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André Derain 1904 - 1914. La décennie radicale (2018)

Fiz bem em não perder esta exposição, apresentada no centro Pompidou, vista nos últimos dias. Pouco me dizia o nome de Derain. Acabei por ficar fascinado por este pintor que era posto nos píncaros da pintura francesa na primeira metade do século e depois tornou-se um nome secundário, de certo modo. Além da exposição, li o livrinho da Gallimard, coleção Découvertes, dedicado ao pintor. Derain foi um dos grandes fauves, passou pelo cubismo e outros ismos da época e encontrou uma forma (neo)clássica com obras tão interessantes quanto pouco conhecidas. Paris 2018 Pompidou 5/5

A Stranger is Watching (Mary Higgins Clark, 1977)

A Stranger is Watching (Mary Higgins Clark, 1977)

La Nuit du Renard foi a primeira obra de Clark traduzida em França em 1980 e acabou logo por ser premiada com o Grand prix de littérature policier. É um clássico do género. Um jovem está prestes a ser condenado à morte pela assassinato de uma jovem mas o verdadeiro assassino continua à solta e a praticar crimes semelhantes. A descoberta da identidade deste assassino torna-se uma corrida contra o tempo, que é fatalmente escasso para o jovem inocente preso. A mecânica da trama é notável mas as personagens principais têm pouca espessura psicológica, não permitindo a construção de um ambiente distinto, próprio de Mary Higgins Clark, como encontro noutros escritores como P. D. James. Estarei enganado? Rio de Janeiro, abril de 2018:  3/5

Small g: A Summer Idyll (Patricia Highsmith, 1995)

Small g: A Summer Idyll é o último romance escrito por Patricia Highsmith. Não tem a qualidade dos seus grandes livros, longe disso, e tal juízo é partilhado por toda a gente. Quase não há suspense, aquela vertigem que atrai tantos leitores (como eu) para a sua obra. Idílio no Verão, título da edição que li da Europa-América, narra o que acontece durante um verão a um grupo de amigos, heterossexuais, homossexuais e bissexuais, homens e mulheres, que tentam ultrapassar os preconceitos e más intenções de algumas mentes tacanhas (em particular de Renata, a única personagem que traz uma certa tensão ao desenrolar dos acontecimentos) e atingir a felicidade. Talvez esta seja simbolizada pelo bar queer-friendly da localidade de Zurique onde as personagens moram, e onde se realizam festas que são o ponto alto da semana para elas. Tudo termina bem, como num conto de fadas, e Rickie, Luísa e os seus amigos vivem em pleno a sua sexualidade liberta de constrangimentos. Uma leitura muito agradável.  Paris 2018 3,5/5
DIÁRIOS E CADERNOS
Relógio D’água 2025?
NT

Georgia Boy (Erskine Caldwell, 1943)

Um romance cómico sobre uma família pobre do Sul dos Estados Unidos, os Stroup. O rapaz Stroup, de doze anos, narra as aventuras do pai, sempre em apuros, e as intervenções da mãe, que restabelece o bom senso necessário à vida quotidiana. E há o Negro da família, Handsome Brown, adoptado mas considerado como propriedade desta família simples e amável. Há algo de desconcertante e desafiador na simplicidade desta narrativa. Lido em português: Um Rapaz da Georgia (Ulisseia, 1986). Bahia 2018 3/5

EUA: Georgia 1903 - Arizona 1987

TOBACCO ROAD (1932)

GEORGIA BOY(1943)

Karen (Ana Teresa Pereira, 2016)

Um breve romance bastante enigmático. A protagonista acorda com pouca memória de si e do mundo, e resiste a reconhecer-se naquela - Karen - que os seus mais próximos pouco a pouco impõem como sendo a sua identidade. Parece um thriller, sendo o suspense um elemento importante da narrativa, muito bem gerido pela escrita da autora. Mas o enigma permanece quando fechamos o livro e esse é um ponto pouco satisfatório desta recente obra de Ana Teresa Pereira. VC 07.2018 BMPV 3/5
Prémio Oceanos 2017
Relógio D'Água 2016

