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OUR TOWN

Our Town (Sam Wood, 1940)
Our Town não envelheceu bem, para um filme que foi nomeado para 5 Oscars: melhor filme, score (Aaron Copland), atriz principal  (Martha Scott) e som. Talvez por adaptar de forma demasiado fiel a peça de Thornton Wilder, muito apreciada na época (mas que também desapareceu um pouco dos palcos). Trata de um tema caro aos americanos, o elogio do seu modo de vida, dos seus valores, do apego à terra e à família. Sobre a vida ideal nas pequenas cidades, aquelas em que o espírito americano melhor se exprime. Com William Holden e Martha Scott. Vila do Conde 12.2019 (2/5)

La Demande en mariage & L'Ours (Anton Tchekhov)

Duas comédias em um acto com uma história semelhante: um homem e uma mulher discutem e agridem-se até (quase) à morte, mas acabam nos braços um do outro. Esta veia cómica de farsa é inesperada em Tchekhov, mas as personagens mais desajeitadas e mais frageis antecipam algumas das personagens das suas grandes peças. E há aquelas frases que ecoam outras mais famosas : "Quand on réfléchit, qu'on hésite en attendant de trouver le parfait amour, on ne se marie jamais!". Paris  01.2019 TNO 4/5
L'Ours: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Louka), Rose Raguel (Elena Ivanovna Popova) e Thomas Sans (Grigori Stépanovitch Smirnov)
La Demande en mariage: encenação de Sébastien Scherr, com Cyril Damet (Ivan Vassilievitch Lomov), Thomas Sans (Stepan Stepanovitch Tchouboukov), Cynthia Soto (Natalia Stepanovna)

Tatiana Repina (Tchekhov, 1889)

Uma peça muito curta e rara que pouco tem a ver com as grandes peças de maturidade de Tchekhov. Tudo se passa durante a cerimónia de casamento (segundo o ritual ortodoxo) de um jovem casal, que é perturbada pelo aparecimento do fantasma de uma amante do noivo, que se suicidara dias atrás. O noivo fica nervosíssimo e quase estraga a cerimónia. Uma boa produção com todos os acessórios do ritual ortodoxo trazidos certamente de uma igreja. Paris 03.2019 TNO 2/5
Elenco: Tibrizi Amari, Fanny Balesdent, Isabelle Erhart, James Neyraud, Jean-Louis Wuillemin, Roberto Zibetti,  Metteur en scène : Isabelle Erhart 

Tragédien malgré lui & Un Jubilé (Tchekhov)

Um espetáculo com duas breves peças de um ato. Duas peças cómicas encenadas por Alain Bonneval. Esta comicidade tão invasora era-me desconhecida no teatro de Tchekhov. Um cómico que lembra Gogol. Na primeira peça, um homem insiste em matar-se porque é explorado por todos... O humor como bom aliado da crítica social. Paris 04.2019 TNO 4/5

Une nature énigmatique (Tchekhov, 2019)

Une nature énigmatique é um espetáculo que apresenta bem o universo de Tchekhov. Odile Mallet & Geneviève Brunet adaptam para teatro três contos do autor russo e entrelaçam as histórias. Com Geneviève Brunet, Vincent Gauthier, Odile Mallet, Catherine de Précourt, Pierre Sourdive. Paris 06.2019 TNO 3/5

Majorana 370 (2019)

Majorana 370 é a história de um físico italiano de génio que desapareceu misteriosamente em 1938. Os seus colegas de pesquisa fugiram do fascismo para os EUA e ganharam o Nobel. A peça escrita por Florient Azoulay e Elisabeth Bouchaud, e encenada por Xavier Gallais, adiciona uma história dos dias de hoje que tem pouco interesse e dispersa a nossa atenção pela história bem interessante de Ettore Majorana. Paris 12.2019 Théâtre La Reine Blanche 2/5
Com Manon Clavel, Marie-Christine Letort, Benjamin Guillet, Anthony Moudir, Jean Baptiste Le Vaillant, Meganee Ferrat, Alexandre Manson, Simon Rembado

Sur la Grande Route (Tchekhov, 1885)

