA

Médée (TNO, 2016)
A Medeia de Eurípides tem uma longa história de adaptações. A que vi ontem é da autoria de Jean-Dominique Hamel e pareceu-me estar bem próxima da original. A encenação de Nathalie Hamel é apenas mediana e os atores nem sempre são os melhores para os papéis, mas a história trágica de Medeia, traída, vingadora e vingada, é narrada de forma límpida e é geralmente isso que eu mais aprecio quando vejo uma peça clássica. Paris 11.2016 TNO 3/5

La Découverte du monde (TNO, 2016)

La Découverte du monde é um convite à descoberta da palavra de Clarisse Lispector e, por esse meio, à descoberta do mundo. Duas atrizes brasileiras (Monique de Boutteville e Viviana Coletty), com humor apresentam alguns textos de Clarisse, incluindo entrevistas, crónicas e contos. Mas reconheço que esperava mais desta "peça" encenada por Jean Beppe. Paris 11.2016 TNO 2/5

24 h de la vie d'une femme (Stefan Zweig)

24 h de la vie d'une femme é uma peça de teatro que adapta o breve e famoso romance de Stefan Zweig. Uma mulher tenta ajudar um jovem jogador de casino, que se arruina ao jogo numa noite. Entre eles nasce uma relação de amor que tem a paixão do homem pelo jogo o seu principal obstáculo. Esperava mais desta peça, apenas gostei na verdade dos três atores. Paris 02.2017 TNO 2/5

Le Dibbouk (Shalom Anski, 1917)

Le Dibbouk ou entre deux mondes é considerada a obra-prima do teatro escrito em yiddish. Conta a história de uma noiva que é possuída pelo espírito do rapaz que amava e que morreu quando ela foi prometida a outro. A Igreja, através de um exorcismo, vai tentar salvar a vida da jovem... Uma peça interessante mas pouco mais do que isso. Paris 03.2017 TNO 3/5

COLOMBE (1951)

Colombe é uma peça brilhante de Jean Anouilh, que descende das comédias de boulevard de Feydeau e outros. Vi a produção da Comédie des Ternes que é simplesmente excelente. Duas horas e vinte minutos de puro divertimento, sem um momento apagado. Há atores melhores do que outros, é certo, por vezes falta subtileza no jogo de certos atores, mas nada que impeça o brilho de toda a produção. Passou a ser uma das minhas peças de teatro preferidas. A história? Colombe, uma jovem tímida, casada com um homem que vive mal com todos inclusive com a sua família, é recebida por uns tempos pela sogra que é uma célebre atriz de teatro. Colombe transforma-se completamente. Torna-se atriz e liberta-se do mundo pudico e asfixiante que o marido lhe impunha. Paris 01.2017 TNO 4,5/5

Les Boulingrin et autres pièces (Georges Courteline)

Les Boulingrin et autres pièces de Georges Courteline. Uma sessão de teatro de Courteline: 4 breves peças, das quais apenas uma me agradou. Les Boulingrin é uma peça deliciosa de humor sobre um casal que vive a 100 à hora e ai daquele que estiver por perto, como o pobre hóspede que esperava um pouco de conforto na casa dos seus novos amigos. A encenação de Geoffrey Lopez e a interpretação estão à altura da alta velocidade que o casal B. imprime à sua vida. Paris 03.2016 TNO 3/5

La Mort d'Agrippine (Cyrano de Bergerac, 1653)

É a primeira vez que assisto a uma peça de Cyrano de Bergerac. A coisa não correu muito bem. O texto de La Mort d'Agrippine (1653), todo em verso, é difícil como o caraças. E a encenação não ajuda o suficiente a clarificar pelo menos a ação. Os atores é que merecem o maior aplauso. Paris 04.2016 TNO 2/5

PORT-ROYAL (1954)

Port Royal é uma grande peça de Montherlant sobre as freiras rebeldes de Port-Royal, que em 1664 recusaram assinar um documento da hierarquia (do Papa) e acabaram por ser dispersadas como forma de as punir e obrigar a obedecer aos superiores. Bem encenada por Céline Bédéneau, o grande trunfo desta produção é  o magnífico conjunto de atrizes, que conseguem defender com grande talento o difícil texto de Montherlant. Paris 03.2017 TNO 4/5

