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Le Grand Inquisiteur (Fédor Dostoïevski, 2020)

Baseada num texto de Dostoïevsk, a peça Le Grand Inquisiteur faz uma revisão da política dos últimos 150 anos, com adaptação e encenação de Sylvain Creuzevault. Os grandes líderes mundiais (Marx, Trump, Hitler, Estaline...) desfilam e só têm misérias para apresentar, a começar por eles mesmos, reduzidos a canibais... Paris 10.2020 Odéon 2/5

Coup de soleil (Marcel Mithois, 1982)

 

Coup de soleil foi escrito para a grande comediante Jacqueline Maillan, que interpreta uma mulher que mal termina uma relação de 15 anos com o companheiro (Jean-Pierre Aumont) apaixona-se por um jovem florista que lhe vem entregar flores. Depois de alguma hesitação ela acaba por manter os dois amantes perto de si. A peça estreou-se no Théâtre Antoine, com encenação de Jacques Rosny. Melun 12.2020 TV 2,5/5

Électre / Oreste (Eurípides)

Bart Van den Eynde e Ivo Van Hove adaptaram Electra e Oreste, duas peças de Eurípides,  e associaram-nas num mesmo espetáculo, encenada por van Hove. Histórias de vingança no seio da família que governa Argos. Sede de poder e humilhação, onde a violência domina. Espetáculo forte. Paris 02.2020 Comédie-Française 3/5

The Glass Menagerie (Irving Rapper, 1950)

Another Man's Poison (Irving Rapper, 1952)

Bette Davis e Gary Merrill protagonizam  este filme escrito por Val Guest a partir de uma peça de teatro. O filme é inglês e para mim o maior interesse em vê-lo é o desempenho de Bette Davis, num dos seus papéis de megera. O filme intitula-se Jezebel em França e Mulher Maldita no Brasil. De resto a história e as personagens são para esquecer. Davis é um escritora famosa que é amante do namorado da sua secretária. No dia em que começa a história, ela mata o marido, do qual estava separada há anos (e ninguém o conhecia nas redondezas). Ele tinha aparecido de repente para fazer chantagem com ela. Ele e outro homem tinham assaltado um banco e atingido um polícia com arma de fogo. Esse homem aparece na casa da escritora e toma o lugar do seu marido... Um dramalhão inócuo. Melun 01.2021 TV 2/5

THE GLASS MENAGERIE (1950)

Que atores para a estreia de uma peça de Tennessee Williams no cinema! Não me lembro de ter visto antes Gertrud Laurence, uma lenda do teatro.  Estão todos bem, mas penso que já se fez melhor depois. A narração de Tom Wingfield na introdução e na conclusão tirou um pouco a força do drama de Williams, mas a história, a verdade das personagens e as emoções saem intactas deste filme. Melun 11.2020 TV 3,5/5
The Glass Menagerie (1950), realização de Irving Rapper, argumento de Tennessee Williams e Peter Berneis, com Gertrude Lawrence (Amanda Wingfield), Jane Wyman (Laura Wingfield), Arthur Kennedy (Tom Wingfield) e Kirk Douglas  (Jim O'Connor).

ANGELS IN AMERICA (1991)

A peça já clássica de Tony Kushner, Angels in America (1991), é apresentada na Comédie Francaise, numa versão breve (a original americana dura sete horas, esta duas). O texto francês é de Pierre Laville, e a mise en scène de Arnaud Desplechin. Apenas oito actores dão vida a mais de 20 personagens, que representam a América gay dos anos 80, ameaçada pela sida e sobretudo pelo conservadorismo homofóbico da época. Paris 03.2020 & 2023 Comédie-Française 4/5
Intérpretes: Michel Vuillermoz, Jennifer Decker, Gaël Kamilindi, Dominique Blanc, Florence Viala, Jérémy Lopez, Clément Hervieu-Léger, Christophe Montanez.
ANGELS IN AMERICA (2003)
Minissérie da HBO

