Anthologie des apparitions (Simon Liberati, 2004)

 
Anthologie des apparitions, de 2004, é o primeiro romance de Simon Liberati. É um romance de personagens, ou mesmo de geração, não há propriamente uma intriga, se não a vida de duas ou três personagens em Paris a partir dos anos 1970. Claude e a sua irmã ocupam muitas das melhores páginas do livro, cresceram juntos, inclusive amaram-se, e perderam-se na história como fantasmas. Nada de substancial fizeram da vida, a não ser aproveitarem-se dos outros para sobreviverem. Uma espécie de prostituição diluída. Além do interesse das personagens, o valor do romance está na linguagem, no estilo do autor. Um bom primeiro romance. Leituras Paris 2014 3/5

Coleção CL/Temas & Debates Biografias

CIRCULO DE LEITORES/TEMAS & DEBATES «BIOGRAFIAS» [12] 

Balzac (Picon, 1956)
Dickens (Schmidt, 1978)
D.H. Lawrence (Aldington, 1961)
Faulkner (T&D, Nicolaisen,1981)
Flaubert (La Varende, 1971)
Gorki (Gourfinkel 1958)
Oscar Wilde (Funker, 1969)
Stendhal (Nerlich, 1993)
Thomas Mann (T&D, Schroter, 1964)
Tolstoi (Lavrin, 1961)
Victor Hugo (Biermann, 1998)
Zola (Bernard, 1956)

Vita - The Life of Vita Sackville-West (1983)

Vita - The Life of Vita Sackville-West (1983)
Victoria Glendinning
BIBLIOTECA
Vita Sackville-West notabilizou-se como romancista, poeta e autora de livros sobre jardinagem escritos a partir da sua paixão pelos jardins (os da sua casa de Sissinghurst estão abertos ao público e são muito visitados). No entanto, a biografia Vita: The Life of Vita Sackville-West (Weidenfeld, 1983), de Victoria Glendinning, ocupa-se sobretudo da sua vida íntima e menos da sua obra literária. Vita foi casada com Harold Nicolson, também escritor além de diplomata e político, e ambos viveram um amor intenso até aos últmos dias de vida de Vita (1962). Mas tanto um como outro eram homossexuais e Vita, em particular, acumulou antes e durante o casamento, os casos com mulheres, entre as quais o mais famoso terá sido Virginia Woolf. A relação de Vita com o marido e com as muitas amantes está bem comprovada através dos diários e das cartas que eles trocavam entre si. Poucos casamentos passaram com tantos pormenores para o papel como o de Vita e Harold. Na verdade, eu li esta biografia como se de um romance se tratasse, ou pelo menos com a devocão que costumanos ter pelos melhores romances. Depois da leitura, dois desejos me tomaram: ler a obra romanesca de Vita e visitar a casa da sua infância, Knole, uma das mais famosas propriedades privadas inglesas, pertencente durante séculos ao Lorde Sackville, e Sissinghurst, onde viveu a maior parte da sua vida. Li a versão francesa do livro de Victoria Glendinning, Vita, La Vie de Vita Sackville-West (Albin Michel, 1987). Paris 06.2017 4/5

BIBLIOTECA:
All Passion Spent (1931pt)
Paola (1932fr)
The Easter Party (1953fr)
No Signposts in the Sea (1961fr)
Vita:The Life of Vita Sackville-West (V.Glendinning, 1983fr) 

Edith Wharton (Diane de Margerie, 2000)

