My Gal Sunday (Mary Higgins Clark, 1996)

LEITURA Paris/Melun 05.2025 Le Livre de Poche
Henry Parker Britland, ex-presidente, Sunday, sua mulher, Thomas Shipman, ex-secretário de Estado, Arabella Young, sua mulher

Death of an Expert Witness (P.D. James, 1977)

Há muitos anos que não lia P. D. James, o meu autor preferido da literatura policial juntamente com Patricia Highsmith. A Taste for Death, o romance que se seguiu a este, é por exemplo um dos melhores livros que li. Mas  Death of an Expert Witness não me pareceu tão bom. P. D. James é excelente ao descrever o ambiente que vai servir de contexto às mortes que se vão suceder numa aldeia inglesa onde existe um Laboratório de medicina legal, que serve de apoio á polícia criminal. Só para conhecer as vidas sem brilho de cada personagem vale a pena ler o romance. É o realismo herdeiro do século XIX que está presente nestes romances policiais, que parecem oferecer uma comédia humana para os tempos de hoje. O menos interessante para mim é a resolução dos crimes, que oferece um virtuosismo de imaginação que encontramos obviamente em Agatha Christie mas que nunca me interessou. De qualquer forma um regresso empolgante à obra de P. D. James. Leitura no Brasil 2015 4/5

At Risk (Patricia Cornwell, 2006)

At Risk (2006) é o primeiro livro que leio de Patricia Cornwell, um dos nomes maiores da literatura policial. A leitura é empolgante, e o leitor tem pressa em ver desvendado o crime ou crimes em causa. Mas falta a Cornwell, a meu ver, a profundidade na caracterização social e mesmo psicológica das personagens, que estou habitado a encontrar em P. D. James. De resto, é interessante esta história que articula política e autoridades policiais por meio das ambições e taras pessoais dos indivíduos. Paris 2016 3,5/5

Point of Origin (Patricia Cornwell, 1998)

É o segundo livro que leio de Patricia Cornwell, uma das grandes escritoras de policiais. Neste Point of Origin (1998), a sua heroina Kay Scarpetta, médica legista a trabalhar para uma agência estatal, não só persegue os assassinos de uma série de crimes que se revelam particularmente escabrosos, como é perseguida por eles, que a tomam como principal alvo a abater, assim como o seu companheiro, Benton, e a sua sobrinha, Lucy. Quem apanhará o outro primeiro? Que vítimas ficarão pelo caminho? Impressionante é a figura de Carrie Grethen, um monstro que nunca se mostra, mas aterroriza Scarpetta e os seus mais próximos e o próprio leitor. Boa leitura de férias. Rio de Janeiro 2018:  3,5/5

Body of Evidence (Patricia Cornwell, 1991)

Dos três policiais que li de Patricia Cornwell, Body of Evidence (1991) é o melhor. Uma escritora pouco conhecida é assassinada de forma particularmente violenta, e pouco depois a mesma sorte sai ao seu mentor, um escritor célebre e recluso, aliás  um dos suspeitos da morte da escritora. Na senda destas mortes, seguem-se outras duas associadas ao mesmo caso. Não tarda, o assassino escolhe como vítima Kay Scarpetta, heroína habitual dos policiais de Cornwell.  Ela é médica chefe legista, peça-chave na descoberta dos autores de grandes crimes. Brilhante. Paris 2019 Mémoires Mortes (Editions du Masque, 1993) 4,5/5

Postmortem (Patricia Cornwell, 1990)

Postmortem (1990) é o primeiro romance de Patricia Cornwell com a personagem Kay Scarpetta, que se tornou uma das mais famosas personagens da literatura policial. Uma série de mulheres são mortas por um assassino que deixa no local do crime o cheiro a bórax, substância encontrada no sabão. Um assassino com a mania da limpeza, entre outras manias... A médica Scarpetta, que faz a autópsia das vítimas, não está bem acompanhada na investigação, entre um superior que a quer comprometer e um colega preconceituoso e machista. Envolve-se demasiado nas investigações que acaba por pôr a sua vida em risco... Até à próxima, Kay. Paris 2019: 4/5

All That Remains (Patricia Cornwell, 1992)

All That Remains (1992)
Romance de Patricia Cornwell
First edition
Le Livre de Poche
Leitura 2024

Cause of Death (Patricia Cornwell, 1996)

Cause of Death (1996)

Morts en eaux troubles
Le Livre de Poche
Leituras 2025

Unnatural Causes (P. D. James, 1967)


