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PHÈDRE (1677)

Phèdre, mulher de Thesée, rei de Atenas, insiste na paixão (não correspondida) que sente pelo enteado Hipolythe e por isso desencadeia a tragédia familiar. Uma peça de sentimentos exacerbados, que a atriz principal leva ao histerismo. Como acontece no teatro de Racine, o melhor é a sua poesia. Paris 01.2015 Théâtre du Nord Ouest 3/5

GEORGE DANDIN (1668)

George Dandin, ou o marido cornudo. Molière escreveu esta curta mas brilhante peça sobre a humilhação de um marido que não consegue convencer os sogros da infidelidade da filha, antes se rebaixa e se ridiculariza a cada tentativa de provar essa falta da mulher. A humilhação é terrível e passa muito pelas subtilezas da linguagem com que a aristocracia (os sogros) reprime os avanços da burguesia (o marido). Além disso, a peça avança considerações sobre a mulher que a tornam numa peça feminista. Revi agora a peça com a mesma equipa da primeira vez que a vi, e enquanto a força do texto se confirma, a encenação empalidece. Paris 02.2016 TNO 3/5


Que brilhante peça de Molière, sobre um marido cornudo (de origem humilde) que, desesperado em desmascarar a mulher (de origem nobre), só consegue enterrar-se cada vez mais aos olhos dos sogros. Uma peça cómica, mas violenta, sobre as diferenças de classes. Ou de como as maneiras civilizadas são uma poderosa arma para manter o povo no seu lugar, afastado do poder. 
George Dandin ou le Mari confondu é uma comédie-ballet com música de Jean-Baptiste Lully, tendo sido criada em Versailles em 1668. Suponho que já não se representa a peça com música, nem consigo imaginar como terá sido a sua representação original. Mas fiquei muito curioso em relação a essa possibilidade. Como será a encenação desta peça com a música original de Lully?
Paris 01.2015 Théâtre du Nord Ouest 4/5

L'avare (Molière, 1668)

O Avarento é uma das obras-primas de Molière. Harpagon (excelente Bernard Lefebvre), pai de dois filhos em idade de casar, arranjou uma noiva jovem, namorada secreta do filho, e resolveu casar a filha com um homem mais velho porque fez um bom negócio: não precisa de pagar o dote da filha. Harpagon só vê dinheiro à frente, e a sua fama de sovina ultrapassa as fronteiras da terra onde vive. A grande tragédia dá-se quando lhe roubam as economias; fica inconsolável que nem um bebé. Boa encenação de Jean-Luc Jeener. Paris 09.2016 TNO 4/5

LE MISANTHROPE (1660)

Paris 09.2022 TNO

Tinha visto esta peça no ano passado no Porto, em português, e preferi sem dúvida essa produção à que vi hoje, na Comédie-Française, encenada por Clément Hervieu-Léger. Muito por culpa da dificuldade em compreender integralmente as falas em francês. Essa dificuldade impede a concentração numa das peças mais difíceis de Molière. Paris 01.2017 Comédie-Française  2,5/5
 
Gostei muito do Misantropo com pronúncia do Norte que o Teatro de São João propôs. A peça de Molière vê a sua atualidade confirmada com a modernização que o encenador Nuno Cardoso fez ao texto seiscentista francês. O salão mundano do argumento original passa a um salão onde reina a música disco. Mas os problemas da reputação da elite e a misantropia justificada do protagonista perante uma sociedade baseada na bajulação inter-pares cabem que nem uma luva no nosso presente facebookiano. À parte o vocativo majestático e a estrutura clássica da linguagem de Molière, a língua do escritor passa bem a prova do tempo e a prova dos novos (muitos adolescentes na platéia). Porto 04.2016 TNSJ 4/5 

Les Plaideurs (Racine, 1668)

Racine apenas escreveu uma comédia, Les Plaideurs (1668), a sua segunda peça, e depois dedicou-se exclusivamente às tragédias. Compreende-se: ele é muito mais pertinente e intenso na tragédia. A dificuldade da linguagem e do tema (o mundo dos tribunais) é superada por uma encenação inventiva e musical de Jean-Claude Sachot. Paris 03.2016 TNO 2,5/5

BRITANNICUS (1669)

A OBRA (Jean Racine, 1669)

O ESPETÁCULO (CF, 2016)