A peça Sur la Grande Route foi escrita em 1885 mas só foi publicada e representada depois da morte do autor. A censura do Estado russo não viu com bons olhos o mundo miserável, sórdido, e negro que a peça apresenta. Uma noite numa taberna onde se refugiam os mais pobres da sociedade, com frio e fome, e dependentes de vodka. Entre eles um ex-aristocrata rico que perdeu a fortuna por traição da mulher. O discurso misógino aparece de quando em vez na peça e a violência e as constantes disputas nascem da frustração de cada um. Uma peça rara de Tchekhov e a menos interessante que vi até hoje. Paris 03.2019 TNO 3/5
Théâtre du Nord-Ouest em 2019, encenação de Virginie Lisb, com Olivier Bonnin, Cochise Chevallereau, Stéphane Dolbakian, Arthur Fournis, Isabelle Gasquet, Frédéric Morel, Alexandre de Pardailhan, Gosia Wnek, Noé N'Sémi. 

Une noce (Tchékhov, 1890)

Une Noce é uma farsa em um acto de Tchekhov sobre uma festa de casamento onde tudo corre mal. Os pais de uma jovem recebem os convidados que pouco a pouco descobrem os pormenores monetários do casamento: a jovem contribui com um dote significativo enquanto o noivo manifesta o interesse, acima de qualquer outro, em receber esse dote. O clima da festa azeda-se com as sucessivas revelações. Mais uma peça que me permite conhecer um Tchekhov desconhecido para mim, realista e ao mesmo tempo farsesco, qualidades bem defendidas pela produção a que assisti no Théâtre du Nord-Ouest, encenada por Éric Auvray. Excelentes atores: Clémence Albert, Irène Assayag, Marc Chouppart, Jean-Pierre Cliquet, Laure Guizerix, Gauthier Leroy, Radoslav Majerik, Jean-Pierre Méjan, Gérard Théruel, Corentin Voiseux, Marie Wauquier. Paris 02.2019 TNO 4/5

La dame au petit chien (Tchékhov, 2019)

La dame au petit chien é um dos contos mais famosos de Tchekhov. Há pelo menos um filme russo célebre que adapta o conto. Em teatro continua a ser uma história maravilhosa...de adultério. Numa estância de férias uma mulher acompanhada de um pequeno cão, casada mas livre do marido por alguns dias, não recusa o flirt de vários veraneantes, mas um deles, também casado, saberá conquistar o seu amor. Contra a vontade de ambos, não será um flirt de verão, mas um amor de todas as estações do ano. A produção que vi no Théâtre du Nord-ouest, com excelentes atores e a cachorrinha Chélimène, acerta no tom levemente melancólico e sobretudo divertido que a história pede. A rever, certamente. Paris 03.2019 TNO 4/5
Théâtre du Nord-Ouest (2019). Encenação de Love Bowman, com C'hélimène, Jean-Luc Chapalain, Eric Veiga.

Le Sauvage ou l'Homme des Bois (Tchekhov, 1889)

Le Sauvage é uma versão tosca de Tio Vânia. Ambas as peças têm em comum as personagens e boa parte das cenas e das falas. Mas Tchekhov transformou uma boa peça numa outra genial. Com esta integral do Théâtre du Nord-ouest, descobri que Tchekhov levou tempo a atingir o saber e a técnica dramatúrgicos que o elevaram ao topo do teatro universal. No início peças apenas interessantes e modestas, nos últimos anos de vida pelo menos quatro obras-primas que estão entre o que melhor se fez para o teatro. Paris 04.2019 TNO 3/5

Fort comme la mort (Maupassant, 1889)

Maupassant escreveu o romance Fort comme la mort (1889), Joseph Dekkers adaptou-o para o teatro. Olivier Bertin, um pintor consagrado, tem uma amante (Anne de Guilleroy) há muitos anos, uma relação mais fiel do que os casamentos dos dois. Mas a filha da amante torna-se uma mulher jovem e bela que lembra ao pintor a beleza da amante na juventude. Essa atração é irresistível mas platónica, não deixando de atormentar Anne, cada vez mais ciumenta. A produção criada no âmbito da Intégrale Maupassant au Théâtre du Nord-Ouest tem como encenador Olivier Bruaux e interpretações de Joseph Dekkers (Bertin), Marie-Béatrice Roy (Anne de Guilleroy), Michel Molinier, Antoine Masurel, Jocelyne Bourgeois, Clara de Ro. Paris 03.2019 TNO 3.5/5

