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Le Grand Inquisiteur (Fédor Dostoïevski, 2020)

Baseada num texto de Dostoïevsk, a peça Le Grand Inquisiteur faz uma revisão da política dos últimos 150 anos, com adaptação e encenação de Sylvain Creuzevault. Os grandes líderes mundiais (Marx, Trump, Hitler, Estaline...) desfilam e só têm misérias para apresentar, a começar por eles mesmos, reduzidos a canibais... Paris 10.2020 Odéon 2/5

Le Pays Lointain (Jean-Luc Lagarce, 1995)

Le Pays Lointain é a última obra de Lagarce, tendo sido publicada no mês em que o autor morreu. Para mim é uma espécie de remake de Juste la fin du monde. Mesma história, personagens semelhantes. Louis, um escritor de 40 anos regressa à casa da família, depois de muitos anos de ausência, para anunciar a sua morte, que deverá ocorrer nos meses seguintes. A sua visita aciona todas as frustações e mágoas que não poupam nenhum dos membros da família. Sabemos que os problemas internos das famílias traduzem-se muitas vezes por grande violência verbal (e física) e pela repetição ad nauseum dos mesmos lamentos e acusações. Foi penoso assistir a uma tempestade familiar durante quatro horas. Já tinha visto isto em Juste la fin du monde, não há grande novidades neste Pays Lointain, a não ser que nesta última peça Louis está acompanhado da família escolhida, os seus amigos e o amante do momento. Paris 04.2019 Odéon 3/5

Andromaque (T. Odéon, 2023)

Paris 12.2023 Théâtre de l'Odéon 2/5

Testament de Marie (Colm Toibin, 2013)

Colm Toibin escreveu esta peça a partir do seu romance The Testament of Mary (2012). A peça foi criada no ano seguinte na Broadway, com encenação de Deborah Warner, com Fiona Shaw como única intérprete em palco. Deborah Warner encenou também a criação francesa, Le Testament de Marie, no teatro Odéon. Marie é a mãe de Jesus, que é Dominique Blanc nesta produção. Maria narra à sua maneira a vida do seu filho até à crucifixação. Blanc é brilhante, mas não consegue eliminar o tédio que senti quando vi a peça. A prosa de Toibin é... prosa de romance, e isso nem sempre funciona bem em palco. Paris 05.2017 Théâtre de l'Odeon 2,5/5

Les Trois Sœurs (Simon Stone, 2017)

Simon Stone reescreveu as Três Irmãs de Tchekhov mas pouco sobrou do autor russo. Três irmãs tentam ser felizes nos tempos de hoje mas o fracasso, sobretudo amoroso, está sempre à espreita. A amargura, a desilusão, garante-lhes um estado de desespero crescente. Uma casa transparente que se move é um grande achado desta produção. Paris 11.2017 Odéon 3,5/5

Ils nous ont oubliés (Thomas Bernhard)

Numa casa isolada, vivia um casal de idosos, uma vivência claustrofóbica que levou à morte da mulher pelo companheiro. O tema é sombrio, mas a encenadora não olha a meios para nos fazer sentir essa vivência auto-destrutiva, através do grotesco, através da música sufocante, etc.. É uma experiência estética impressionante mas desconfortável também. Paris 04.2022 Ateliers Berthier 3/5

O TIO VÂNIA

O ESPETÁCULO (Odéon, 2023)

Paris 02.2023 Odéon 4.5/5
Encenação de Galin Stoev

O ESPETÁCULO (TNO, 2022)

Simplesmente um dos melhores espetáculos de teatro que vi até hoje. A peça, é certo, é uma obra-prima do teatro universal, mas é o encenador e, sobretudo, os atores que elevam este espetáculo a um patamar superior. As minhas personagens preferidas são Vânia e a sua sobrinha Sónia, e os atores que os interpretaram são inesquecíveis, talvez ligeiramente superiores aos restantes. Paris 2019 & 2022 Théâtre du Nord-Ouest 5/5
Mise en scène de Jean Luc Jeener, com Vincent Gauthier, Claude Gentholz, Pascal Guignard, Marie Hasse (Sonia), David Mallet, Herve Mangoust, Syla De Rawski, Marie Helene Viau.

