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Ernesto (Umberto Saba, 1975)

Ernesto é o único romance do grande poeta italiano Umberto Saba e é uma obra-prima. É um romance autobiográfico que trata da juventude de Ernesto e da descoberta da sua sexualidade. O livro aliás começa com a sedução do jovem protagonista por um homem mais velho (com 20 e poucos anos...) e sucedem-se cenas de coito entre os dois narradas com a maior naturalidade. O livro foi publicado pela primeira vez em 1975, muitos anos depois da morte do autor. Paris 10.2020 (5/5) 

Les Faux-Fuyants (Françoise Sagan, 1991)


Quatro amigos da alta sociedade parisiense viajam com destino a Lisboa, durante a segunda guerra mundial, enquanto a França está a ser bombardeada pelos alemães. São recolhidos por uns agricultores após perderam o carro de luxo num ataque que fez uma vítima mortal: o motorista deles. Segue-se uma comédia que opõe os parisienses finos aos campesinos grossos. Mesmo assim todos juntos vão salvar as colheitas e a atração sexual entre os dois grupos não faltará. Poderia ser uma peça de teatro como as que Sagan escreveu nos anos 60 (as únicas que conheço). Mas é um romance, divertido muitas vezes, mas também caricatural. A socialite Diane é a personagem mais interessante e parece ser um alter ego da própria Sagan. Ainda não foi desta que me cansei desta escritora francesa. Vila do Conde 07.2020 (3/5)

Des Yeux de Soie (Françoise Sagan, 1975)


Conhecia os romances (bons) e as peças de teatro (simpáticas) mas desconhecia os contos. O universo estreito da escritora mantém-se o mesmo, de obra para obra. Gente rica, profissionais de topo da cultura e as personagens que são atraídas por quem tem dinheiro e pode garantir conforto material. Foi nesse mundo que Sagan se moveu e fez muito bem em testemunhá-lo literariamente. Em 1975, a juventude de Sagan já passara, e essa experiência caracteriza uma boa parte das personagens desta coletânea de contos. As protagonistas são quase sempre mulheres de meia-idade, confrontadas com as traições dos maridos, e com a traição da própria vida, que não cumpriu o que parecia ser uma promessa. Umas vivem do dinheiro de maridos ricos, outras servem-se do dinheiro para pagar a companhia de um jovem. Em todas a desilusão é evidente. Num dos contos, uma mulher conseguiu afastar dela o marido rico garantindo uma mesada principesca. À primeira contrariedade resolve matar-se... Viagem Porto/Paris 01.2020 3/5

Enemies, a Love Story (Isaac Bashevis Singer, 1972)

Enemies, a Love Story (1972)
Inimigos, uma História de Amor
Dom Quixote, 1990

Herman Broder, judeu a viver na América tendo escapado aos nazis, não escapa à sua consciência pesada por viver com duas mulheres: é casado com uma camponesa polaca que o salvou da morte nos campos de concentração e vive com outra mulher, cobiçada por todos os homens mas que o deseja como marido. Há uma terceira mulher, a primeira esposa de Herman, dada como morta, mas regressada à vida (e à vida dele). Herman sente amor por todas, mas ele sabe que está a cometer um crime (secular e religioso). Em suma ele não sabe onde se há-de meter. Não admira pois que Isaac Bashevis Singer não seja bem recebido pelo seu povo. A sua criação, Herman, é assistente de um rabino, escreve sobre temas religiosos, mas encontra-se no centro de uma comédia sexual que não tem defesa possível. Pelo que sei este tipo de personagem aparece em outras obras do escritor nobelizado e é em certo sentido uma projeção do autor. Excelente romance. Póvoa de Varzim 01.2020 4/5

Death Comes To Pemberley (P. D. James, 2011)

P. D. James é a rainha do crime (para mim é, com certeza) e a sociedade inglesa (e londrina) contemporânea é o seu campo de ação. O crime revela muito da sociedade em que ele acontece. Mas desta vez, a escritora volta-se para o período em que viveu Jane Austen, que também falava da sua época nos seus romances. A escritora de policiais introduziu um crime na famíilia que encontramos num dos romances mais famosos de Austen, Pride and Prejudice. Sem surpresa, o crime é visto pela boa família Bennet como uma mancha na história familiar, que aliás já estava manchada por um crime não punido, quando em tempos um caseiro da família foi condenado à morte por ter roubado um animal de um vizinho. Gosto mais dos romances contemporâneos de P. D. James, mas esta incursão histórica tem vários motivos de interesse. Melun 06.2020 (3,5/5)

