Dos clássicos não me canso eu. Tinha visto Le Jeu de l'amour et du hasard (1730) de Marivaux em 2011 na Comédie Française, mas não me lembrava de quase nada a não ser da situação burlesca de partida: uma criada e a sua ama trocam de papéis durante a visita que recebem do candidato a noivo da ama. Mas o provável noivo também tem o mesmo estratagema e transforma-se no criado do seu proprio criado, sendo este promovido a amo. Estamos em pleno universo da comédia de enganos, aqui levada a uma sofisticação sem paralelo. Revisitei ontem esta mesma peça no teatro La Pépinière. numa boa encenação de Philippe Calvario. Paris 06.2015 La Pépinière 3,5/5
Savannah Bay (M. Duras, 1983)
Savannah Bay (M. Duras, 1983)
Edição:
O Teatro da Amante Inglesa
Tradução de António Barahona
Artistas Unidos/Cotovia 2016
Livrinhos de Teatro nº101
Homens (Caio Fernando Abreu, 2014)
Homens (Caio Fernando Abreu, 2014)
Homens é uma peça de teatro que adapta várias histórias, que aparecem cruzadas em cena, de Caio Fernando Abreu. Caio é um escritor brasileiro de culto, que marcou a vida artística carioca dos anos 70, 80 e 90 do século XX (ele morreu em 1996). Hoje, para mim, é uma figura-chave da cultura brasileira que tanto me fascina, mas só o descobri há poucos anos quando vim ao Rio. Apercebi-me então de que a sua obra é reeditada com sucesso e que nos sebos os seus livros mal aparecem. Fora do Brasil a sua obra é desconhecida. Um livro seu foi há pouco tempo editado em Portugal e penso que é tudo no que a Portugal se refere. Lembro-me de que comprei no Brasil a coletânea Caio 3D O essencial da década de 1980, que li no avião de regresso à Europa. Uma leitura que me marcou e que me levou a estar atento a tudo o que se publique dele e sobre ele.
Por isso fui ver a peça, aproveitando também para conhecer o Teatro Municipal do Jockey, que fica no terreno do Jockey Club do Rio. Sítio lindíssimo, perto da Lagoa, e de onde se vê o Corcovado iluminado. A peça é interpretada por 8 atores e é adaptada e encenada por Delson Antunes. O universo masculino é o tema da peça, os amores e desamores homossexuais, a solidão e a homofobia, as questões presentes em todas as histórias adaptadas. A visão poética de Caio é fascinante, exprimindo de forma sensível a fugacidade da vida e dos amores que a percorrem e que lhe dão sentido. Muitas frases e situações impressionaram-me muito mas não consigo reproduzi-las de memória. Poderiam ter saído de uma peça de Tennessee Williams, por exemplo, que tão bela poesia nos deixou através da sua obra dramática. Em suma, adorei esta produção.