O ESPETÁCULO (Paris, 2019?)

O Tio Vânia pelo Théâtre Vakhtangov, encenado por Rimas Tuminas, foi um dos melhores espetáculos que vi este ano. Tanto a língua como a interpretação dos atores transmitiram de forma única a alma russa que perpassa a obra-prima de Tchekhov. Foi muito comovente ver as personagens que eu já conhecia bem ganharem uma nova vida, mais intensa e mais conforme à atmosfera criada pelo autor russo. Magnífico. Paris 10.2019 Théâtre Marigny 4,5/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2019)

Simplesmente um dos melhores espetáculos de teatro que vi até hoje. A peça, é certo, é uma obra-prima do teatro universal, mas é o encenador e, sobretudo, os atores que elevam este espetáculo a um patamar superior. As minhas personagens preferidas são Vânia e a sua sobrinha Sónia, e os atores que os interpretaram são inesquecíveis, talvez ligeiramente superiores aos restantes. Paris 04.2019 TNO 5/5
Oncle Vania (Tchekhov) Théâtre du Nord-Ouest, mis en scène de Jean Luc Jeener, com Vincent Gauthier, Claude Gentholz, Pascal Guignard, Marie Hasse, David Mallet, Herve Mangoust, Syla De Rawski, Marie Helene Viau.

L'HÔTEL DU LIBRE-ÉCHANGE (1894)

O ESPETÁCULO (Odéon, 2025)

O ESPETÁCULO (Comédie-Française, 2017)
Nada como assistir a uma peça de Feydeau para passar uma noite divertida. L'hôtel du libre échange (1894), escrita por Feydeau com Maurice Desvallières, repisa o tema do adultério, um dos mais frequentes das comédias de boulevard. Vários casais pouco legítimos se encontram por uma noite no hôtel du libre échange... Um espetáculo (de Isabelle Nanty) a rever. Paris 05.2017 Comédie-Française 4/5

A GAIVOTA (1896)

A OBRA (Anton Thekhov, 1896)
PERS. Arkadina, Sorine (irmão de Arkadina), Nina, Trigorine, Konstantin (médico), Gavriil (pai de Tréplev), Professor, tenente reformado, Macha (filha de Chamraïev), Nikita (jovem ator), Sofia (costureira e jovem atriz)

O ESPETÁCULO (Lisboa, 2026)







V Lisboa 25.02.2026 Teatro da Trindade

O ESPETÁCULO: Une Mouette (Comédie-Française, 2025)
Une Mouette, baseado na Gaivota (Anton Tchekhov, 1896)
TRAD. André Markowicz e Françoise Morvan ADP. ENC. Elsa Granat INT. Marina Hands (Arkadina), Bakary Sangaré (Sorine), Adeline d'Hermy (Nina), Loïc Corbery (Trigorine), Konstantin, Dorn (médico), Birane Ba (Medvédenko), Dominique Parent (Chamraïev), Julie Sicard (Macha), Edouard Blaimont (Nikita), Blanche Sottou (Sofia)
VISTO Paris 11.01.2026 Comédie-Française


O ESPETÁCULO (TNO, 2019)

Brilhante produção do clássico russo. A opção por um tempo lento beneficia a apreciação do drama que toma conta das personagens. Uma das minhas peças preferidas de sempre. Paris 2019 TNO 4/5
Tchekhov: LA MOUETTEe, mis en scène par Jean Luc Jeener, com Pierre Bès de Berc (Medvedenko), Didier Bizet (Sorine), Laurence Hétier (Arkadina), Yves Jouffroy (Dorn), Pauline Mandroux (Macha), Rémi de Monvel (Trepleve), Isabelle Miller (Paulina), Selma Noret-Terraz (Nina), Rémi Picard (Yakov), Thomas Sans (Trigorine), Dominique Vasserot (Chamraev).


