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Léonie est an avance (Feydeau, 1911)

Vi no Guichet Montparnasse esta deliciosa comédia do grande Feydeau numa boa encenação. Uma mulher grávida dá sinais de estar prestes a dar luz, um mês antes do tempo esperado. Tal facto provoca a histeria entre os familiares mais chegados... Feydeau vintage. Paris 02.2015:  3,5/5

Lettres à Nour (Rachid Benzine, 2018)

Uma jovem francesa, filha de um filósofo universitário de fé muçulmana, parte para o Iraque para se juntar aos djhiadistas. Nunca mais verá o pai, com o qual troca cartas que testemunham a evolução da sua situação até ao desenlace trágico. O texto foi escrito e é interpretado por Rachid Benzine. Paris 10.2018 Bouffes du Nord 2/5

Demi-Véronique (2018)

Demi-Véronique (2018) é uma criação coletiva dos seus três intérpretes: Jeanne Candel, Caroline Darchel e Lionel Dray. Inspirando-se na V Sinfonia de Mahler, os três propõem uma série de cenas cómicas (na sua maior parte), num cenário de terra devastada. Paris 11.2018 2/5

Jazz Club & Talons Aiguilles (2014)

Há dias, a convite de uns amigos, vi um espetáculo teatral-musical no Théâtre Le Ranelagh, uma sala toda em madeira esculpida. Assistimos a um show do grupo vocal feminino Sweet System, que cantou muitas canções da tradição americana ligada à Broadway e ao jazz, passando também pelos Beatles. Paris 02.2014

À Vos Marques (2022)

Uma peça de teatro interessante sobre a procura de emprego nos dias de hoje. Crueldade e non sens dominam o processo por que passam os candidatos a uma vaga que nem o smic garante. Paris 09.2022 Théâtre de Belleville 2,5/5

Majorana 370 (2019)

Majorana 370 é a história de um físico italiano de génio que desapareceu misteriosamente em 1938. Os seus colegas de pesquisa fugiram do fascismo para os EUA e ganharam o Nobel. A peça escrita por Florient Azoulay e Elisabeth Bouchaud, e encenada por Xavier Gallais, adiciona uma história dos dias de hoje que tem pouco interesse e dispersa a nossa atenção pela história bem interessante de Ettore Majorana. Paris 12.2019 Théâtre La Reine Blanche 2/5
Com Manon Clavel, Marie-Christine Letort, Benjamin Guillet, Anthony Moudir, Jean Baptiste Le Vaillant, Meganee Ferrat, Alexandre Manson, Simon Rembado

Tailleur pour dames (Feydeau, 1886)

Feydeau garante sempre momentos de comédia ligeira mas ao mesmo tempo de qualidade perene: passado mais de um século continuamos a rir com o cómico de situação de que é rico o seu teatro. Três casais às voltas com problemas de infidelidade, afinal o tema preferido do teatro de boulevard. Paris 06.2015 Théâtre de Montparnasse 3/5

Brasseur et les Enfants du Paradis (Daniel Colas, 2016)

Excelente ideia e realização de Daniel Colas e Alexandre Brasseur. Visitar os bastidores do mítico filme Les Enfants du Paradis (1945) por um dos seus principais intérpretes, Pierre Brasseur. O filme teve uma produção bastante atribulada durante a ocupação alemã da França. No monólogo de Alexandre Brasseur (neto de Pierre), surgem em primeiro plano as questões políticas, mas também é evocada Arletty, protagonista do filme. Paris 12.2016 Théâtre du Petit Saint-Martin a convite e na companhia de B. 3/5

Eugène Onéguine (Pouchkine)

Eugène Onéguine, o clássico de Pouchkine, foi adaptado para o teatro por Rimas Tuminas, encenador do Teatro Vakhtangov, de Moscovo. A companhia apresentou-se no Théâtre Marigny e deu um espetáculo inesquecível, quase musical, e que tanto agradou ao público, em boa parte russófono. Paris 09.2019 Théâtre Marigny 4/5