Homens, de Caio Fernando Abreu, Teatro Municipal do Jockey, RJ, Fevereiro de 2014, Muito bom 4/5
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| Produção (original?) de 2012 |
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| Teatro Municipal do Jockey |
Relume-Dumará PERFIS DO RIO
Joaquim Pedro de Andrade (Bentes 1996)
Antonio Maria (Santos 1996)
Geração Paissandu (Durst 1996)
Wilson Batista (Pimentel 1996)
Certas Cariocas (Silva 1996)
Janete Clair, A Usineira de Sonhos [Xexéo 1996]
João do Rio (Gomes 1996)
Joao Ubaldo Ribeiro (Coutinho 1998)
Carlos Machado, o teatro da madrugada (Noronha 1998)
Helio Pellegrino/1998
Otto Lara Resende (Medeiros, 1998)
Adalgisa Nery/1999Nássara (Lustosa 1999)
Renato Russo, O trovador solitário [Dapieve 2000]
Nelson Cavaquinho (Costa 2000)
Fernando Sabino (Bloch 2000)
Ferreira Gullar/2001Opiniao (2001)
Zeca Pagodinho, A Vida que se Deixa Levar [Vianna 2003]
Paulo Francis [Piza 2004]Besteirol (Marinho, 2004)
Hélio Pellegrino (Paulo Roberto Pires)
Hélio Pellegrino (Paulo Roberto Pires)
Leitura 2015
Perfis do Rio é uma coleção de livrinhos biográficos sobre personalidades cariocas de nascimento ou de adopção. Através desta coleção já fiquei a conhecer alguma coisa sobre certos nomes de que apenas conhecia... o nome. Hélio Pellegrino, por exemplo. Foi um poeta notável mas sem obra publicada em vida. Foi um importante psicanalista e um dos maiores resistentes à ditadura dos militares, tendo-se destacado em 1968 no confronto contra o governo enquanto representante dos intelectuais. Não tinha papas na língua, é o mínimo que se pode dizer dessa sua intervenção e de muitas outras contra os políticos e os poderes autoritários que também iam tomando conta da instalação da Psicanálise na sociedade brasileira dos anos 1970. Fundou ou ajudou a fundar a Clínica Social de Psicanálise, que alargou o acesso a este saber médico à população mais carente, e promoveu os importantes "Encontros Psicodinâmicos". Fazia parte do quarteto mineiro, com os escritores Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, todos amigos desde infância ou adolescência em Minas Gerais. Um grande caso de amizade que marcou a literatura brasileira e está consagrado no romance O Encontro Marcado de Fernando Sabino. Fica aqui por fim uns versos de Pellegrino, que abrem aliás este livrinho.
L'homme revolté
Venho de um negro tempo irredutivel,
anterior a mim.
Vou para um negro tempo desmedido,
infinito campo de ébano
onde me apagarei.
De uma escarpa a outra,
transfixado entre negror e negror,
danço - centelha breve - o meu furor.
Bahia (Odorico Tavares, 1951)
Bahia (Odorico Tavares, 1951)
BIBLIOTECA
3ª edição com ilustrações de Carybé
Edição original?
José Olympio 1951
BRÉSIL 500 ANS : Nouveaux Visages, Autres Focales (1999)
BRÉSIL 500 ANS : Nouveaux Visages, Autres Focales
Numéro spécial Coordonné par Jorge Santiago Revue : Histoire et Sociétés de l'Amérique latine n°10, juin 1999
BIBLIOTECA
Leituras, julho de 2024
Formação Económica do Brasil (Celso Furtado, 1958)
Formação Económica do Brasil (Celso Furtado, 1958)
Companhia Editora Nacional
32a edição, 2003
BIBLIOTECA
No País das Formigas (Menotti del Picchia, 1939) etc
No País das Formigas (Menotti del Picchia)
Ediouro 2004
BIBLIOTECA
Salomé (1940)
BIBLIOTECA
Melhores Poemas (2004)
BIBLIOTECA
Why This World. A Biography of Clarice Lispector (2009)
Why This World. A Biography of Clarice Lispector (2009)
Ensaio de Benjamin Moser
Des Femmes 2012
BIBLIOTECA
Perto do Coração Selvagem (C. Lispector)
BIBLIOTECA
LISPECTOR [6]A Cidade Sitiada (1949)
A Paixão segundo GH (1964)
A Legião Estrangeira (1964)
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (1969)
Onde Estivestes de Noite (1972)
A Hora da Estrela (1977)
Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (2000)
Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (2000)
Vianinha. Cúmplice da paixao
(Dênis de Moraes, 1ª ediçao, 1991)