L’Étoile sans nom (Mihail Sebastian, 1944)

Mihail Sebastian é um grande escritor romeno, cuja obra, no essencial (ficção, teatro e diários), está publicada em França. A sua peça de teatro L’Étoile sans nom (Steaua fără nume, 1944) ganhou notoriedade com o filme francês de Henri Colpi (1966). Agora uma jovem encenadora russa, Daria Konstantinova, com uma boa equipa constituída por Olivier Salomon, Jeremy Margue, Solenn Persenico, Mitch Jean, Lucie Cloteaux, Dimitri Kamenka, Arthur Valente, Benjamin Gray, Lisa Hurel, ressuscita uma obra interessante pouco lembrada. A história? Numa pequena povoação um jovem cientista, idealista e delicado, que vive para a sua paixão pelos livros e pelo conhecimento, encontra uma mulher bela, que pertence ao mundo oposto ao seu: sofisticado, boémio, dominado pelo dinheiro, brutal. Os dois vão mesmo assim cair nos braços um do outro, mas a ilusão vai durar... uma noite. Paris 09.2019 TNO 3/5

Eugène Onéguine (Pouchkine)

Eugène Onéguine, o clássico de Pouchkine, foi adaptado para o teatro por Rimas Tuminas, encenador do Teatro Vakhtangov, de Moscovo. A companhia apresentou-se no Théâtre Marigny e deu um espetáculo inesquecível, quase musical, e que tanto agradou ao público, em boa parte russófono. Paris 09.2019 Théâtre Marigny 4/5

Une mégère apprivoisée (Jean Marzouk, 2019)

Une mégère apprivoisée, não a de Shakespeare, mas a inédita de Jean Marzouk (ambém encenador e ator principal), é uma peça de ficção científica, que encena um futuro possível em que os cidadãos mais felizes pagarão um imposto para compensar os menos afortunados. Questões identitárias, discriminação, exploração entre os povos, emigrantes, etc., tudo é abordado nesta história absurda mas com evidentes ecos na realidade atual. Com Marie Cécile Gueguen, Tibrizi Amari e Jean Marzouk. Paris 11.2019 TNO 2/5

All About Eve (Joseph L Mankiewicz, 2019)

No Noel Coward Theatre (Londres) uma peça está a dar muito que falar. All About Eve é um filme de 1950 com interpretações míticas de Bette Davis e Anne Baxter e a marca da inteligência do seu criador, Joseph L. Mankiewicz. Agora All About Eve é também uma peça de teatro, baseada no argumento de Mankiewicz, criada por Ivo van Hove, que utiliza a filmagem de certas cenas como meio de expressão já visto noutros trabalhos seus. Sem fazer esquecer Davis e Baxter, Gillian Anderson (Margo Channing) e Lily James (Eve Harrington) merecem os maiores elogios nesta história de ambição (Eve) e decadência (Margo). Com Monica Dolan (Karen Richards), Rhashan Stone (Lloyd Richards), Sheila Reid (Birdie). Londres 04.2019 4/5

O Mercador de Veneza (Shakespeare, 1597)

O Mercador de Veneza é uma peça polémica, centrada no judeu Shylock, que exige uma libra da carne do armador Antonio, que não consegue pagar a dívida que contraiu junto daquele. Shylock é abandonado pela filha, que leva consigo o dinheiro e as joias do pai e junta-se aos cristãos. Shylock quer vingança a todo o custo, a que tem direito segundo a lei de Veneza, vingança por todas as humilhações que vive como judeu. Comédia? Sim, também. Bom trabalho coletivo do Théâtre du Nord Ouest. Encenação de Jean-Luc Jeener, com Julia Beauquesne, Olivier Bruaux, Frédéric Franzil, Bernard Lefèbvre, Hervé Maugoust, Fabrice Michal, Alexandre de Pardailhan, Hélène Robin, Rose Raguel, Ewelina Silkowska, Paul Wagner. Paris 01.2019 TNO 3/5