Success (Martin Amis, 1978)

3º romance de M. Amis

Dois irmãos dividem o posto de narrador neste primeiro romance que leio de Martin Amis. Gregory Riding, rebento de uma família abastada, e o seu irmão adotivo Terence Service, que foi criado pelos Riding quando ficou órfão aos nove anos (o pai matou a irmã na sua presença e já tinha provavelmente matado a mãe). São agora adultos e partilham um apartamento em Bayswater, Londres, mas não podiam ser mais diferentes um do outro. Greg é muito atraente, tem um grande emprego e tem uma vida social e (bi)sexual invejável. Terry é vendedor por telefone, vive ameaçado de perder o emprego, e tem uma vida social e (hetero)sexual miserável. Conhecemos a história deles pelos testemunhos cruzados com que interpelam o leitor, manipulando-o, tentando anular ou desacreditar a voz do outro. Neste estratagema reside grande parte da comicidade deste romance. Greg, sobretudo ele, é a primeira vítima do seu discurso hiperbólico, auto-glorificador, raiando a caricatura. Talvez por serem muito jovens e ambos rejeitarem a vida de casal, quase só falam de sexo, e as mulheres são todas "gajas". Temos assim um divertido romance sobre uma certa masculinidade (doentia). Tenho de ler mais Martin Amis. Paris/Londres 07.2018 4/5

House of Meetings (Martin Amis, 2007)

House of Meetings (Martin Amis, 2007)

Dois irmãos (melhor, meios-irmãos) encontram-se num gulag soviético e entre eles estabelece-se uma rivalidade porque um deles casou-se com uma mulher que o outro também deseja. O narrador-protagonista, um dos irmãos não identificado, passa em revista a história da vida soviética, sobretudo das vítimas do regime, a partir da segunda guerra mundial. Um balanço deprimente, outra coisa não seria de esperar. Curiosamente o outro livro que li de Martin Amis, no início deste mês, Success (1978), trata de dois meios-irmãos que disputam as mulheres a que deitam mão, em particular a irmã dos dois, que mantinha desde a infância uma relação incestuosa com o irmão e mais tarde também com o meio-irmão. Será uma obsessão de Amis esta temática dos irmãos rivais? House of Meetings é menos interessante do que Success. Por vezes, o narrador abusa da informação sobre a realidade soviética que quer transmitir atrapalhando a ficção. Mas a superioridade de Amis sobre quase todos os seus pares não está em causa. A estrutura e a escrita do romance são muito boas. VC 07.2018 3/5 A Casa dos Encontros (Teorema)

Master of the Moor (Ruth Rendell, 1982)

Pois é. Finalmente leio uma obra da grande Ruth Rendell. O Senhor da Charneca (PEA «Clube do Crime» 2006) é um romance policial passado numa pequena povoação inglesa dominada pela charneca, que é em si uma personagem. Várias mulheres são encontradas mortas na charneca e o principal suspeito, num primeiro momento, é o protagonista, que é uma autoridade da charneca, escrevendo sobre a mesma num jornal local. Ele parece gostar mais da paisagem do que da própria mulher ou de que qualquer outra pessoa. Na charneca ele costumava brincar com um amigo de juventude, e juntos exploraram alguns lugares inacessíveis, aventuras que o marcaram a ponto de a saudade do amigo surgir com uma dimensão homoafetiva muito clara. Aliás, o romance  tem na sugestiva descrição psicológica das personagens uma das suas melhores qualidades. Paris 2018:  3,5/5

A Passage To India (E. M. Forster, 1924)