Ediçao revista e ampliada, ed. record, 2000
BIBLIOTECA
Há duas semanas assisti no Rio de Janeiro a uma peça de teatro brasileira (Em Família, 1972) que muito me impressionou. Nao só a produçao em causa era soberba, garantindo um espetáculo fluido e cativante, como o texto me pareceu de facto superior a muita coisa atual. Descobri entao um dramaturgo brasileiro clássico, que escreveu duas ou trës obras-primas e morreu ainda jovem. Na mesma altura encontrei numa banca de livros de rua, na Carioca, a reediçao de uma biografia de 1991 deste dramaturgo. Comprei e comecei a lê-la há dias, no aviao. É uma biografia apaixonante. Muito bem escrita e baseada numa excelente pesquisa da obra e da época em que Vianinha viveu. Vianinha tinha o mesmo nome de seu pai. Oduvaldo Vianna fora dramaturgo e um grande compagnon de route dos comunistas brasileiros. Era na casa dele que por vezes o Partido se reunia. Um Partido sempre entre a tolerância e a clandestinidade. Ainda criança, Vianinha já era comunista. Era o leite lá de casa. Com uma infância e uma adolescência tao políticas, o seu teatro só podia carregar essa marca. Vianinha integrou uma geraçao que revolucionou o teatro brasileiro, a geraçao que se consagrou nos anos 1950. Antes e durante a ditadura militar brasileira Vianinha nunca deixou de fazer um teatro de intervençao social, de desassossego das consciências da época. Um nome que nao me vai deixar indiferente daqui para a frente. Agosto de 2014
Besteirol: Quem Tem Medo de Besteirol? (Flávio Marinho, 2004)
Besteirol: Quem Tem Medo de Besteirol? (Flávio Marinho, 2004)
Relume Dumara, 2004
BIBLIOTECA
Nunca ouvira falar do Besteirol até encontrar este livro. E agora considero-me perfeitamente iniciado. Besteirol é um género teatral carioca dos anos 80, que revelou e consagrou grandes intérpretes e dramaturgos. Um género teatral cómico constituído por sketches com poucas personagens (muitas vezes, apenas duas), que nada levam a sério, a começar pelas referências culturais que convocam para logo gozar com elas. Os espetáculos de besteirol foram apresentados muitas vezes nos teatros da zona sul do Rio, onde vivia o seu público mais natural; em alguns casos, o sucesso foi fenomenal e deve ter atingido todas as classes sociais. Infelizmente, nunca vi nenhum besteirol e não parece que haja gravações vídeo dos seus clássicos; nem é um teatro que se preste a reposições, apesar da qualidade de muitos dos textos escritos no seu âmbito. Leitura na viagem Rio/Paris, julho 2017 4/5
O Diário de Antônio Maria (1957)
Civilização Brasileira 2012
BIBLIOTECA
Antônio Maria foi um grande cronista brasileiro e autor de letras da música popular dos anos 1950. Ninguém me ama é o seu maior sucesso e sintetiza o imaginário da sua obra, pelo menos nas canções. A solidão é a sua imagem de marca. E podemos ver, ao ler o seu diário, datado de 1957, que era um tema recorrente na sua forma de sentir e ver o mundo. O diário é um ótimo documento para compreender o autor e a sua época. Leituras 07.2014 3/5
Reprodução de resenha (Folha de São Paulo)
Compositor relata anos dourados
MARCELO PEN
Ano de 1957. O Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, vivia o que se convencionou chamar de seus anos dourados. Era também o auge do sucesso do compositor e cronista carioca Antônio Maria. Famoso por suas canções como "Ninguém me Ama", tinha duas colunas em "O Globo", escrevia esquetes de humor para a rádio Mayrink Veiga, gravava discos, fazia livros. Mas, para usar outra expressão de época, estava sempre na "fossa".
Essa é a sensação que temos ao ler as páginas inéditas de seu diário, escrito durante 39 dias, entre março e abril daquele ano. São dois cadernos escolares de 145 páginas cada, em que registrou suas dúvidas, brigas, bebedeiras, farras, lamúrias. Diz ele: "Hoje em dia é preciso viver-se dopado". Além das incontáveis doses de uísque e vodca, Maria se entupia de comprimidos de Dexedrina.
