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Tatiana Repina (Tchekhov, 1889)

Uma peça muito curta e rara que pouco tem a ver com as grandes peças de maturidade de Tchekhov. Tudo se passa durante a cerimónia de casamento (segundo o ritual ortodoxo) de um jovem casal, que é perturbada pelo aparecimento do fantasma de uma amante do noivo, que se suicidara dias atrás. O noivo fica nervosíssimo e quase estraga a cerimónia. Uma boa produção com todos os acessórios do ritual ortodoxo trazidos certamente de uma igreja. Paris 03.2019 TNO 2/5
Elenco: Tibrizi Amari, Fanny Balesdent, Isabelle Erhart, James Neyraud, Jean-Louis Wuillemin, Roberto Zibetti,  Metteur en scène : Isabelle Erhart 

Sur la Grande Route (Tchekhov, 1885)

A peça Sur la Grande Route foi escrita em 1885 mas só foi publicada e representada depois da morte do autor. A censura do Estado russo não viu com bons olhos o mundo miserável, sórdido, e negro que a peça apresenta. Uma noite numa taberna onde se refugiam os mais pobres da sociedade, com frio e fome, e dependentes de vodka. Entre eles um ex-aristocrata rico que perdeu a fortuna por traição da mulher. O discurso misógino aparece de quando em vez na peça e a violência e as constantes disputas nascem da frustração de cada um. Uma peça rara de Tchekhov e a menos interessante que vi até hoje. Paris 03.2019 TNO 3/5
Théâtre du Nord-Ouest em 2019, encenação de Virginie Lisb, com Olivier Bonnin, Cochise Chevallereau, Stéphane Dolbakian, Arthur Fournis, Isabelle Gasquet, Frédéric Morel, Alexandre de Pardailhan, Gosia Wnek, Noé N'Sémi. 

Tailleur pour dames (Feydeau, 1886)

Feydeau garante sempre momentos de comédia ligeira mas ao mesmo tempo de qualidade perene: passado mais de um século continuamos a rir com o cómico de situação de que é rico o seu teatro. Três casais às voltas com problemas de infidelidade, afinal o tema preferido do teatro de boulevard. Paris 06.2015 Théâtre de Montparnasse 3/5

Le Sauvage ou l'Homme des Bois (Tchekhov, 1889)

Le Sauvage é uma versão tosca de Tio Vânia. Ambas as peças têm em comum as personagens e boa parte das cenas e das falas. Mas Tchekhov transformou uma boa peça numa outra genial. Com esta integral do Théâtre du Nord-ouest, descobri que Tchekhov levou tempo a atingir o saber e a técnica dramatúrgicos que o elevaram ao topo do teatro universal. No início peças apenas interessantes e modestas, nos últimos anos de vida pelo menos quatro obras-primas que estão entre o que melhor se fez para o teatro. Paris 04.2019 TNO 3/5

IVANOV (Tchekhov, 1887)

Ivanov merece figurar no pequeno grupo das grandes obras de Tchekhov. Mas foi à terceira (vez) que descobri o seu real valor. Quase todas as personagens são desagradáveis, representando a humanidade em toda a sua mesquinhez e baixeza. O protagonista é um dos heróis modernos mais notáveis que conheço. Faz mal aos seus próximos (trai a mulher sabendo que ela vive os seus últimos dias de vida) mas só se preocupa com os seus próprios sentimentos e angústias. A produção a que assisti privilegia a comédia que a peça permite (ri muito) e é uma das melhores que vi no Théâtre du Nord-ouest. Paris 06.2019 4,5/5
Ivanov, mis en scène de Yvan Garouel, com Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave e Sara Viot.

No início da peça conhecemos Ivanov, personagem antipática, obcecado pelo que se passa na sua cabeça e confuso por não se reconhecer no homem que foi na juventude. Indiferente à mulher, que está a morrer de tuberculose. Porém, quase todas as outras personagens são piores do que ele, antipáticas na mesma, mas sem a dúvida que atormenta Ivanov, personagem trágica. Nem sempre foi agradável ver a peça encenada por Yvan Garouel, mas Ivanov é mais rica do que parece à superfície. Paris 02.2019 TNO 4/5
Elenco: Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave, Sara Viot.