Passagem para a Índia é o último romance de E. M. Forster. Viveria mais 50 anos (ou quase) sem escrever outro. Um mistério... Neste romance brilhante, que antecipa o futuro da Índia (Aziz, o principal personagem entre os indianos, ameaça um amigo inglês com a independência da Índia para breve), o tema principal é a relação entre indianos e ingleses no contexto da relação de colonização que os obrigava a conviver de perto. O  romance é implacável para os colonizadores britânicos, que faziam da separação absoluta entre indianos e ingleses a base da sua colonização. Relações de amizade e amor entre britânicos e autóctones eram condenados como se os primeiros cometessem alta traição à pátria. O evento central da trama prende-se com a acusação de uma inglesa contra um médico indiano que a terá molestado numa gruta que visitavam. A comunidade britânica une-se para defender a conterrânea contra o indiano, que acaba por ser inocentado pela acusadora e pela justiça. O mal estava feito e o evento pôs a descoberto o mal-estar dos indianos face ao colonizador e a insustentabilidade da presença deste na Índia. Muito bom. Leitura de Passagem para a Índia, na tradução de Bernardette Pinto Leite (Europa-América, 1979). VC 03.2018 BMPV 4/5
Relógio d'Água


E. M. Forster A New Life (2010)

E. M. Forster A New Life
Enssaio de Wendy Moffat (2010)

Esta biografia recente de Forster foi uma das leituras mais empolgantes que fiz em 2018. A New Life é o título da obra e refere-se ao facto de só após a morte de Forster, no início dos anos 70, a homossexualidade do escritor pôde ser revelada ao público. Como muitos ele vivia uma vida dupla, publicamente hetero, mas homo na sua afetividade e sexualidade. Forster nunca quis revelar a sua sexualidade para não confrontar a mãe, com a qual viveu muito tempo. Mas muitos dos seus amigos eram gays, viviam com homens (como Britten e Peter Pears, por exemplo) e ele escreveu o romance sobre a relação entre dois homens, Maurice, no início do século XX mas apenas publicado postumamente, 70 anos depois... Forster despertou tarde para a vida ativa sexual, pois na sua juventude, vencido pela timidez e retraimento, teve apenas fugazes aventuras com homens. Com a idade apaixonou-se e teve relações mais regulares com companheiros, sempre na maior discrição (o seu grande amor era casado e o ménage à trois durou até ao fim da vida do seu amor). Forster era uma referência literária para os escritores mais jovens, muitos deles gays, que o recebiam na América e na Europa como o grande romancista britânico vivo... Gostaria de reler este livro, um dia. Póvoa de Varzim 12.2018 BIBLIOTECA 5/5

Point of Origin (Patricia Cornwell, 1998)

É o segundo livro que leio de Patricia Cornwell, uma das grandes escritoras de policiais. Neste Point of Origin (1998), a sua heroina Kay Scarpetta, médica legista a trabalhar para uma agência estatal, não só persegue os assassinos de uma série de crimes que se revelam particularmente escabrosos, como é perseguida por eles, que a tomam como principal alvo a abater, assim como o seu companheiro, Benton, e a sua sobrinha, Lucy. Quem apanhará o outro primeiro? Que vítimas ficarão pelo caminho? Impressionante é a figura de Carrie Grethen, um monstro que nunca se mostra, mas aterroriza Scarpetta e os seus mais próximos e o próprio leitor. Boa leitura de férias. Rio de Janeiro 2018:  3,5/5

Innocent Blood (P. D. James, 1980)


Innocent Blood é uma das melhores tramas de P.D. James, com uma situação inicial simples e genial. A jovem Philippa Palfrey, que foi adoptada em criança por uma família de bons recursos, aproveita a lei recentemente publicada que permite dar a conhecer aos jovens adotivos os seus pais biológicos. Philippa vai ter uma surpresa terrível: a sua mãe está viva e prestes a ser libertada da prisão, onde paga uma pena por ter abusado e estrangulado uma menina com o ex-companheiro (entretanto morto). Philippa e a mãe assassina instalam-se num apartamento para se conhecerem melhor mas há um homem interessado em saber o paradeiro da assassina: o pai da menina morta. Trata-se de um thriller psicológico, mais do que um policial, não havendo crime a elucidar nem detetives. Uma grande obra do género. Brasil  12.2018 Salvador 4/5

The Bridge of San Luis Rey (Thorthon Wilder, 1927)