Une Sainson en enfer, de Rimbaud

Poucas vezes tenho a oportunidade de ouvir ou ver poesia encenada ou recitada. Mas quando acontece, gosto bastante. No domingo passado, a convite de uns amigos, fomos assistir a um espetáculo que está em digressão há vários anos. Trata-se de Une Saison en enfer, o famoso poema de Arthur Rimbaud, que é encenado por Benjamin Porée e brilhantemente interpretado por Mathieu Dessertine, num solo de 1h15m. À saída do teatro (às portas de Paris, em Ivry) comentávamos que o texto é exigente e denso e merecia uma iniciação prévia, sobretudo para quem o francês não é língua materna. Talvez. No entanto, o texto poético não se desvenda completamente (nem pouco mais ou menos) numa primeira abordagem, audição ou leitura, antes vibra em nós de forma diferida no tempo permitindo-nos desse modo a sua compreensão. 02.2014
Mathieu Dessertine

Notre cher Anton (2018)

Catherine Salviat é atriz societária da Comédie-Française que concebeu e interpreta no Artistic Théâtre um espetáculo que tem a forma de uma declaração de admiração e amor irrestritos pelo artista e pelo homem Anton Tchekhov. Quem partilha, como eu, desse amor, ficará encantado com essa encenação pessoal de textos literários e outros textos privados e íntimos que, apresentados sob a forma de mosaico, dão-nos um retrato expressivo do grande criador russo. Paris 06.2018 (4/5)

La cantatrice chauve (Ionesco, 1950)

La cantatrice chauve é um clássico do teatro do absurdo, um teatro para o nosso tempo, como bem revela a encenação histórica de Jean-Luc Lagarce, de 1991, e que é agora apresentada, com o mesmo elenco da época, no Théâtre de l'Athénée. Um espetáculo único. Paris 02.2018 4/5
Mise en scène de Jean-Luc Lagarce (1991)
com 
Jean-Louis Grinfeld (M. Smith)
Mireille Herbstmeyer (Mme Smith)
Olivier Achard (M. Martin)
Emmanuelle Brunschwig (Mme Martin)
Marie-Paule Sirvent (Mary, a criada) 
François Berreur/Christophe Garcia (Bombeiro)

Les règles du savoir-vivre dans la société moderne (Lagarce, 1994)

Lagarce escreve sobre as regras burocráticas e consagradas pela sociedade sobre a vida dos cidadãos desde o seu nascimento até à morte. Um texto pouco dramatúrgico mas divinamente interpretado por Catherine Hiegel. 
Les règles du savoir-vivre dans la société moderne (1994), encenação de Marcial di Fonzo Bo, com Catherine Hiegel, Paris 10.2021 Théâtre du Petit Saint-Martin 4/5

A Streetcar Named Desire

Paris 6.04.2024 
Théâtre des Bouffes Parisiens 4/5

PEER GYNT (1867)

A OBRA (Ibsen, 1867)

GÉNERO Lesedrama (1867),  Peça musical (1876) AUTOR Henrik Ibsen MÚSICA Edvard Grieg CRIAÇÃO Oslo 24.02.1876 Christiania Theatre 


O ESPETÁCULO (T. Châtelet, 2025)


ENCENAÇÃO Olivier Py DIREÇÃO MUSICAL Anu Tali & Orchestre de Chambre de Paris INTÉRPRETES Bertrand de Roffignac (Peer Gynt), Raquel Camarinha (Solveig), Céline Cheene (Aase), etc. DATA 11.03.2025 SALA Paris: Théâtre du Châtelet NOTA 3.5/5


A MIDSUMMER NIGHT'S DREAM (1596)

O ESPETÁCULO (Paris, 2025)

VISTO: Paris 07.01.2025 Théâtre de la Ville NOTA: 3/5


O ESPETÁCULO (TNO, 2021)
 

