Subitamente no verão passado (TNDM II, 2020)
Suddenly, Last Summer (1958) é uma das minhas peças preferidas de Tennessee Williams, que não me canso de ver. Desde a versão para cinema (1959) com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, que tenho sempre a curiosidade em ver quem vai assumir mais uma vez as personagens de Violet Venable, Catherine e Dr Cukrowicz que protagonizam o drama violento de Williams. Uma mãe perdeu o único filho, Sebastian, no verão passado, o primeiro verão que não passaram juntos, e carrega a culpa dessa tragédia ao mesmo tempo que culpabiliza a sobrinha, a mulher que substituiu a mãe para acompanhar Sebastian nessas férias. Gostei muito desta produção de Bruno Bravo, que teve tradução do texto de Miguel Castro Caldas e música e sonoplastia de Sérgio Delgado. Na interpretação, gostei particularmente de Carolina Salles como Catherine. Com Mónica Garnel (Violet Venable), Carolina Salles (Catherine), José Leite (Dr Cukrowicz), Alice Medeiros, Joana Campos, João Pedro Dantas e Marina Albuquerque. Coprodução do TNDM II e de Primeiros Sintomas. Lisboa 02.2020 Sala Estúdio do Teatro Dona Maria II 4,5/5
Criação de Suddenly, Last Summer: York Playhouse (Off Broadway, NY), 1958. Com Anne Meacham (Catharine), Hortense Alden (Violet Venable), Robert Lansing (Dr. Cukrowicz), Eleanor Phelps (Mrs. Holly), Alan Mixon (George), incidental music de Ned Rorem.
Soudain, l'été dernier (Théâtre de l'Odéon, 2017)
Suddenly, Last Summer, o filme de Mankiewicz, com Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomey Clift, pôs a fasquia muito alto para as posteriores adaptações do belo texto dramático de Tennessee Williams. Foi um filme que me marcou muito e que me levou a procurar ver tudo de Williams. Nos anos 80 tive a felicidade de ver Bruscamente no Verão Passado, pelo Grupo Teatro Hoje/Teatro da Graça, encenado por Carlos Fernando. E ,muitos anos depois, vi agora Soudain, l'été dernier, no Théâtre de l'Odéon, encenado por Stéphane Braunschweig. Já não me recordo bem da produção de Carlos Fernando (com Isabel Castro?), só me lembro de que adorei na altura a trilogia de Williams proposta pelo Teatro da Graça, um dos grandes momentos de teatro na minha vida. Não posso dizer o mesmo da nova produção do Théâtre de l'Odéon. O palco é ocupado pela vegetação luxuriante do jardim de Mrs Venable, mãe de Sebastian, poeta que morrera no verão anterior em condições pouco claras. A narrativa dessa morte pela prima que o acompanhava é o clímax da peça. A vegetação ameaçadora do jardim remete para várias referências à crueldade da Natureza (de Deus?), como as plantas insectívoras de que Sebastian cuidava, a matança das tartarugas prenhas por aves carnívoras na praia visitada por Sebastian e pela mãe e, sobretudo, a morte de Sebastian às mãos de pobres esfomeados, dos quais ele se servira e depois rejeitara. Faltou à peça interpretações memoráveis (o doutor de Jean-Baptiste Anoumon é uma sombra ao pé de Montgomery Clift) embora Mrs Vanable e Catherine Holly tenham tido boas atrizes a defendê-las. Apesar de tudo, gostei mais da recente produção dos Artistas Unidos de The Night of the Iguana. Soudain, l'été dernier, Paris 03.2017 Théâtre de l'Odéon 4/5
Suddenly Last Summer (Joseph L. Mankiewicz, 1959)
Tinha visto Bruscamente no Verão Passado, de Mankiewicz, apenas uma vez (na Cinemateca Portuguesa, se a memória não me atraiçoa). Mas nunca o esqueci por várias razões: o texto de Williams, a realização de Mankiewicz e os atores. É um filme importante nas cinematografias de K. Hepburn, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. Eles brilham e vibram na pele de três personagens inesquecíveis de Tennessee Williams, atormentadas pela morte atroz de Sebastian no ano passado, que leva à loucura as duas personagens femininas. Lisboa Cinemateca? & Paris 05.2016 5/5