Un Roi, deux dames et un valet (François Porché, 1934)

Um drama doméstico passado em Versailles em 1691. La Maintenon, atual amante de Louis XIV, quer livrar-se de La Montespan, antiga amante do rei e mãe dos seus filhos. Ambas habitam no palácio de Versailles, separadas pelos corredores frios, uma Sibéria, como diz com graça uma das personagens. Um criado do rei e a Maintenon acertam um ardil para afastar a Montespan de Versailles. O confronto entre as duas, em terreno neutro, nos aposentos do criado, à meia-noite, é o centro desta peça surpreendente, muito bem servida pelo trio de atores desta produção. Paris 06.2018 TNO 3,5/5
Mise en scène de Annie Monange
Adaptação de Marie Véronique Raban
Elenco:
Annie Monange 
Christine Melcer 
Patricia Gleville
Philippe Blanchard

Thérèse Raquin

Thérèse Raquin (Émile Zola) 

Dois intérpretes para contar e encarnar a célebre obra (narrativa) de Émile Zola. 
Sala Théâtre du Nord-Ouest 02.2022

La Demande en mariage & L'Ours (Anton Tchekhov)

Duas comédias em um acto com uma história semelhante: um homem e uma mulher discutem e agridem-se até (quase) à morte, mas acabam nos braços um do outro. Esta veia cómica de farsa é inesperada em Tchekhov, mas as personagens mais desajeitadas e mais frageis antecipam algumas das personagens das suas grandes peças. E há aquelas frases que ecoam outras mais famosas : "Quand on réfléchit, qu'on hésite en attendant de trouver le parfait amour, on ne se marie jamais!". Paris  01.2019 TNO 4/5
L'Ours: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Louka), Rose Raguel (Elena Ivanovna Popova) e Thomas Sans (Grigori Stépanovitch Smirnov)
La Demande en mariage: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Ivan Vassilievitch Lomov), Thomas Sans (Stepan Stepanovitch Tchouboukov), Cynthia Soto (Natalia Stepanovna)

Tatiana Repina (Tchekhov, 1889)

Uma peça muito curta e rara que pouco tem a ver com as grandes peças de maturidade de Tchekhov. Tudo se passa durante a cerimónia de casamento (segundo o ritual ortodoxo) de um jovem casal, que é perturbada pelo aparecimento do fantasma de uma amante do noivo, que se suicidara dias atrás. O noivo fica nervosíssimo e quase estraga a cerimónia. Uma boa produção com todos os acessórios do ritual ortodoxo trazidos certamente de uma igreja. Paris 03.2019 TNO 2/5
Elenco: Tibrizi Amari, Fanny Balesdent, Isabelle Erhart, James Neyraud, Jean-Louis Wuillemin, Roberto Zibetti,  Metteur en scène : Isabelle Erhart 

Tragédien malgré lui & Un Jubilé (Tchekhov)

Um espetáculo com duas breves peças de um ato. Duas peças cómicas encenadas por Alain Bonneval. Esta comicidade tão invasora era-me desconhecida no teatro de Tchekhov. Um cómico que lembra Gogol. Na primeira peça, um homem insiste em matar-se porque é explorado por todos... O humor como bom aliado da crítica social. Paris 04.2019 TNO 4/5

Une nature énigmatique (Tchekhov, 2019)

Une nature énigmatique é um espetáculo que apresenta bem o universo de Tchekhov. Odile Mallet & Geneviève Brunet adaptam para teatro três contos do autor russo e entrelaçam as histórias. Com Geneviève Brunet, Vincent Gauthier, Odile Mallet, Catherine de Précourt, Pierre Sourdive. Paris 06.2019 TNO 3/5

Sur la Grande Route (Tchekhov, 1885)

A peça Sur la Grande Route foi escrita em 1885 mas só foi publicada e representada depois da morte do autor. A censura do Estado russo não viu com bons olhos o mundo miserável, sórdido, e negro que a peça apresenta. Uma noite numa taberna onde se refugiam os mais pobres da sociedade, com frio e fome, e dependentes de vodka. Entre eles um ex-aristocrata rico que perdeu a fortuna por traição da mulher. O discurso misógino aparece de quando em vez na peça e a violência e as constantes disputas nascem da frustração de cada um. Uma peça rara de Tchekhov e a menos interessante que vi até hoje. Paris 03.2019 TNO 3/5
Théâtre du Nord-Ouest em 2019, encenação de Virginie Lisb, com Olivier Bonnin, Cochise Chevallereau, Stéphane Dolbakian, Arthur Fournis, Isabelle Gasquet, Frédéric Morel, Alexandre de Pardailhan, Gosia Wnek, Noé N'Sémi. 