O ESPETÁCULO (Odéon, 2016)

Thomas Ostermeier propõe uma leitura original e modernizada do maravilhoso clássico de Tchekhov. Várias falas são introduzidas na peça, nomeadamente reflexões sobre o teatro contemporâneo e as modas das encenações, tudo com grande comicidade. Nada que altere o poder do texto original. Muito bom. Paris 06.2016 Théâtre de l'Odéon 4/5

Teatro da Trindade 


Ivanov (Tchékhov, 1887)

Ivanov é uma das primeiras peças de Tchekhov e teve duas versões (1887 e 1889). Luc Bondy optou pela primeira versão e assinou um excelente espetáculo. A peça é mais violenta e negra do que as obras posteriores e mais célebres do dramaturgo russo, faltando-lhe a poesia e a uma certa leveza que caracteriza estas. Mesmo assim, é uma excelente peça, e tem como protagonista um jovem homem que se isola socialmente, envelhece e despede-se da vida precocemente. Paris 10.2015 Théâtre de l'Odéon 4/5

Don Juan (Odéon, 2024)

 

Peça de Molière
Paris 2024 Odéon 2.5/5

Une mise en scène d'enfer pour Dom Juan

Anthony Palou, LE FIGARO, 26.04.2024

Il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe. À l'Odéon, Macha Makeïeff électrise l'œuvre de Molière. Un spectacle beau et maîtrisé.  

Lorsque apparaît Dom Juan, le parc aux biches n'est pas encore fermé. Le libertin sort de son alcôve, visage fatigué, plâtré. Vêtu de noir, Xavier Gallais, l'interprète de « l'épouseur du genre humain », tout échevelé, a gardé quelque chose de son professeur Daniel Mesguich. Peut-être son profil et ce regard de rapace. Peu avant, précédée d'un drôle de ballet de portes qui s'ouvrent et se ferment sur une musique pop rock, nous avons assisté à la célèbre scène d'ouverture de la pièce, celle du tabac. Le ton était donné : nous avons compris que Sganarelle, joué par l'éblouissant Vincent Winterhalter, allait sans fausses notes mener ce ballet orchestré par Macha Makeïeff, qui signe ici une de ses meilleures partitions. Sa mise en scène étincelante oscille entre la farce provinciale et la tragédie métaphysique.

Odeur de fin de partie

Dans un décor qui ne serait pas du siècle d'or mais celui de Laclos et du divin marquis, tout en clair-obscur, le drame se joue dans un mobilier bohème où les bruissements d'étoffes froissées, les tintements de verres et les quelques notes de clavecin donnent aux spectateurs le sentiment que le corps moite de Dom Juan ne va tarder à rendre l'âme. Une odeur de fin de partie semble ici s'échapper d'un soupirail. Deux scènes resteront dans la mémoire des spectateurs. Celle, hilarante, de Charlotte (Xaverine Lefebvre) et de Pierrot (Joaquim Fossi), et celle où Sganarelle mime le combat que mène son maître cavaleur en coulisse contre trois voleurs qui s'en sont pris à un pauvre bougre (qui n'est autre que Dom Carlos, un des frères d'Elvire).  Bien sûr, Dom Juan prendra, sous #MeToo, quelques résonances particulières. Mais qu'importe le message, il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe 

Ah, Elvire !

Une des nombreuses victimes du scélérat. Elle est interprétée par Irina Solano, sincère, touchante, volontaire et droite dans sa robe jaune cocu. Joaquim Fossi et Anthony Moudir ont revêtu les costumes naïfs de ses deux frères benêts. Impayables, ils nous feraient penser à Robert Dhéry dans Le Petit Baigneur. Si Xaverine Lefebvre excelle dans le rôle de Charlotte la paysanne, elle donne le vertige dans celui d'une longue et mince libertine et impressionne dans le costume blanc du Commandeur. Quel spectre glaçant !  Quant à Dom Louis, le père de notre jouisseur athée, le voici sous les traits de Pascal Ternisien. La scène entre le père et le fils achève le portrait de ce dernier soudain petit garçon, pauvre créature à deux pattes qui n'a pas réussi à se libérer des désirs du moi. Oserait-on avancer que Macha Makeïeff a réussi à percer le blindage du crâne de Dom Juan ? Peut-être celui de son corps qui, à la fin, se retrouve comme vitrifié après avoir bu à la coupe du Commandeur. Bien sûr, Dom Juan prendra, sous #MeToo, quelques résonances particulières. Mais qu'importe le message, il fallait bien une mise en scène d'enfer pour mettre à vif les nerfs du mythe.