 
Edith Wharton (Flammarion, 2000)
Comprei este livro pensando ser uma biografia de Edith Wharton. Mas não é. Diane de Margerie, que traduziu para francês várias obras de Wharton e prefaciou outras tantas, tornou-se íntima do universo romanesco da escritora americana a ponto de tentar um retrato da escritora que se inspira tanto nas suas obras como na sua vida. Wharton é um daqueles escritores que se expôs, nas dimensões mais íntimas do seu ser, nas personagens, nas tramas e nas situações dos seus romances, novelas e contos. De forma oblíqua, obviamente. O efeito conseguido por Margerie é o mais positivo: desbrava a complexidade da obra de Wharton ao mesmo tempo que aguça a curiosidade do potencial leitor para os livros da autora. Edith teve uma relação complicada, distante, com a mãe, e o pai primou pela ausência. Em adulta apenas teve grandes amizades masculinas, nomeadamente com homossexuais (latentes ou não), como Henry James, Walter Berry e Morton Fullerton (com este último teve a sua única paixão consumada). Se estas amizades masculinas aparecem nas suas ficções, é a mulher que ocupa o seu centro. As mulheres da sua sociedade não têm grande liberdade de ação, mesmo aquelas da velha aristocracia de Nova Iorque, a que Wharton tanto se dedicou. Wharton tornou-se numa escritora reconhecida e, ao contrário do seu grande amigo e mentor Henry James, numa escritora muito popular, com vários best-sellers. Wharton admirava as suas personagens-mulheres que lutavam contra as armadilhas e preconceitos sociais e desprezava aquelas que contribuíam para a reprodução desses constrangimentos. Tornar-se escritora, conquistar a room of one's own, como defendia Virgina Woolf, foi sem dúvida o grande feito desta grande escritora, que vou querer visitar muitas vezes. VC 2017 4/5

Rebecca West A Life (Victoria Glendinning, 1988)

Rebecca West A Life (1988)
Victoria Glendinning, 1988
BIBLIOTECA
Até ter lido este livro, eu ignorava que Rebecca West fora uma das mulheres mais admiráveis do século XX. A sua obra concentra-se no ensaio, no jornalismo e, menos, na ficção. Se tivesse sido uma romancista excecional, como a sua contemporânea Virginia Woolf, seria hoje um nome célebre, mas publicou poucos romances. Pelo menos o primeiro, O Regresso do Soldado, ainda hoje é publicado (foi editado na imaculada coleção da Relógio d'Agua em 2009). Ela escreveu crónicas, críticas e reportagens em muitos periódicos ingleses e americanos, fez fortuna com o seu trabalho, fortuna que não teve em criança. O pai não conseguia sustentar minimamente a família (a mulher e três filhas), que esteve na Austrália, na Escócia até que por fim se instalou em Londres. As três irmãs eram feministas e Rebecca lutou ao lado de organismos que defendiam o voto das mulheres. Mas foi através da obra que a sua luta feminista mais se evidenciou. Curiosamente, na vida privada há sinais contrários. Durante muitos anos foi amante do célebre escritor H.G. Wells, que, apesar de a amar, nunca se separou da mulher. Rebecca e Wells tiveram um filho, que ela criou como mãe solteira. Até à juventude de Anthony West, ele pensou que os seus pais eram seus tios. A revelação traumatizou não só o jovem como as relações com a mãe e o pai. Mais uma vez constato que os escritores frequentemente transpõem para os romances que escrevem a sua privada privada, por vezes a mais íntima. Anthony West foi igualmente escritor como os pais e lavou a roupa suja familiar nos seus livros, tendo sido alvo de processos da parte da mãe e dos seus meios-irmãos Wells. Mas também Rebecca West e H.G.Wells fizeram a mesma coisa nos seus livros. Adiante.
Rebecca compilou os seus textos jornalísticos em livros que se tornaram famosos em todo o lado, sobretudo um livro sobre a Jugoslávia e outro sobre a traição no tempo da segunda guerra, escrito a partir de reportagens sobre o julgamento de traidores do período da guerra.
Trata-se do segundo livro de Victoria Gendinning que leio este ano, e o outro tinha sido igualmente uma biografia, a de Vita Sackville-West. A biografia de Rebecca West ainda consegue ser melhor. Excelente. Paris 2017 4,5/5

Viginia Woolf (Alexandra Lemasson)

VIRGINIA WOOLF
Autor: Alexandra Lemasson 
Folio Biographies
BIBLIOTECA

Coleção SEUIL Écrivains de toujours

 Coleção de livros de bolso publicada em dois períodos: 1951-1981 e 1994-2000


30.Tchekhov (ed1977)