OS PERSAS


Vi este mês Os Persas, de Ésquilo (adaptado por Jean-Dominique Hamel), encenado por Nathalie Hamel, no Théâtre du Nord Ouest. Gosto muito do teatro grego (antigo) e esta encenação fez bem em valorizar o texto, acima de tudo o resto.
Os Persas foram aniquilados pelos Gregos, e Xerxes chega desfeito à sua pátria. A peça é um longo trabalho de luto. Podia ter só um coro que já seria uma boa opção de encenação. As várias personagens, em coro ou individualmente, lamentam a sorte dos Persas, em momentos de intenso lirismo. Belíssimo texto. Paris 11.2013 TNO 3/5

La Voix humaine (1930)

La Voix humaine (1930) é uma famosa peça de Jean Cocteau, que teve adaptações célebres para o cinema e para a ópera. 
Roberto Rossellini adaptou-a com o título "Una Voce Humana", com a grande Anna Magnani, que protagonizou também a curta-metragem "Il miracolo". Estes dois filmes foram estreados e são apresentados em conjunto com o título L'Amore (1948).
O ópera La voix humaine (1958) é de Francis Poulenc e foi criada no ano seguinte na Opéra-Comique em Paris, com Denise Duval na protagonista e Georges Prête como maestro.
Vi a boa produção do Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Bernard Sinclair, com Elieser Mellul, um ator a interpretar a personagem criada para uma mulher. Paris 2013 Théâtre du Nord-Ouest 3/5

Anna Magnani (Uma voce umana, 1948)

L'Amore (1948)
Cinemateque Francesa (2008) e TV
8/10
Denise Duval

BÉRÉNICE (1670)

Li que Bérénice ficou mais de dois séculos na sombra, mas hoje é uma das peças mais populares de Racine. A sessão a que assisti estava cheia de adolescentes, que têm de estudar esta obra na escola. Esta tragédia baseia-se em acontecimentos da antiga Roma, nos amores de Titus e Bérénice. Titus, o novo imperador, rejeita Bérénice para não contrariar a opinião do povo de Roma. Os atores principais estiveram muito bem, mas a encenação não me agradou. Também o enredo não esteve a meu ver à altura de Britannicus, que foi a peça de Racine de que mais gostei até agora. Paris 03.2015 Théâtre du Nord Ouest 3,5/5

Une noce (Tchékhov, 1890)

Une Noce é uma farsa em um acto de Tchekhov sobre uma festa de casamento onde tudo corre mal. Os pais de uma jovem recebem os convidados que pouco a pouco descobrem os pormenores monetários do casamento: a jovem contribui com um dote significativo enquanto o noivo manifesta o interesse, acima de qualquer outro, em receber esse dote. O clima da festa azeda-se com as sucessivas revelações. Mais uma peça que me permite conhecer um Tchekhov desconhecido para mim, realista e ao mesmo tempo farsesco, qualidades bem defendidas pela produção a que assisti no Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Éric Auvray. Excelentes atores: Clémence Albert, Irène Assayag, Marc Chouppart, Jean-Pierre Cliquet, Laure Guizerix, Gauthier Leroy, Radoslav Majerik, Jean-Pierre Méjan, Gérard Théruel, Corentin Voiseux, Marie Wauquier. Paris 02.2019 TNO 4/5

RUY BLAS (1833)

Uma versão para cinema de Ruy Blas
Ruy Blas, de Victor Hugo, é apresentado no Théâtre du Nord-Ouest numa encenação de Joëlle Champeyroux e Emmanuel Renon. Não conhecia esta peça de Hugo e o que vi não me entusiasmou. Do teatro romântico pouco conheço que seja interessante (Almeida Garrett) e é preciso avançar mais no século XIX para encontrar autores e peças que me agradem mais (Strindberg, Labiche, Tchekov). Paris 11.2013 Théâtre du Nord-Ouest 2/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F