Já conhecia Britannicus (1669) de uma produção do Théâtre du Nord-Ouest, obviamente uma casa menos prestigiada e com muito menos recursos do que a centenária Comédie-Française. No entanto, gostei mais do espetáculo do TNO do que do da CF, encenado pela estrela Stéphane Braunschweig e interpretado, entre outros famosos atores, por Dominique Blanc. A peça de Racine foi escrita em verso e é de uma dificuldade extrema para chegar hoje a um público alargado. Os atores lutam para que o texto lhes saia naturalmente mas o esforço nota-se. E ação e movimento é o que as peças de Racine não permitem facilmente. Acho que o teatro de Racine mostra o seu melhor através da leitura e da análise textual e perde algo na passagem à cena. A plateia da Comédie-Française aplaudiu imenso o espetáculo mas os muitos adolescentes que estavam na sala estavam simplesmente entediados. Paris 05.2016 CF 2/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)    
Há meses, integrado na integral Racine que o Théâtre du Nord-Ouest está a apresentar, assisti ao clássico Britannicus, tragédia sobre o ódio que Néron nutre pelo seu irmão Britannicus e que o leva a matá-lo. Foi a melhor peça que vi da integral, não só porque o texto é muito bom (compreende-se que seja leitura obrigatória na escola) mas sobretudo porque a interpretação e a encenação valorizavam a peça. Lembro-me de que havia uns pormenores que modernizavam a peça, como o recurso à música rock e a utilização das drogas que faziam sentido no contexto de decadência moral em que o protagonista (Nero) e os seus aliados viviam. Talvez esta encenação não tenha sido do agrado de todos, o facto é que o TNO resolveu estrear hoje uma nova produção de Britannicus,  assinada por Jean-Luc Jeener. Foi mais uma noite inesquecível de teatro e confirmou a genialidade da peça de Racine. Não havia nenhum adereço na pequena cena da Salle Economidès, nem havia música.  Os atores (todos bons, Néron e Burrhus brilhantes) vestiam apenas umas túnicas romanas. Quase tudo repousava na palavra. A peça é longa (três horas) e em verso, os atores esforçaram-se por ser inteligíveis,  houve momentos em que não consegui acompanhar a torrente de palavras, mas houve outros em que ficamos todos hipnotizados,  suspensos pela arte de Racine (e dos atores). Austeridade, ausência de espetacularização, intensidade dramática é o que nos dá esta encenação de Britannicus. Foi muito, muito bom. Paris 11.2015 TNO (5/5)  

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)  
A história: Agrippine, viúva de Claudius, teve dois filhos de homens diferentes, Britannicus e Néron, que se enamoram pela mesma mulher, Junie. Néron, o imperador, mata o irmão, iniciando uma série de mortes entre os seus mais próximos. Depois de Iphigénie, Mithridate e Phèdre, vi agora Britannicus, a segunda grande peça de Racine. De longe foi a melhor produção entre as quatro propostas pelo Théâtre du Nord Ouest. Esta tragédia, tal como as restantes, é exigente ao nível do discurso, composta de versos alexandrinos. Mas os atores apropriam-se do texto com brio e encarnam as personagens romanas com um talento imenso. Excelente encenação de Florence Marschal. A introdução de elementos modernos (como a tablete lúdica que exprime a impaciência de Néron) tem um efeito expressivo surpreendente. Paris 02.2015 TNO 5/5

LE TARTUFFE (1664)

O ESPETÁCULO (Comédie-Française, 2023)
 
Le Tartuffe ou l'Hypocrite (1664)
ENCENAÇÃO: Ivo van Hove INTÉRPRETES: Denis Podalydès (Orgon), Marina Hands (Elmire), Dominique Blanc (Dorine la servante), Christophe Montenez (Tartuffe) VISTO: 03.2023

O ESPETÁCULO (TNO, 2016)
O Tartuffe mereceu uma acertada encenação de Pascal Guignard Cordelier para o Théâtre du Nord-Ouest. Em relação à recente produção da Comédie-Française, a encenação de Cordelier impõe um ritmo bem mais brando, pareceu-me. E o trabalho dos atores não é histérico como o dos comédiens-français. De resto há boas ideias de interpretação e de encenação nas duas produções. Paris 06.2016 3/5

O ESPETÁCULO (Comédie-Française, 2016)
TARTUFFE
A Comédie-Française repõe uma produção de Tartuffe de 2014 encenada por Galin Stoev. Uma boa produção da peça mais representada pela Comédie-Française: 3100 representações. Mas gostei mais do Misantropo que vi recentemente no Porto, talvez por ser em português, porque tenho dificuldade em acompanhar em francês o teatro em verso do século XVIII. O teatro romântico francês é muito mais fácil de acompanhar no original, por exemplo. O Tartuffe de Stoev não é muito inovador, pelo menos superficialmente, pois não conheco bem esta célebre peça sobre um beato charlatão que se apodera dos bens de um burguês conquistando a confiança absoluta deste e da mãe deste. Quando o charlatão é desmascarado já é tarde, pois a propriedade da vítima já está nas suas mãos. No final tudo volta à ordem com a intervenção direta do monarca, o justo, que manda prender Tartuffe. Paris 05.2016 Comédie-Française 3/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F