REALIZAÇÃO:  Mike Nichols ARGUMENTO:  Tony Kushner PRODUÇÃO: HBO Films GÉNERO: Série TV, Drama ORIGEM: EUA, Itália ESTREIA: 7 & 8/12/2003 (EUA) 31/05/2004 (Portugal) ELENCO: Meryl Streep, Emma Thompson, Al Pacino, Patrick Wilson VISTO Paris 16.06.2024 Cinémathèque 4/5

Comme s'il en pleuvait (Sébastien Thiéry, 2014)

Um casal (Pierre Arditi e Evelyne Buyle) é surpreendido com o aparecimento de notas de 100 euros na sala deles. Todos os dias o fenómeno se repete. Decidem então aproveitar a fortuna que lhes calhou... A peça estreou no Théâtre Édouard VII, em Paris, e teve desde então numerosas reposições e elencos. Melun 12.2020 TV 2/5

La Cage aux folles (Jean Poiret, 1973)

Em 2010 La Cage aux folles foi apresentada aos parisienses pela terceira vez, depois da criação da peça de Jean Poiret em 1973. Nesta nova produção, apresentada no Théâtre de la Porte Saint-Martin, e encenada por Didier Caron, os dois papéis principais pertencem a Christian Clavier e a Didier Bourdon. Os dois vivem juntos e terão de receber os futuros sogros do filho de um deles, mas para isso têm de esconder a sua relação conjugal. Um clássico. Melun 12.2020 TV 3/5

La Ménagerie de Verre (T. Odéon, 2020 & 2022)

A casa dos Wingfield é uma gruta felpuda, cor de terra, onde a mãe, a filha e o filho se aconchegam e se digladiam. A frustação (e a solidão) dos três é tal que o filho, seguindo o exemplo do pai, foge e abandona a família. Antes tentara arranjar um noivo para a irmã mas apresentou-lhe um colega que já tinha noiva, provocando a ira da mãe e a depressão da irmã. Esta peça, o primeiro grande sucesso de Tennessee Williams, é já uma obra autobiográfica. La Ménagerie de verre (The Glass Menagerie), mise en scène de Ivo van Hove, com Isabelle Huppert (Amanda Wingfield), Justine Bachelet (Laura), Cyril Guei (Jim) e Nahuel Pérez Biscayart (Tom). Paris 03.2020 Théâtre de l'Odéon 4/5


LA MÉNAGERIE DE VERRE (2022)

TÍTULO ORIGINAL: The Glass Menagerie (1945) ENCENAÇÃO: Ivo van Hove INTÉRPRETES: Isabelle Huppert (Amanda Wingfield), Justine Bachelet (Laura), Cyril Guei (Jim), Antoine Reinartz (Tom) VISTO: Théâtre de l'Odéon, novembro de 2022

SUDDENLY LAST SUMMER (1958)

 
Subitamente no verão passado (TNDM II, 2020)
Suddenly, Last Summer (1958) é uma das minhas peças preferidas de Tennessee Williams, que não me canso de ver. Desde a versão para cinema (1959) com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, que tenho sempre a curiosidade em ver quem vai assumir mais uma vez as personagens de Violet Venable, Catherine e Dr Cukrowicz que protagonizam o drama violento de Williams. Uma mãe perdeu o único filho, Sebastian, no verão passado, o primeiro verão que não passaram juntos, e carrega a culpa dessa tragédia ao mesmo tempo que culpabiliza a sobrinha, a mulher que substituiu a mãe para acompanhar Sebastian nessas férias. Gostei muito desta produção de Bruno Bravo, que teve tradução do texto de Miguel Castro Caldas e música e sonoplastia de Sérgio Delgado. Na interpretação, gostei particularmente de Carolina Salles como Catherine. Com Mónica Garnel (Violet Venable), Carolina Salles (Catherine), José Leite (Dr Cukrowicz), Alice Medeiros, Joana Campos, João Pedro Dantas e Marina Albuquerque. Coprodução do TNDM II e de Primeiros Sintomas. Lisboa 02.2020 Sala Estúdio do Teatro Dona Maria II 4,5/5
Criação de Suddenly, Last Summer: York Playhouse (Off Broadway, NY), 1958. Com Anne Meacham (Catharine), Hortense Alden (Violet Venable), Robert Lansing (Dr. Cukrowicz), Eleanor Phelps (Mrs. Holly), Alan Mixon (George), incidental music de Ned Rorem.

