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Preuve d'amour (Edith Wharton, 2005)

Preuve d'amour (Edith Wharton, 2005)
Éditions Flammarion 2005
Contos, tradução e introdução de Jean Pavans
BIBLOS ???

Summer (Edith Wharton, 1917)


Este romance faz este ano precisamente um século. A sociedade descrita no romance mudou muito, mas não mudou o prazer que dá a sua leitura. Gostei mais, porém, dos outros dois textos de Wharton lidos antes deste: Souls Belated e Ethan Frome. A protagonista de Verão (ou Sussurros de Verão, na versão que li) é Charity Royall, filha adotiva do advogado Royall, grande eminência da pequena localidade onde vivem. Charity é muito jovem e desperta para o amor e a sensualidade, mas as suas origens mais do que modestas (ela vem de Montanha, uma aldeia isolada, povoada por seres discriminados como hoje são os ciganos) determinam o seu destino tenebroso. Ela é cortejada por um jovem com cultura muito superior à sua e da grande cidade, mas também é assediada pelo próprio padrasto, que tudo faz para casar com ela. Um notável romance que fala de questões ousadas. VC 2017 4/5

Ethan Frome (Edith Wharton, 1911)


Tão cedo não esquecerei esta história e estas personagens, Ethan, Zeena e Mattie, condenados a viver na mais absoluta pobreza à espera... do fim. Ethan e Zeena são casados, e Mattie, sendo parenta de Zeena, é criada do casal. O único calor da casa isolada onde habitam vem do amor entre Ethan e Mattie, amor não confessado nem consumado. A atmosfera da novela é sombria e pesada como nas tragédias, mas nada acontece como nas tragédias. Os três são tomados pela inércia, não conseguindo reagir ao que o destino lhes serviu. Ethan Frome é uma obra-prima. VC 08.2017: 5/5

Souls Belated (Edith Wharton,1899)

Souls Belated é um conto sobre um casal de amantes apanhados pelos preconceitos que regiam a sociedade aristocrática da viragem do século XIX/XX. Lydia acaba de receber a notícia (esperada) do seu divórcio, mas esse facto faz nascer uma crise na relação com o seu amante Gannett, que pretende no entanto desposá-la. Lydia desejava a liberdade conjugal mas dá-se conta agora de que o passado de mulher casada torna o futuro angustiante. Este conto representa bem o tom e a temática da obra de Wharton, assim como a qualidade da sua escrita. VC 2017 4/5

Les règles de la fiction (Edith Wharton, 1925)

 
Les règles de la fiction (Edith Wharton, 1925)
Éditions Viviane Hamy 2006
Tradução e introdução de Jean Pavans
BIBLIOTECA

Edith Wharton (Diane de Margerie, 2000)

 
Edith Wharton (Flammarion, 2000)
Comprei este livro pensando ser uma biografia de Edith Wharton. Mas não é. Diane de Margerie, que traduziu para francês várias obras de Wharton e prefaciou outras tantas, tornou-se íntima do universo romanesco da escritora americana a ponto de tentar um retrato da escritora que se inspira tanto nas suas obras como na sua vida. Wharton é um daqueles escritores que se expôs, nas dimensões mais íntimas do seu ser, nas personagens, nas tramas e nas situações dos seus romances, novelas e contos. De forma oblíqua, obviamente. O efeito conseguido por Margerie é o mais positivo: desbrava a complexidade da obra de Wharton ao mesmo tempo que aguça a curiosidade do potencial leitor para os livros da autora. Edith teve uma relação complicada, distante, com a mãe, e o pai primou pela ausência. Em adulta apenas teve grandes amizades masculinas, nomeadamente com homossexuais (latentes ou não), como Henry James, Walter Berry e Morton Fullerton (com este último teve a sua única paixão consumada). Se estas amizades masculinas aparecem nas suas ficções, é a mulher que ocupa o seu centro. As mulheres da sua sociedade não têm grande liberdade de ação, mesmo aquelas da velha aristocracia de Nova Iorque, a que Wharton tanto se dedicou. Wharton tornou-se numa escritora reconhecida e, ao contrário do seu grande amigo e mentor Henry James, numa escritora muito popular, com vários best-sellers. Wharton admirava as suas personagens-mulheres que lutavam contra as armadilhas e preconceitos sociais e desprezava aquelas que contribuíam para a reprodução desses constrangimentos. Tornar-se escritora, conquistar a room of one's own, como defendia Virgina Woolf, foi sem dúvida o grande feito desta grande escritora, que vou querer visitar muitas vezes. VC 2017 4/5

Contos de Odessa (Babel)

Contos de Odessa Isaac Babel Relógio D'Água Leituras, outubro de 2026