Odéon-Théâtre de l'Europe, avril-mai 2024

La Ménagerie de Verre (T. Odéon, 2020 & 2022)

A casa dos Wingfield é uma gruta felpuda, cor de terra, onde a mãe, a filha e o filho se aconchegam e se digladiam. A frustação (e a solidão) dos três é tal que o filho, seguindo o exemplo do pai, foge e abandona a família. Antes tentara arranjar um noivo para a irmã mas apresentou-lhe um colega que já tinha noiva, provocando a ira da mãe e a depressão da irmã. Esta peça, o primeiro grande sucesso de Tennessee Williams, é já uma obra autobiográfica. La Ménagerie de verre (The Glass Menagerie), mise en scène de Ivo van Hove, com Isabelle Huppert (Amanda Wingfield), Justine Bachelet (Laura), Cyril Guei (Jim) e Nahuel Pérez Biscayart (Tom). Paris 03.2020 Théâtre de l'Odéon 4/5


LA MÉNAGERIE DE VERRE (2022)

TÍTULO ORIGINAL: The Glass Menagerie (1945) ENCENAÇÃO: Ivo van Hove INTÉRPRETES: Isabelle Huppert (Amanda Wingfield), Justine Bachelet (Laura), Cyril Guei (Jim), Antoine Reinartz (Tom) VISTO: Théâtre de l'Odéon, novembro de 2022

SUDDENLY LAST SUMMER (1958)

 
Subitamente no verão passado (TNDM II, 2020)
Suddenly, Last Summer (1958) é uma das minhas peças preferidas de Tennessee Williams, que não me canso de ver. Desde a versão para cinema (1959) com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, que tenho sempre a curiosidade em ver quem vai assumir mais uma vez as personagens de Violet Venable, Catherine e Dr Cukrowicz que protagonizam o drama violento de Williams. Uma mãe perdeu o único filho, Sebastian, no verão passado, o primeiro verão que não passaram juntos, e carrega a culpa dessa tragédia ao mesmo tempo que culpabiliza a sobrinha, a mulher que substituiu a mãe para acompanhar Sebastian nessas férias. Gostei muito desta produção de Bruno Bravo, que teve tradução do texto de Miguel Castro Caldas e música e sonoplastia de Sérgio Delgado. Na interpretação, gostei particularmente de Carolina Salles como Catherine. Com Mónica Garnel (Violet Venable), Carolina Salles (Catherine), José Leite (Dr Cukrowicz), Alice Medeiros, Joana Campos, João Pedro Dantas e Marina Albuquerque. Coprodução do TNDM II e de Primeiros Sintomas. Lisboa 02.2020 Sala Estúdio do Teatro Dona Maria II 4,5/5
Criação de Suddenly, Last Summer: York Playhouse (Off Broadway, NY), 1958. Com Anne Meacham (Catharine), Hortense Alden (Violet Venable), Robert Lansing (Dr. Cukrowicz), Eleanor Phelps (Mrs. Holly), Alan Mixon (George), incidental music de Ned Rorem.