 
Soudain, l'été dernier (Théâtre de l'Odéon, 2017)
Suddenly, Last Summer, o filme de Mankiewicz, com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomey Clift, pôs a fasquia muito alto para as posteriores adaptações do belo texto dramático de Tennessee Williams. Foi um filme que me marcou muito e que me levou a procurar ver tudo de Williams. Nos anos 80 tive a felicidade de ver Bruscamente no Verão Passado, pelo Grupo Teatro Hoje/Teatro da Graça, encenado por Carlos Fernando. E ,muitos anos depois, vi agora Soudain, l'été dernier, no Théâtre de l'Odéon, encenado por Stéphane Braunschweig. Já não me recordo bem da produção de Carlos Fernando (com Isabel Castro?), só me lembro de que adorei na altura a trilogia de Williams proposta pelo Teatro da Graça, um dos grandes momentos de teatro na minha vida. Não posso dizer o mesmo da nova produção do Théâtre de l'Odéon. O palco é ocupado pela vegetação luxuriante do jardim de Mrs Venable, mãe de Sebastian, poeta que morrera no verão anterior em condições pouco claras. A narrativa dessa morte pela prima que o acompanhava é o clímax da peça. A vegetação ameaçadora do jardim remete para várias referências à crueldade da Natureza (de Deus?), como as plantas insectívoras de que Sebastian cuidava, a matança das tartarugas prenhas por aves carnívoras na praia visitada por Sebastian e pela mãe e, sobretudo, a morte de Sebastian às mãos de pobres esfomeados, dos quais ele se servira e depois rejeitara. Faltou à peça interpretações memoráveis (o doutor de Jean-Baptiste Anoumon é uma sombra ao pé de Montgomery Clift) embora Mrs Vanable e Catherine Holly tenham tido boas atrizes a defendê-las. Apesar de tudo, gostei mais da recente produção dos Artistas Unidos de The Night of the Iguana. Soudain, l'été dernier, Paris 03.2017 Théâtre de l'Odéon 4/5  

Suddenly Last Summer (Joseph L. Mankiewicz, 1959)
Tinha visto Bruscamente no Verão Passado, de Mankiewicz, apenas uma vez (na Cinemateca Portuguesa, se a memória não me atraiçoa). Mas nunca o esqueci por várias razões: o texto de Williams, a realização de Mankiewicz e os atores. É um filme importante nas cinematografias de K. Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. Eles brilham e vibram na pele de três personagens inesquecíveis de Tennessee Williams, atormentadas pela morte atroz de Sebastian no ano passado, que leva à loucura as duas personagens femininas. Lisboa Cinemateca? & Paris 05.2016 5/5

OTHELLO

 
Uma abordagem brilhante do clássico de Shakespeare, que fala na nossa língua, com os nossos corpos e gestos, as nossas referências, a nossa cultura musical (anglo-saxónica), com o rock que mesmo não gostando nos influenciou. Paris 04.2023 Théâtre de l'Odéon 4/5

Othello (Shakespeare, TNO 2020)
Desta vez acusei um certo cansaço ao assistir ao clássico de Shakespeare, provavelmente a peça que melhor conheço do autor. Vi-a mais do que uma vez no cinema (Orson Welles), na ópera (Verdi) e no teatro (Nekrosius, em 2001...). Esta produção encenada por Jean Luc Jeener pareceu-me demasiado melodramática inclusive pelo trabalho de alguns atores, de resto excelentes: Clara Beauvois, Olivier Bruaux, Jean-Pierre Colombies, Alexandre de Pardailhan, Fabrice Michal, Dan Morgenthaler, Rose Raguel, Michel Wyn. Paris 01.2020 TNO 3/5

