
É a primeira vez que leio um texto sobre gravura, geralmente leio sobre pintura: La Gravure Originale au 18e siècle, de Jean Adhémar (Editions Aimery Somogy, 1963). É apaixonante. Adhémar escreve muitíssimo bem, com uma clareza inultrapassável. Por vezes é difícil acompanhar a terminologia própria desta arte, que utilizava técnicas muito diferentes. A gravura no século XVIII atingiu o seu apogeu como arte de reprodução (com vista à divulgação) das obras, antes do surgimento da fotografia. Mas a gravura também é uma arte em si, não sujeita à função de reprodução de obras consagradas da pintura. Tocou-me particularmente o caso de Canaletto, o famoso pintor de magníficas vistas de Veneza. Em meados do século ele realizou algumas gravuras que marcaram a sua época. Tal como na pintura, Canaletto limitou-se a retratar Veneza, mas nas gravuras optou por uma Veneza quotidana, do trabalho, dos ofícios urbanos, dos lugares pouco habitados, enquanto na pintura só encontramos a Veneza pomposa das classes abastecidas, a cidade em festa oficial. Fragonard, Piranesi, Hogarth e Watteau são outros dos nomes fundamentais da arte da gravura do século das Luzes. Excelente leitura. Paris 2014 (4,5/5)