L'École des Femmes (André Gide, 1929)

 
Um romance interessante, mas menor, de André Gide sobre a condição da mulher no tempo da primeira Grande Guerra. Lemos um diário e outros textos de carácter confessional de Eveline desde o seu noivado com Robert, a quem vai sacrificar as suas vontades para permitir que ele brilhe na sociedade, até ao sacrifício a que ela própria se submete voluntariando-se para ajudar num hospital de doenças contagiosas, onde acaba por morrer. Leitura em Espanha (de passagem) 2020 (3/5)

Daisy Miller (Henry James, 1878)

DAISY MILLER (1878)

Uma novela extraordinária que inspirou um grande filme de Peter Bogdanovich. O encontro de dois jovens americanos ricos na Europa, Mr Winterbourne e Miss Daisy Miller. Movem-se na mais alta sociedade, que tem regras apertadas de controlo social, e tem formas de punir quem se desvia dos comportamentos esperados. Daisy Miller pisa a linha sem discrição e a natureza alia-se à sociedade para puni-la de forma trágica. Paris 09.2020 (4,5/5)

BIBLIOTECA:
JAMES, Henry (5) The Portrait of a Lady (1881) L'Élève / The Pupil (1891) Calafrio  /  The Turn of the Screw (1898) A Fera na Selva / The Beast in the Jungle (1903) La source sacrée / The Sacred Fount

Espinosa Sem Saída (Luiz Alfredo Garcia-Roza, 2006)

Uma nova história do investigador da polícia que não sai de Ipanema/Copacabana. Desta vez um mendigo perneta é encontrado morto numa rua sem saída de Copacabana. Nem a identidade do pobre se encontra sem uma aturada investigação, quanto mais o seu assassino. Mas Espinosa quer levar a coisa até ao fim, e para isso vamos conhecendo algumas figuras da classe média alta que habita e trabalha (quando é o caso) em Ipanema. Um bom policial carioca. VC 11.2020 (3/5)

Biblioteca SHAKESPEARE

Shakespeare (2006)
Autor: Claude Mourthé
Folio Biographies n°18
BIBLIOTECA
Leituras 04.2020

Primeira edição: 
Gallimard "Découvertes", 1991
Autor: François Laroque

Como é sabido, conhecemos muito pouco sobre Shakespeare, o homem. E no entanto ele escreveu algumas das obras mais eternas da literatura e por elas foi reconhecido em vida, referido em muitos documentos e agraciado pelos reis. Quando era vivo apenas foi publicada a sua obra poética, sendo os Sonetos o seu livro mais importante. As suas peças, tragédias ou comédias, foram muito representadas pelas principais companhias de teatro da altura, inclusive os grupos patrocinados pelos reis (Queen Elizabeth e King James). Não foram publicadas para não serem utilizadas por outras companhias, para permanecerem um exclusivo dos grupos para os quais Shakespeare (também ator) trabalhava. Em 1623, dois amigos atores reuniram todas as peças do Bardo e publicaram-nas no First Folio, que é desde então a referência para a edição e a representação das peças. Esta biografia revelou-me mais coisas sobre o teatro em Londres na viragem do século 16 para o século 17 do que sobre Shakespeare, do qual vamos acumulando muitos factos e interpretações à medida que lemos sobre as suas peças ou quando as vemos. Pouco antes da época de Shakespeare o teatro era rudimentar e confundia-se com outros divertimentos de feira. Mas na segunda metade do século 16 já havia em Inglaterra algumas obras teatrais marcantes como o Doctor Faustus de Christophe Marlowe (1589). A geração de Shakespeare mudou a cena teatral para sempre. E a Londres moderna, com muitos teatros fixos espalhados pela cidade, começava ali. Vila do Conde 12.2019 Nota: 4/5

Courteline (Emmanuel Haymann, 1990)

 
COURTELINE (1990)

Não foi das biografias de que mais gostei de ler. É difícil hoje entender a importância de Courteline no seu tempo. Foi um grande escritor cómico, mas de formas breves que chegam dificilmente até nós, muitas vezes restritas à imprensa e publicadas em livro posteriormente. Como um grande cómico de televisão e de teatro: como será conhecido no futuro, quando os seus contemporâneos desaparecerem todos? Courteline era filho de um grande autor de operetas, íntimo de Offenbach. O filho seguiu-lhe as pisadas mas fez se menos discreto do que o pai. Para mim, Courteline junta-se a Labiche e a Feydeau entre os grandes autores da comédia da Belle Époque. VC 12.2020 3/5