35. Woolf (ed1982)

63.Claudel (1963)

64Camus (ed1987)

81.Kafka (ed1976)

90.Breton

Nabokov (1995)

Tolstoï (1996)

Coleção FOLIO Biographie

1.Balzac
2.Jules César
3.J.Dean
4.Billie Holiday
5.Kafka
6.Pasolini x2
7.Modigliani
8.V.Woolf
9.Michel-Ange x2 
10.Cézanne
11.Ibsen 
12.Louis XVI
15.Freud
17.Kerouac 
18.Shakespeare 
19.Baudelaire   
20.Picasso
21Vian
22.Molière
23.Marilyn
24.Dietrich
25.A.Cohen
26.Diderot
28.Jane Joplin  
36.Tchekhov
37.Jesus
38.Caravaggio   
40.Verlaine 
41.Mozart 
46.Da Vinci 
47.Louis XIV 
48.Andreas-Salomé    
50.Moise 
52.Calvin 
53.Céline 
54.Callas 
55.O.Wilde  
56.Goya 
59.Warhol   
61.Musset 
62.SarahBernhardt
63.Beethoven
64.Chopin 
68.Lorca
69.Bob Marley
70.Wagner 
72.Tennessee Williams 
74.Nietzsche 
76.Liszt 
77.Casanova  
78.Mishima
80.Colombo
82.Lumière 
83.Napoléon  
84.Dickens 
85Rousseau  
88.Debussy  
87.Gene Kelly  
86.Maupassant  
90Flaubert 
94Lawrence Arabie 
96.Verdi 
97.Kennedy 
99.Édith Piaf   
100.Saint-Exupery
104.David-Néel
107.Magritte  
108.Alain-Fournier
109.Goethe
110.Gershwin
111.Darwin 
113.Man Ray 
114.Lafayette 
115.Thoreau
116.Jack London
118.Bougainville 
119.Capote
120.G.Washington
121.Byron
125.Beaumarchais
127.Goldoni   
130.H. G. Wells   
141.Richelieu
142.Madame de Stäel
154.Louis Jouvet
155.Marivaux
158.Gérard Philipe x2

Histoire de la critique d'art (G.-G. Lemaire, 2018)

 




Histoire de la critique d'art (2018)
Autor: Gérard-Georges Lemaire
Klincksieck 2018
Biblioteca Arte F


Kafka (Gérard-Georges Lemaire, 2005)

KAFKA (2005)
Autor: Gérard-Georges Lemaire 
Folio Biographie nº 5, 10.2005
BIBLIOTECA

Contos, Parábolas, Fragmentos (Franz Kafka)

 
NT


Kafka (Klaus Wagenbach, 1976)

KAFKA
Seuil Écrivains de toujours n° 81, ed. 1976
BIBLIOTECA

Diários. Diários de Viagem (Franz Kafka)

NT

Um Médico Rural (Franz Kafka, 1919)

 
Ein Landarzt (conto escrito em 1919)

Um Médico rural
Tradução e posfácio de Modesto Carone
Companhia das Letras 2007
BIBLIOTECA P

J'ai Connu Kafka. Témoignages

 
J'ai Connu Kafka. Témoignages
BIBLIOTECA

História da Literatura Portuguesa (O. Lopes, J.A. Saraiva, 1955)

BIBLIOTECA

BIBLIOTECA

1ª edição:
História da Literatura Portuguesa
Escrita por António José Saraiva e Óscar Lopes
1ª edição: Porto Editora 1955, 885p

The Bridge of San Luis Rey (Thorthon Wilder, 1927)