Bebia-se muito. Rubem Braga ("a amizade que mais prezo") surge quase sempre embriagado, assim como Paulo Mendes Campos. Boêmios, encontravam-se no Sacha's, a boate da moda, às vezes no Golden Room do Copacabana Palace. Maria descreve assim a turminha formada por deputados da UDN, uma envelhecida Lana Turner, Jorginho Guinle (que alardeia ter dormido com a atriz), Anita Ekberg ("uma enfermeiraça. Mesmo assim bela"): "Gente boba e vazia. Vaidosos, frívolos, ricos. Gosto, porém, de conhecê-los cada vez mais, para ver até onde chega sua organizadíssima miséria humana".
Noutra noite, no Sacha's, encontra Di Cavalcanti. O pintor voltava de uma "suruba" organizada por Oscar Niemeyer "aos arquitetos que vieram, da Europa, julgar o plano urbanístico de Brasília". Di contou dez mulheres nuas. Mulheres eram motivo para desavença. Vinicius, enciumado, uma vez chamou Maria para a briga. O cronista ficou magoado. Arrependido, o poeta escreve de Paris, buscando as pazes.
O escritor é cruel consigo mesmo. Descreve-se como "um senhor gordo, casado, pai e emocionável". Seus humorísticos não o convencem: "Não me acho engraçado". Páginas depois, decide que é um "cronista frívolo", "pertencente à pior safra do jornalismo brasileiro". Vive atolado em dívidas. Para consertar as finanças, grava um LP com suas músicas. Prepara um livro de crônicas que oferece a José Olympio. O editor propõe um adiantamento mísero, pouco mais da metade do preço de uma vitrola. Revolta: "José Olympio é um homem rico, gastador, joga fortunas nas corridas e no "poker", à custa dos escritores. [...] Não irá editar meu livro". Na mesma noite em que jura economizar, termina no Sacha's. A casa noturna é seu porto (in)seguro. Relata ter dormido à sua porta, no canteiro, até as seis da matina. "Devo morrer cedo, de repente, por causa dos meus exageros", prenuncia o homem que seria fulminado por um ataque cardíaco ao 43 anos, em 1964.
São páginas trôpegas, sem rumo, mas cheias de vida e emoção. Maria procura "não escrever bonito", ou seja, com olhar num leitor hipotético, embora nem sempre consiga. Trata o diário como a um amante. Corteja-o ("somos cada vez mais íntimos"), desnuda-se ("isto aqui é minha vida [...] o que acontece dentro de mim"), apaixona-se ("em horas assim, me apaixono de ti, ó intimo amigo"). Foi uma relação fugaz. Acabou como começou, de inopino. Em seu brilho passageiro, porém, vislumbramos o lusco-fusco de uma era mais crepuscular que dourada, os últimos raios antes de um impendente anoitecer.
O Diário de Antônio Maria, Autor: Antônio Maria Editora: Record,112 págs.
Manuelzão e Miguilim (João Guimarães Rosa, 1956)
CORPO DE BAILE
Novelas de João Guimarães Rosa
1ª edição 1956
(edição em dois volumes)
1ª edição com o título Manuelzão e Miguilim,
que inclui duas novelas: Campo Geral e Uma história de amor
José Olympio 1964
Editora Nova Fronteira 1995
BIBLIOTECA
Livros do Brasil
Global
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La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)
La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle, mais de l...
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A Noite Canta os seus Cantos (1997) Livrinhos de Teatro nº4 Artistas Unidos 2005 BMPV Leituras, agosto de 2025
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Archives du Nord ( Marguerite Yourcenar, 1977) Arquivos do Norte Difel BIBLIOTECA P
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Livrinhos de Teatro n° 131 Lisboa, fevereiro de 2020 Glaube, Liebe, Hoffnung (1933) Berlim, Deutsches Theater, 1933














































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