Bernard Shaw (1962)

 
Ensaio de Margaret Shenfield (1962)
Bernard Shaw foi um dos mais célebres escritores do seu tempo, tendo recebido a consagração máxima do Nobel. Leu e escreveu muito sobre filosofia e política, foi crítico de arte e depois crítico de teatro, escreveu romances que não vingaram, mas foi como dramaturgo que ficou conhecido e deve hoje uma certa posteridade. Escreveu algumas dezenas de peças, mas apenas três ou quatro interessam os teatros e o público de hoje. Ficou à sombra do seu grande ídolo, Ibsen, do qual foi um dos grandes defensores em Inglaterra. Para mim, Bernard Shaw será para sempre o autor de Pygmalion (1913), que inspirou um belo filme (1938), um musical da Broadway (My Fair Lady, 1956) e um filme musical sublime (My Fair Lady, 1964). Vila do Conde 02.2020 3/5

Biblioteca T. WILLIAMS

 
TENNESSEE WILLIAMS (2010)
Autor: Liliane Kerjan
Folio Biographie Nº72, 2010
BIBLIOTECA

Uma excelente introdução à vida e à obra de Tennessee Williams, um dos maiores dramaturgos americanos. Peças como A Streetcar Named Desire ou Suddenly Last Summer não só deram origem a clássicos do cinema (assinados, respetivamente, por Elia Kazan e Joseph Mankiewics) como continuam a ser representados todos anos em todo o mundo. Talvez seja mais representado do que qualquer um dos seus colegas americanos. A leitura da biografia de um criador leva quase sempre o leitor a concluir que as obras criadas pelo biografado são mais autobiográficas do que ele julgava. Por trás da diversidade das obras há uma certa unidade dos temas, das relações entre personagens ou dos dramas (entre outros elementos das obras). Tennessee Williams expôs-se nas suas peças como poucos criadores, sobretudo através das personagens femininas. Por exemplo a relação estreita que sempre manteve com a irmã, doente durante toda a sua vida. Williams venerava-a e essa relação aparece na sua obra. Excelente livro. Paris 10.2020 5/5
TENNESSEE WILLIAMS (1972)
Autor: Jeanne Fayard
Seghers Théâtre de tous les temps 1972
BIBLIOTECA

As Regras do Jogo. O Teatro da Cornucópia (1999)

 
Ensaio de Carlos Alberto Machado
As Regras do Jogo. O Teatro da Cornucópia e a Crítica, 1973-1995 (Frenesi, 1999), de Carlos Alberto Machado é na origem uma tese de mestrado defendida em 1998. Felizmente transformada em livro. Tudo é de louvar nesta obra. A muita informação disponibilizada sobre todos os espetáculos da Cornucópia, as boas sínteses sobre o campo do teatro à época da criação da companhia, a apresentação dos críticos de teatro no período considerado, a discussão do projeto da Cornucópia à luz das reflexões apresentadas nos programas dos espetáculos e das análises e apreciações dos críticos. A Cornucópia foi talvez a companhia de maior prestígio entre as que iniciaram o movimento do teatro independente no início dos anos 70. Este livro permite sustentar essa afirmação, com base na análise da reação da crítica aos espetáculos da companhia ao longo de 20 anos. VC 08.2020 N3.5/5

História do Teatro Português (1968)

Ensaio de Luiz Francisco Rebello

Não há muitas histórias do teatro português. Esta, de Luiz Francisco Rebello, é uma das mais conhecidas. É uma história breve, publicada inicialmente pelas Publicações Europa-América, na coleção «Saber» em 1968. Li a 3ed revista e aumentada. O teatro português sofre muito em comparação com as grandes dramaturgias nacionais: Gil Vicente, Castro, Garrett e poucos mais. Um repertório escasso cujo conhecimento alargado depende demasiado da escola. Outras áreas artísticas tiveram um pouco mais de sorte. Gostei sobretudo de conhecer a modernização do teatro em Portugal a partir dos anos 50. Muitos dos seus protagonistas ainda estão connosco e não imaginava que eles vinham de tão longe... Vila do Conde, agosto de 2020 N3.5/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F