Quando começamos a ler um livro temos sempre algumas expectativas inspiradas pelo autor e pelo título. Já conhecia (de ouvir falar) o clássico americano The Bridge of San Luis Rey de Thornton Wilder. E esperava vagamente qualquer coisa muito distante da história narrada neste romance: a vida de vários personagens que viveram no século 18 no Chile e que morreram no mesmo instante, quando a ponte San Luis Rey caiu. As personagens são fascinantes: uma aristocrata solitária abandonada pela família com grande talento literário revelado nas cartas escritas à filha; dois gémeos sem família, criados num convento; uma atriz do teatro local, Camilla la Périchole, que defendia o teatro espanhol do siglo de Oro; o tio Pio, que era o seu coach (Camilla não morreu na queda da ponte, morreu o seu filho que ia acompanhado do tio Pio). Um romance muito interessante sobre a vida numa colónia espanhola no século 18. Paris 06.2018 3,5/5

L'École des Femmes (André Gide, 1929)

 
Um romance interessante, mas menor, de André Gide sobre a condição da mulher no tempo da primeira Grande Guerra. Lemos um diário e outros textos de carácter confessional de Eveline desde o seu noivado com Robert, a quem vai sacrificar as suas vontades para permitir que ele brilhe na sociedade, até ao sacrifício a que ela própria se submete voluntariando-se para ajudar num hospital de doenças contagiosas, onde acaba por morrer. Leituras Espanha (de passagem) 2020 (3/5)

The Well of Loneliness (Radclyffe Hall, 1928)

The Well of Loneliness (Radclyffe Hall, 1928)
O Poço da Solidão

Record, 1998 
Tradução de Ary Quintella

Foi um verdadeiro achado ter encontrado este livro numa banca de livros velhos, na Carioca, no Rio. Trata-se, suponho, da única tradução em língua portuguesa do clássico The Well of Loneliness (1928), primeiro livro importante sobre o lesbianismo. Quando foi publicado provocou sem surpresa uma grande polémica e chegou a ser proibida a sua publicação. O livro começou por surpreender-me pelo seu recorte clássico, quanto à estrutura e também quanto à linguagem, numa época em que Joyce e Woolf mostravam ao romance caminhos radicalmente modernos. Mas o romance de Hall é muito bom, tendo me proporcionado uma leitura muito prazerosa. O livro narra a vida de Stephen, uma jovem da aristocracia terratenente da província inglesa, que por amar mulheres e persistir na busca de uma relação lésbica estável e publicamente reconhecida, vai descer o poço da solidão, como sugere o título. Mas nessa descida Stephen encontra muitos respiradouros e entradas de luz e em alguma delas poderá descansar e viver. Há o trabalho (Stephen torna-se uma escritora famosas) e o amor (a longa relação com Mary, em Paris). Radclyffe Hall refere-se a Stephen como um ser invertido, um termo tolerável na época para referir os homossexuais, mas estranho na nossa época. Não importa. O que é notável é ter narrado uma vida, do nascimento até à idade adulta, marcada pela frustração decorrente da sua orientação sexual. Stephen não tem modelos em que se espelhar e acorda muito tarde para a sexualidade e para a sua sexualidade em particular. E leva tempo a perceber que o seu comportamento nunca será aceite no meio fechado em que cresceu e que amava: a sua propiedade de Morton. Terá de abandonar a casa e abdicar de qualquer relação de afetividade com a mãe. Vai viver para Londres, e por fim para Paris, onde conhecerá o período mais feliz da sua existência e o único onde se relaciona com outros como ela. Um excelente romance. Paris 2018 4,5/5
Lebooks 2019
NT

Em Plena Noite ou o Bluff Surrealista (Antonin Artaud)

Em Plena Noite ou o Bluff Surrealista (Antonin Artaud)

Frenesi 2000
 2ª edição, revista
Inclui “2 cartas sobre o ópio” e “O suicídio”
BIBLIOTECA


Outras obras em Portugal:

1ª edição, & etc 1988
Sel. Tr. Prólogo de P.C.D.

Heliogabalo, ed. A & A «O Imaginário» 1984
O Pesa-Nervos,Hiena 1991









Marseille 1895 - 1948


Anthologie des apparitions (Simon Liberati, 2004)

  Anthologie des apparitions, de 2004, é o primeiro romance de Simon Liberati. É um romance de personagens, ou mesmo de geração, não há prop...