 
Soudain, l'été dernier (Théâtre de l'Odéon, 2017)
Suddenly, Last Summer, o filme de Mankiewicz, com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomey Clift, pôs a fasquia muito alto para as posteriores adaptações do belo texto dramático de Tennessee Williams. Foi um filme que me marcou muito e que me levou a procurar ver tudo de Williams. Nos anos 80 tive a felicidade de ver Bruscamente no Verão Passado, pelo Grupo Teatro Hoje/Teatro da Graça, encenado por Carlos Fernando. E ,muitos anos depois, vi agora Soudain, l'été dernier, no Théâtre de l'Odéon, encenado por Stéphane Braunschweig. Já não me recordo bem da produção de Carlos Fernando (com Isabel Castro?), só me lembro de que adorei na altura a trilogia de Williams proposta pelo Teatro da Graça, um dos grandes momentos de teatro na minha vida. Não posso dizer o mesmo da nova produção do Théâtre de l'Odéon. O palco é ocupado pela vegetação luxuriante do jardim de Mrs Venable, mãe de Sebastian, poeta que morrera no verão anterior em condições pouco claras. A narrativa dessa morte pela prima que o acompanhava é o clímax da peça. A vegetação ameaçadora do jardim remete para várias referências à crueldade da Natureza (de Deus?), como as plantas insectívoras de que Sebastian cuidava, a matança das tartarugas prenhas por aves carnívoras na praia visitada por Sebastian e pela mãe e, sobretudo, a morte de Sebastian às mãos de pobres esfomeados, dos quais ele se servira e depois rejeitara. Faltou à peça interpretações memoráveis (o doutor de Jean-Baptiste Anoumon é uma sombra ao pé de Montgomery Clift) embora Mrs Vanable e Catherine Holly tenham tido boas atrizes a defendê-las. Apesar de tudo, gostei mais da recente produção dos Artistas Unidos de The Night of the Iguana. Soudain, l'été dernier, Paris 03.2017 Théâtre de l'Odéon 4/5  

Suddenly Last Summer (Joseph L. Mankiewicz, 1959)
Tinha visto Bruscamente no Verão Passado, de Mankiewicz, apenas uma vez (na Cinemateca Portuguesa, se a memória não me atraiçoa). Mas nunca o esqueci por várias razões: o texto de Williams, a realização de Mankiewicz e os atores. É um filme importante nas cinematografias de K. Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. Eles brilham e vibram na pele de três personagens inesquecíveis de Tennessee Williams, atormentadas pela morte atroz de Sebastian no ano passado, que leva à loucura as duas personagens femininas. Lisboa Cinemateca? & Paris 05.2016 5/5

HAMLET


O ESPETÁCULO (Odéon, 2024)
Clotilde Hesme (Hamlet)
 
Peça de William Shakespeare
Paris 2024 Théâtre de l'Odéon 3.5/5

Encenação: Cristiane Jatahy

Isabel Abreu (Ofélia)

Servane Ducorps (Gertrude)
Clotilde Hesme
Tonan Quito (Polonius)


 
Um Hamlet muito polémico na Comédie Française. Um tom demasiado cómico para a minha sensibilidade preparada para ver uma tragédia, une mauvaise sitcom como li algures. Nem mais. Mas Denis Podalydès está impecável.
Hamlet, Comédie Française 2013  2,5/5

No Théâtre du Nord-Ouest, um Hamlet sombrio mas também com muito furor (intervenções rock/pop) e ligeiros safanões ao texto para nos impedir de encarar a peça como a obra-prima de pedra que é Hamlet. Bons atores, sobretudo o carismático protagonista.
Hamlet, Théâtre du Nord-Ouest 2014    3/5

LES IDOLES (2018)

A OBRA:
AUTOR: Christophe Honoré CRIAÇÃO: Lausanne 13.09.2018 Théâtre Vidy-Lausanne 

AUTOR & ENCENAÇÃO: Christophe Honoré INTÉRPRETES: Harrison Arévalo (Cyrill Collard), Jean-Charles Clichet (Serge Daney), Marina Foïs (Hervé Guibert), Julien Honoré (Jean-Luc Lagarce), Marlène Saldana (Jacques Demy), Paul Kircher (Bernard-Marie Koltès) VISTO: Paris 23.01.2025 Théâtre Porte Saint-Martin
 