Beaucoup de bruit pour rien (TNO, 2020)

 
Beaucoup de bruit pour rien (Shakespeare, 1599)
Beaucoup de bruit pour rien é uma comédia sobre os amores juvenis e a honra feminina na sociedade de corte. Dois jovens manifestam um ódio mútuo mas para os amigos eles estão enamorados. Mais uma vez gostei muito pouco do Shakespeare apresentado pelo Théâtre du Nord-Ouest. Esta peça teve a encenação de Olivier Bruaux, que não conseguiu dar um tom ligeiro que a história pedia. Paris 01.2020 TNO 2,5/5
Com Gabriel Greffier, Rodolphe Beltran, Patrick Bethbeder, Daniela D'Aria, Elodi Fischlenski, Xavier Gauthier, Adrien Gourraud, Mehdi Meresse, Joséphine Stoll, Louise Vandaele, Virgile Kebaïli, Simon Djaro, Sylvain Meslard et Kropott le chien.

LA VÉRITÉ (2011)

 
La Vérité (Florian Zeller, 2011)

Na boa tradição do teatro de boulevard (Feydeau, Labiche) Florian Zeller assina uma excelente peça sobre a verdade na vida conjugal contemporânea, que abrange  igualmente as relações extraconjugais... Seria interessante comparar o que estes casais parisienses abastados constroem para encontrarem um certo equilíbrio com o que certas tribos ditas primitivas já conhecem há séculos... Encontraríamos certamente vários pontos em comum... Pierre Arditi domina o grande elenco que criou a peça em 2011 no Théâtre Montparnasse. Melun 01.2020 TV 4/5

Art (TNSJ, 1998)

 
Art (Yasmina Reza, 1994)
Arte é um marco no teatro em Portugal, tendo sido assistido por quase 200 mil espectadores. Estreou em 1998 no TNSJ (Porto) e logo a seguir no Teatro Villaret (Lisboa). António Feio traduziu e encenou a peça e interpretou-a ao lado de José Pedro Gomes e Miguel Guilherme. O público ri o tempo todo mas a história adentra os recantos sombrios da amizade entre três amigos de longa data. O pior está para a acontecer: a amizade vai terminar por uma discussão sobre arte contemporânea. Um grande momento de teatro. Melun 01.2020 TV 4,5/5

Folle Époque (SillySeason, 2020)

 

Não conhecia o coletivo de artistas SillySeason, nem de nome. Talento não lhes falta. As mulheres pareceram-me melhores, mais exuberantes e ousadas. O desespero, disfarçado ou visível, parece ser o sentimento dominante do grupo de jovens que se encontra num bar para seduzir, se divertir ou simplesmente esquecer o tempo que passa. Os loucos anos 1920 encontram os pouco prometedores anos 2020 mas os sentimentos pessoais não mudam, o desespero espera por todos na linha de chegada. Porto 2020 Teatro Carlos Alberto 3/5

LE BOURGEOIS GENTILHOMME (1670)

O ESPETÁCULO (TECA, 2020)
 
O BURGUÊS FIDALGO
Ricardo Alves, do grupo Palmilha Dentada, adapta com muita liberdade e inteligência o clássico de Molière. O espetáculo é muito muito divertido. E a história e o desenho das personagens não podiam ser mais claros. Porto agosto? de 2020 Teatro Carlos Alberto (TECA) 4/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)
Não está entre as peças mais famosas de Molière, mas vale a pena conhecê-la. Um burguês crédulo vive obcecado com a nobreza, caindo na cantiga de todos aqueles que tentam aproximá-lo das "gens de qualité", acenando com uma possível amante marquesa ou com o casamento da filha com o filho do Sultão de Turquia. Esta comédia tinha originalmente música de Lully e coreografia de Pierre Beauchamp. Paris 06.2015 TNO 3/5

Tiago Ferro O Pai da Menina Morta 2018 (Tinta-da-China 2018)

Tiago Ferro O Pai da Menina Morta 2018 (Tinta-da-China 2018) NT