Unnatural Causes (1967) é o romance menos interessante que li até agora de P. D. James. O título francês, Sans les mains (Mazarine, 1987), refere-se ao cadáver sem mãos que dá à costa de Suffolk, numa pequena embarcação. Assim começa mais este mistério criminal resolvido por Adam Dalgliesh. Mais uma vez não me interessou tanto a resolução do misterioso assassínio quanto o retrato da pequena comunidade onde se passa a ação. Trata-se de uma aldeia junto à costa, com uma significativa comunidade de escritores e intelectuais que têm a sua casa de praia não muito longe de Londres e onde passam boa parte do tempo livre. Dalgliesh tem aí a sua tia, com quem pretendia passar férias, mas é envolvido na resolução do crime, de que é responsável um agente da polícia local. Os escritores, um crítico e outros personagens que com eles se ligam são suspeitos dos crimes que acabam por vitimar dois irmãos, um dos quais escritor e amigo dos suspeitos. Rivalidades, invejas, ambições frustradas, tudo vem ao de cima à medida que a investigação avança e o melhor do romance está nesse precisamente no estudo da mesquinhez humana que P. D. James domina como poucos. E depois há aquelas observações mordazes de que gosto tanto, como esta sobre um clube londrino masculino, o Cadaver Club.
Un établissement typiquement anglais, en ce sens que sa fonction, quoique difficile à définir avec précision, est parfaitement comprise para tous les intéressés. Il avait été fondé en 1892 par un avocat comme lieu de réunion pour des hommes qui s'intéressaient au meurtre (...) L'exclusion des femmes signifie qu'un certain nombre des meilleurs auteurs des romans policiers ne sont pas réprésentés, mais cela ne dérange personne: le comité estime que leur présence compenserait à peine les frais qu'entraînerait l'installation de toilettes idoines. Paris 11.2016 3/5

A Mind To Murder (P. D. James, 1963)


A Mind To Murder é o segundo romance de P. D. James e também o segundo protagonizado pelo inspetor Adam Dalgliesh. O romance começa com o assassínio da diretora administrativa do centro clínico Steen, em Londres, dedicado ao apoio psicológico de pacientes da classe média e alta. A autora gosta de centrar os seus romances em instituições e de, através de um crime ocorrido nas suas instalações, analisar o seu modo de organização e a micro-sociedade humana que se cria em tais ambientes. 
"Les gens ne sont-ils pas extraordinaires, Béa? C'était un cri véhément de protestation et de rancoeur. Les gens étaient extraordinaires! on croyait les connaítre. On travaillait avec eux, pendant des années parfois. On passait plus de temps avec eux qu'avec sa famille ou ses amis intimes. On connaissait chacune de leurs rides. Et pendant tout ce temps, ils avaient une vie à eux."
Mas a análise psicológica das personagens também é um dos pontos fortes dos romances de P.D. James, como o desta mulher, uma das suspeitas da autoria do crime.
"Impossible de ne pas remarquer une femme que consume l'ambition. Sous cet air de calme imperturbable, elle était aussi agitée et énervée qu'une chatte en chaleur."
E gosto também de certas notas sociológicas sobre determinados espaços, como esta nota certeira sobre um condomínio privado.
"Stalling Coombe était un endroit paisible, un petit domaine privé dont les maisons avaient été bâties selon des critères traditionels, chacune au milieu d'un vaste jardin. Cette prospère oasis de banlieu avait peu de contact avec le village voisin de Stalling, et ses habitants, liés par des préjugés et un snobisme communs, vivaient comme des éxilés décidés à conserver les apparences de la civilization au milieu d'une culture étrangère."
E depois há aquelas afirmações "datadas" que traem o espírito de toda uma época. Sobre uma das doutoras da clínica Steen:
"Elle avait cinq enfants, ses fils étaient intelligents et prospères, ses filles avaient fait de bons mariages."
No início da carreira, P. D. James já escrevia os livros que escreveria até ao fim da carreira (2011), com os mesmos temas, personagens e, sobretudo, com a mesma mestria romanesca. Muito bom, como os outros policiais que li dela. Paris 10.2016

Innocent Blood (P. D. James, 1980)