O universo de Christophe Honoré, que se exprime no cinema e no teatro, interessa-me cada vez mais. O seu filme Plaire, Aimer, Courir Vite é um dos meus filmes preferidos do ano passado e quero muito rever Les Chansons d'Amour. Les Idoles é outra excelente obra de Honoré. Encena o encontro post-mortem de seis grandes nomes da arte francesa que morreram de SIDA, eram homossexuais e tinham, naturalmente, uma relação muito desigual com essa condição. Les Idoles foi criado em setembro de 2018 no Théâtre Vidy-Lausanne. Os atores que interpretam aqueles  fantasmas são notáveis sem exceção: Youssouf Abi-Ayad (Bernard-Marie Koltès), Harrison Arévalo (Cyrill Collard), Jean-Charles Clichet (Serge Daney), Marina Foïs (Hervé Guibert), Julien Honoré (Jean-Luc Lagarce), Marlène Saldana (Jacques Demy),  e ainda Teddy Bogaert (Bambi Love). Uma reunião de artistas e intelectuais de vanguarda só poderia dar origem a confrontos de ideias e posições ideológicas, assim como maledicências que farpam muitas personalidades da época em que viveram. Name-dropping é o que não falta nesta peça, mas alguns nomes ganham vida (digamos assim) e são o centro de atenções de todos. É o caso de Elisabeth Taylor, defensora da causa gay, muito ativa no apoio dado a Rock Hudson (outro nome muito citado). Um belo espetáculo que passa em revista toda uma época. Paris 02.2019 Théâtre de l'Odéon 4/5

La Cerisaie (Théâtre de l'Odéon, 2022)

 
Tiago Rodrigues dá a volta ao Cerejal de Tchékhov. Gosto de ver as versões mais literais deste clássico, mas as mais irreverentes, como esta, são muito bem vindas. Dois elementos do grupo rock Clã estão presentes no palco, tocando e cantando, contribuindo para a renovação do nosso apreço por esta obra. Isabelle Huppert é a estrela do espetáculo e a estrela da família que se despede do seu passado, é preciso passar a outra coisa. Não se sabe se o passado ou o futuro é o mais importante para estas personagens. Na verdade, é um problema individual, de cada um... Paris 04.2022 Théâtre de l'Odéon 4/5

OTHELLO

 
Uma abordagem brilhante do clássico de Shakespeare, que fala na nossa língua, com os nossos corpos e gestos, as nossas referências, a nossa cultura musical (anglo-saxónica), com o rock que mesmo não gostando nos influenciou. Paris 04.2023 Théâtre de l'Odéon 4/5

Othello (Shakespeare, TNO 2020)
Desta vez acusei um certo cansaço ao assistir ao clássico de Shakespeare, provavelmente a peça que melhor conheço do autor. Vi-a mais do que uma vez no cinema (Orson Welles), na ópera (Verdi) e no teatro (Nekrosius, em 2001...). Esta produção encenada por Jean Luc Jeener pareceu-me demasiado melodramática inclusive pelo trabalho de alguns atores, de resto excelentes: Clara Beauvois, Olivier Bruaux, Jean-Pierre Colombies, Alexandre de Pardailhan, Fabrice Michal, Dan Morgenthaler, Rose Raguel, Michel Wyn. Paris 01.2020 TNO 3/5

Comme tu me veux (Odéon, 2021)

 
A peça de Pirandello, Come tu mi vuoi (1930), é particularmente atual. Foi escrita e criada no contexto europeu entre as duas grandes guerras, e conta a história de um italiano rico que julga ter encontrado viva a sua própria mulher, que tinha sido dada como desaparecida. Mas ninguém tem certeza da identidade desta mulher incluída ela mesma...  Théâtre de l'Odéon 10.2021, mise en scène Stéphane Braunschweig 4,5/5

Les Paravents (T. Odéon, 2024)

 
Les Paravents (1966)
Peça de Jean GENET
Paris 2024 Odeon Théâtre de l'Europe 3.5/5
Mise en scène de Arthur Nauzyciel

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F