Créanciers (Strindberg, 1888)

CRÉANCIERS
Circé Théâtre 2005
BIBLIOTECA F

Paroxysme (TNO, 2019)

Paroxysme adapta para o teatro uma novela de Tchekhov (Uma crise, de 1889). Um jovem acompanha dois amigos ao bordel mas a sua atitude contrasta com a dos amigos: onde estes vêem um momento de prazer e embriaguez que lhes permite suportar a vida, o nosso protagonista vê uma situação de insuportável sofrimento e humilhação humana. Ele tenta convencer as jovens prostitutas a seguir outro caminho. Mas as suas ideias só encontram incompreensão da parte de todos. Como teatro o espetáculo que vi deixa um pouco a desejar, mas gostei de conhecer mais um pedaço da obra e do coração de Tchekhov (aposto que tem muito de autobiográfico esta história, ele que era médico atento às dores humanas). Paris 06.2019 TNO 3,5/5
Paroxysme, adaptado por Luana Kim da novela Uma Crise (1889), mis en scène de Olivier Bruaux e Luana Kim, com Corto Bertrand (Grigori Vassiliev), Ava Brackers de Hugo, Adrien Gourraud, Ziad Jallad, Charlotte Le Bozec, Alexandra Lumbroso, Alain Michel, Anne Parisot, Emma Pujar, Frédéric Thérisod, Luana Kim, Laure Azan

Ivanov (Tchékhov, 1887)

Ivanov é uma das primeiras peças de Tchekhov e teve duas versões (1887 e 1889). Luc Bondy optou pela primeira versão e assinou um excelente espetáculo. A peça é mais violenta e negra do que as obras posteriores e mais célebres do dramaturgo russo, faltando-lhe a poesia e a uma certa leveza que caracteriza estas. Mesmo assim, é uma excelente peça, e tem como protagonista um jovem homem que se isola socialmente, envelhece e despede-se da vida precocemente. Paris 10.2015 Théâtre de l'Odéon 4/5

Platonov (Tchekhov, 1881)

Platonov é uma peça monumental (a representação a que assisti durou mais de 5 horas) do início da carreira de Tchekhov como dramaturgo, muito antes das obras-primas que escreveu nos seus últimos anos de vida. Mas é uma obra poderosa que revela aqui e ali o génio do dramaturgo russo. Platonov é o Don Juan russo, que atrai as mulheres como um íman, tanto as solteiras como as dos outros, e as descarta logo a seguir, desfazendo corações e casais. Só a morte põe um fim a tal comportamento desregrado e destruidor. Apesar de se referenciar a um mito ocidental (espanhol), a peça é russa até à medula. O encenador e os atores merecem um enorme aplauso pelo trabalho feito. Paris 11.2019 Théâtre du Nord-Ouest 5/5
Metteur en scène: Patrice Le Cadre, atores: Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoît, Sarah Bertholon, Florence Bigot, Didier Bizet, Anatole de Bodinat, Florence Cabaret, Gerard Darman, Joseph Dekkers, Rui Ferreira, Antoine Houdard, David Mallet, Nenad Miloslavjevic, Lilit Simonian, Dimitri Stampfer, Benoît Szakow

Rosmersholm (TNO, 2018)

 
Como resumir Rosmersholm (1886), uma das peças mais complexas que já vi? Seguramente uma das grandes obras da dramaturgia mundial. A peça inicia-se sob o signo da política, com o partido conservador e o partido da esquerda revolucionária a afrontarem-se na casa de Johannes Rosmer. Este ex-pastor converteu-se à esquerda ao mesmo tempo que perdia e por fim repudiva a fé, tudo sob influência da jovem Rebecca West, com quem vive uma relação não assumida. Johannes vai ser abandonado por todos os amigos por essa viragem política. Mas logo a peça é dominada pelos dilemas pessoais de Rebecca e Johannes, agravados pelo suicídio recente da mulher de Johannes. Não admira que Freud tenha dedicado tanta atenção ao teatro de Ibsen, rico em personagens em permanente auto-análise. Todos os atores foram excelentes. Paris 03.2018 TNO 4,5/5
Metteur en scène : Laurence Hetier
com 
Benoît Dugas (Johannes Rosmer)
Sara Viot (Rebecca West)
Muriel Adam (Mrs. Helseth)
Jean-Paul Audrain (Professor Kroll)
Paul Wagner (Ulrik Brendel)

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F