Innocent Blood é uma das melhores tramas de P.D. James, com uma situação inicial simples e genial. A jovem Philippa Palfrey, que foi adoptada em criança por uma família de bons recursos, aproveita a lei recentemente publicada que permite dar a conhecer aos jovens adotivos os seus pais biológicos. Philippa vai ter uma surpresa terrível: a sua mãe está viva e prestes a ser libertada da prisão, onde paga uma pena por ter abusado e estrangulado uma menina com o ex-companheiro (entretanto morto). Philippa e a mãe assassina instalam-se num apartamento para se conhecerem melhor mas há um homem interessado em saber o paradeiro da assassina: o pai da menina morta. Trata-se de um thriller psicológico, mais do que um policial, não havendo crime a elucidar nem detetives. Uma grande obra do género. Brasil  12.2018 Salvador 4/5

The Children of Men (P. D. James, 1992)

Les fils de l'homme
(Fayard, 1993)

The Children of Men é uma incursão rara de P.D. James na ficção científica. Sem dúvida o seu lugar é na literatura criminal. O estilo é bem o da autora e encontro novamente o gosto pelas descrições minuciosas dos grupos sociais. Esse é o ponto que me agradou no romance. A descrição de uma sociedade politicamente estável mas ameaçada por dentro: há muitos anos que não nasce nenhum bebé, os homens e as mulheres tornaram-se estéreis. Como gere esta sociedade cada vez mais envelhecida o desespero generalizado? Interessante. Mas a trama, que anda à volta de um grupo de rebeldes ao poder (mais ou menos autoritário), não é nada cativante, para mim. Entre os elementos do grupo, há uma mulher que está grávida e que, tal Maria, trará esperança ao mundo. Uma desilusão assinada por P.D. James. Paris 04.2019 2/5

The Skull Beneath the Skin (P. D. James, 1982)


Este é seguramente um dos melhores policiais que eu já li. Uma atriz consagrada tem recebido mensagens anónimas com citações sobre a morte retiradas do teatro inglês da época de Shakespeare. Ela encara essas mensagens como ameaças de morte. Então contrata a detetive Cordelia Gray para acompanhá-la durante uma fim de semana a uma ilha onde irá representar uma peça de John Webster. No castelo vitoriano que ocupa toda a ilha, ambos privados, um seleto grupo vai assistir à peça e pernoitar no castelo. A atriz não chega a representar pois morre como tinha receado que acontecesse. Não é tanto esta e outras mortes que se sucedem, e a investigação que se lhes segue, que me atrai neste e em outros romances de P. D. James. São as personagens, as suas baixezas e taras, os seus medos e ambições, revelados de forma magistral pela escritora que dão à sua obra um fôlego semelhante ao da Comédia Humana balzaquiana, condicionada aos nossos tempos negros. Morte, morte, morte, do princípio ao fim do romance: um grande romance sobre a morte e o seu poder de atração sobre o homem. Leia-se o desabafo da malograda atriz Cordelia: 
"Voilà ce dont j'ai peur. Simplement de la mort. C'est idiot, n'est-ce pas? J'en ai toujors eu peur, même enfant. Je ne me rappelle pas quand cela a commencé, mais je connaissais les choses de la mort avant de connaître celles de la vie. Je n'ai jamais pu m'empêcher de voir le crâne qui se trouve sous la peau. (...) Il m'est impossible de vous décrire cette peur, ce qu'elle me fait. Elle arrive par vagues, me submerge. Cela doit ressembler aux doulerus de l'accouchement, sauf que ce n'est pas la vie que j'enfante, mais la mort"
Leitura nas praias de Salvador e Morro de São Paulo (Bahia) 10.2016: 5/5

Cover Her Face (P. D. James, 1962)

Leituras 2025 Melun

The Murdee Room (P. D. James, 2004)

 
Neste romance, P. D. James precisa de cerca de 150 páginas para apresentar as personagens e o contexto em que irá decorrer a investigação dirigida por Adam Dalgliesh sobre duas mortes no pequeno museu privado de Dupayne, em Hampstead, Londres. Para alguns leitores, essa apresentação poderá ser excessivamente longa e penosa, para outros (como eu), essa estratégia, aliada ao estilo de James, dá uma espessura sociológica e psicológica à história e às personagens. Como em outras obras da escritora, as personagens são solitárias e desenvolvem hábitos, quase manias, que muito revelam das sociedades urbanas de hoje. A felicidade conjugal não escolheu nenhuma das muitas personagens deste romance. A solidão destas torna-as egoístas e particularmente dependentes da sua ambição pessoal que passa pelo dinheiro, pelo poder, pelo sexo e pela realização profissional. É o que se chama um romance noir em pleno, que não se esgota nos crimes e em quem os cometeu. Alguns personagens são responsáveis pelos crimes que não cometeram, outros os desejaram ou tirariam proveito com eles. Os romances de P. D. James estimulam sempre pertinentes reflexões sobre o poder da morte entre os vivos. Um dos crimes foi até cometido na sala dos homicídios de um museu. E os crimes ecoam crimes antepassados, cuja memória é devidamente preservada naquela sala. Salvador 11.2017:  4/5