Com poucos meios, mas com bons atores e imaginação, o Théâtre du Nord-Ouest apresenta uma versão lúdica que capta bem o espírito do teatro renascentista inglês. A Midsummer Night's Dream, de Shakespeare, é uma peça que alia féerie e drama ligeiro, um divertimento de corte, mas em que o povo e a cultura popular são convocados à festa. A peça centra-se nos amores de quatro jovens, sob o olhar atento (e a autoridade) dos adultos. Os astros vão ocupar-se de unir os jovens e assegurar a harmonia geral. Paris 09.2021 TNO 4/5
Encenação de Frédéric Therisod. Com Yassine Amani, Julia Beauquesne, Jean Louis Besnard, Ophelia Blatner, Victor Brusset, Marianne Carion, Nathalie Charade, Héloïse Cunin, Daniela D'aria, Achel Hadas-Lebel, Geneviève Jadot, Joana Kojundzic, Jean Pol Lacombe, Anne Langlois, Béatrice Mandelbrot, Jean Marzouk, Antoine Masurel, Alain Michel, Lila Pelissier, Jean Luc Poncy, François Savioz, José Manuel Saraiva, Frédéric Therisod

La Veuve Rusée (2024)

LA VEDOVA SCALTRA (Veneza, 1748)
Adaptação e encenação de Giancarlo Marinelli
INTÉRPRETES: Caterina Murino, Sarah Biasini, Thierry Harcourt, Tom Leeb, Pierre Rochefort

Programa do espetáculo
BIBLIOTECA

Une des dernières soirées de Carnaval (Goldoni, 2019)

Poucas vezes me senti tão entusiasmado com um espetáculo de teatro. Une des dernières soirées de Carnaval, de Goldoni, na mise en scène de Clément Hervieu-Léger, é o trabalho de equipa mais impressionante que vi. Parece que fui convidado para o serão desta família e amigos que se juntam para jantar, jogar, dançar e conviver como se o mundo acabasse no dia seguinte. Mas na verdade para quase todos eles a vida recomeçaria, diferente, depois desta noite. O anfitrião e a filha e os respetivos companheira e companheiro  (confirmados nesse serão) viajariam para a Rússia em breve, assim como Goldoni, dias depois da criação desta peça, partiria para o seu exílio (voluntário) em Paris, onde permaneceria até ao fim da vida. Renovo a paixão que tenho por Goldoni, apesar de pouco conhecer dele. Paris 11.2019 Théâtre des Bouffes du Nord 5/5

LES IDOLES (2018)

A OBRA:
AUTOR: Christophe Honoré CRIAÇÃO: Lausanne 13.09.2018 Théâtre Vidy-Lausanne 

AUTOR & ENCENAÇÃO: Christophe Honoré INTÉRPRETES: Harrison Arévalo (Cyrill Collard), Jean-Charles Clichet (Serge Daney), Marina Foïs (Hervé Guibert), Julien Honoré (Jean-Luc Lagarce), Marlène Saldana (Jacques Demy), Paul Kircher (Bernard-Marie Koltès) VISTO: Paris 23.01.2025 Théâtre Porte Saint-Martin
 
O universo de Christophe Honoré, que se exprime no cinema e no teatro, interessa-me cada vez mais. O seu filme Plaire, Aimer, Courir Vite é um dos meus filmes preferidos do ano passado e quero muito rever Les Chansons d'Amour. Les Idoles é outra excelente obra de Honoré. Encena o encontro post-mortem de seis grandes nomes da arte francesa que morreram de SIDA, eram homossexuais e tinham, naturalmente, uma relação muito desigual com essa condição. Les Idoles foi criado em setembro de 2018 no Théâtre Vidy-Lausanne. Os atores que interpretam aqueles  fantasmas são notáveis sem exceção: Youssouf Abi-Ayad (Bernard-Marie Koltès), Harrison Arévalo (Cyrill Collard), Jean-Charles Clichet (Serge Daney), Marina Foïs (Hervé Guibert), Julien Honoré (Jean-Luc Lagarce), Marlène Saldana (Jacques Demy),  e ainda Teddy Bogaert (Bambi Love). Uma reunião de artistas e intelectuais de vanguarda só poderia dar origem a confrontos de ideias e posições ideológicas, assim como maledicências que farpam muitas personalidades da época em que viveram. Name-dropping é o que não falta nesta peça, mas alguns nomes ganham vida (digamos assim) e são o centro de atenções de todos. É o caso de Elisabeth Taylor, defensora da causa gay, muito ativa no apoio dado a Rock Hudson (outro nome muito citado). Um belo espetáculo que passa em revista toda uma época. Paris 02.2019 Théâtre de l'Odéon 4/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F