Le Pays Lointain (Jean-Luc Lagarce, 1995)

Le Pays Lointain é a última obra de Lagarce, tendo sido publicada no mês em que o autor morreu. Para mim é uma espécie de remake de Juste la fin du monde. Mesma história, personagens semelhantes. Louis, um escritor de 40 anos regressa à casa da família, depois de muitos anos de ausência, para anunciar a sua morte, que deverá ocorrer nos meses seguintes. A sua visita aciona todas as frustações e mágoas que não poupam nenhum dos membros da família. Sabemos que os problemas internos das famílias traduzem-se muitas vezes por grande violência verbal (e física) e pela repetição ad nauseum dos mesmos lamentos e acusações. Foi penoso assistir a uma tempestade familiar durante quatro horas. Já tinha visto isto em Juste la fin du monde, não há grande novidades neste Pays Lointain, a não ser que nesta última peça Louis está acompanhado da família escolhida, os seus amigos e o amante do momento. Paris 04.2019 Odéon 3/5

Monsieur Barnett (Jean Anouilh, 1967)

Monsieur Barnett está no barbeiro, cortam-lhe o cabelo e fazem-lhe as unhas. O barbeiro e a manicure têm Barnett em grande estima (como cliente) e não param de insinuar a sua alta categoria social. Mas Barnett está prestes a morrer naquela cadeira de barbeiro e só quer ver-se livre dos dois insuportáveis empregados. Exige (últimas vontades) ficar a sós com uma estagiária atraente da casa... Mise en scène de Isabel Mahay, com Alain Michel, Fred Dias, Florian Bernard, Vasilica Grangeas. Paris 09.2019 Théâtre du Nord-Ouest 3/5

IVANOV (Tchekhov, 1887)

Ivanov merece figurar no pequeno grupo das grandes obras de Tchekhov. Mas foi à terceira (vez) que descobri o seu real valor. Quase todas as personagens são desagradáveis, representando a humanidade em toda a sua mesquinhez e baixeza. O protagonista é um dos heróis modernos mais notáveis que conheço. Faz mal aos seus próximos (trai a mulher sabendo que ela vive os seus últimos dias de vida) mas só se preocupa com os seus próprios sentimentos e angústias. A produção a que assisti privilegia a comédia que a peça permite (ri muito) e é uma das melhores que vi no Théâtre du Nord-ouest. Paris 06.2019 4,5/5
Ivanov, mis en scène de Yvan Garouel, com Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave e Sara Viot.

No início da peça conhecemos Ivanov, personagem antipática, obcecado pelo que se passa na sua cabeça e confuso por não se reconhecer no homem que foi na juventude. Indiferente à mulher, que está a morrer de tuberculose. Porém, quase todas as outras personagens são piores do que ele, antipáticas na mesma, mas sem a dúvida que atormenta Ivanov, personagem trágica. Nem sempre foi agradável ver a peça encenada por Yvan Garouel, mas Ivanov é mais rica do que parece à superfície. Paris 02.2019 TNO 4/5
Elenco: Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave, Sara Viot.

Une femme sans préjugés (2019)

Une femme sans préjugés (Tchekhov e Monique Lancel, 2019)
Une femme sans préjugés é na origem um conto (1883) do jovem Tchekhov, e passou a ser neste ano uma peça de teatro escrita e encenada por Monique Lancel, que se inspirou naquele conto. Apresenta a história de amor entre dois jovens, ela confiante no seu amor, ele perturbado por um segredo do seu passado, que com muita dificuldade revela à companheira. Tom surpreendentemente feliz numa obra de juventude do escritor russo. Com Rémi Picard (Maxime Salutov), Roxanne Flochlay (Eléna Gavrilovna), Bernard Lefebvre, Hélène Robin e Dominique Vasserot. Paris 09.2019 Théâtre du Nord-Ouest 3/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F