Death Comes To Pemberley (P. D. James, 2011)

P. D. James é a rainha do crime (para mim é, com certeza) e a sociedade inglesa (e londrina) contemporânea é o seu campo de ação. O crime revela muito da sociedade em que ele acontece. Mas desta vez, a escritora volta-se para o período em que viveu Jane Austen, que também falava da sua época nos seus romances. A escritora de policiais introduziu um crime na famíilia que encontramos num dos romances mais famosos de Austen, Pride and Prejudice. Sem surpresa, o crime é visto pela boa família Bennet como uma mancha na história familiar, que aliás já estava manchada por um crime não punido, quando em tempos um caseiro da família foi condenado à morte por ter roubado um animal de um vizinho. Gosto mais dos romances contemporâneos de P. D. James, mas esta incursão histórica tem vários motivos de interesse. Melun 06.2020 (3,5/5)

Original Sin (P. D. James, 1994)

Mais umas férias, mais um policial da rainha P.D. James. Tenho reservado ultimamente para os dias de praia algumas das grandes obras da escritora britânica. Original Sin é uma obra extensa (perto de 500 páginas) sobre uma série de crimes que acontecem numa prestigiada editora independente de Londres. Um dos crimes vitima uma escritora de policiais, que acabara de ser despedida da editora depois de décadas de colaboração. P.D. James deve ter sentido um prazer especial em dar vida a esta personagem, uma das mais cativantes do romance. Não gostei do desenlace, que articula vingança e anti-semitismo de forma pouco convincente. Mas como em outros policiais de P.D. James, o mais interessante passa-se nos interstícios das revelações que conduzem à descoberta do assassino. Ficamos a conhecer uma galeria de personagens complexas, com passados, ainda que sumariamente apresentados, de grande densidade (personagens órfãos, personagens com uma genealogia que inclui assassinatos, mortes nos campos de concentração de judeus, personagens que soçobram perante a tradição familiar, personagens com preocupações ordinárias...). Abril de 2017, Salvador da Bahia, areias do Porto da Barra 3,5/5

Biblioteca LIBRIO

LIBRIO [59]

5.C.Doyle 7.Colette  20.Cazotte 23.Nerval 24.Pouchkine 39.Musset 41.Colette 45.Flaubert 50.Allais 57.La Fayette 59.Bradbury 26.Poe 64.Machen 65.Saint-Pierre  68.Lovecraft 70.Hugo  71.Carco  74.Pouchkine Cocteau/75 Ellery Queen/80 84.C.Doyle  87.Moravia 93.Poe  95.Cerf 108.Shakespeare/Othello 119.Doyle  126.Leroux 129.Asimov 139.Beaumarchais 140.Goes 145.Clarke 160.Dracula 167.Merimee180.Voltaire 188.Lovecraft 208.Izzo Picouly/209 Gibson/215 Jonquet/223 236.Merimee Cain/238  Ballinger/244 247.Bernanos 251.Evans 252.Gogol  254.Louys  255.Saint-Avit 262.Poésie des romantiques  273.La mechante dose  274.Houellebecq  276.Dhotel Fajardie/289 Japp/312 349.Dimension policiere1 Matheson/355  372.Gare au garou! Charyn/379  478.Shakespeare/Ricardo III 611.La Solitude du vampire 691.Gogol/Le Nez 698.Tchekhov

O pardal é um pássaro azul (Heloneida Stuart, 1975)

 
Le Cantique de Meméia (Heloneida Stuart) 
Les Allusifs 021, 2004

Título original: O pardal é um pássaro azul, 1975

La Passion Suspendue (M. Duras, 1989)

LA PASSIONE SOPESA (1989)
NT

LA PASSION SUSPENDUE (1989)
Entretiens avec Leopoldina Pallotta della Torre
Traduit de l'italien et annoté par René de Ceccatty
Éditions du Seuil 2013
NT

Éditions Points 2016
BIBLIOTECA F

My Gal Sunday (Mary Higgins Clark, 1996)

LEITURA Paris/Melun 05.2025 Le Livre de Poche Henry Parker Britland, ex-presidente, Sunday, sua mulher, Thomas Shipman, ex-secretário de Est...