Quando começamos a ler um livro temos sempre algumas expectativas inspiradas pelo autor e pelo título. Já conhecia (de ouvir falar) o clássico americano The Bridge of San Luis Rey de Thornton Wilder. E esperava vagamente qualquer coisa muito distante da história narrada neste romance: a vida de vários personagens que viveram no século 18 no Chile e que morreram no mesmo instante, quando a ponte San Luis Rey caiu. As personagens são fascinantes: uma aristocrata solitária abandonada pela família com grande talento literário revelado nas cartas escritas à filha; dois gémeos sem família, criados num convento; uma atriz do teatro local, Camilla la Périchole, que defendia o teatro espanhol do siglo de Oro; o tio Pio, que era o seu coach (Camilla não morreu na queda da ponte, morreu o seu filho que ia acompanhado do tio Pio). Um romance muito interessante sobre a vida numa colónia espanhola no século 18. Paris 06.2018 3,5/5

The Well of Loneliness (Radclyffe Hall, 1928)

The Well of Loneliness (Radclyffe Hall, 1928)
O Poço da Solidão

Record, 1998 
Tradução de Ary Quintella

Foi um verdadeiro achado ter encontrado este livro numa banca de livros velhos, na Carioca, no Rio. Trata-se, suponho, da única tradução em língua portuguesa do clássico The Well of Loneliness (1928), primeiro livro importante sobre o lesbianismo. Quando foi publicado provocou sem surpresa uma grande polémica e chegou a ser proibida a sua publicação. O livro começou por surpreender-me pelo seu recorte clássico, quanto à estrutura e também quanto à linguagem, numa época em que Joyce e Woolf mostravam ao romance caminhos radicalmente modernos. Mas o romance de Hall é muito bom, tendo me proporcionado uma leitura muito prazerosa. O livro narra a vida de Stephen, uma jovem da aristocracia terratenente da província inglesa, que por amar mulheres e persistir na busca de uma relação lésbica estável e publicamente reconhecida, vai descer o poço da solidão, como sugere o título. Mas nessa descida Stephen encontra muitos respiradouros e entradas de luz e em alguma delas poderá descansar e viver. Há o trabalho (Stephen torna-se uma escritora famosas) e o amor (a longa relação com Mary, em Paris). Radclyffe Hall refere-se a Stephen como um ser invertido, um termo tolerável na época para referir os homossexuais, mas estranho na nossa época. Não importa. O que é notável é ter narrado uma vida, do nascimento até à idade adulta, marcada pela frustração decorrente da sua orientação sexual. Stephen não tem modelos em que se espelhar e acorda muito tarde para a sexualidade e para a sua sexualidade em particular. E leva tempo a perceber que o seu comportamento nunca será aceite no meio fechado em que cresceu e que amava: a sua propiedade de Morton. Terá de abandonar a casa e abdicar de qualquer relação de afetividade com a mãe. Vai viver para Londres, e por fim para Paris, onde conhecerá o período mais feliz da sua existência e o único onde se relaciona com outros como ela. Um excelente romance. Paris 2018 4,5/5
Lebooks 2019
NT

Washington Square (Henry James, 1881)

Depois de umas leituras dececionantes, tive agora direito a um tesouro. Como é o primeiro livro que leio de Henry James, a surpresa pela qualidade deste clássico foi enorme. A análise psicológica das personagens, sobretudo das femininas, é talvez o grande feito deste romance e a forma como essa análise se revela pela escrita faz parte desse mesmo feito. A protagonista, Catherine Sloper, é a vítima da frieza e do calculismo de dois homens, o seu pai, que lhe evita os pretendentes que não estejam à sua altura, e Morris Townsend, que a corteja pela fortuna que ela vai herdar. Nenhum dos três vai sair ileso da luta que se trava, mas o narrador ocupa-se sobretudo em dar-nos a ver, a sentir, a ferida que coube a Catherine, que fechará apenas com a morte. Um grande clássico. Bahia 07.2018 5/5

João do Rio - Vida, Paixão e Obra (2010)

João do Rio - Vida, Paixão e Obra (2010)
Obra de João Carlos Rodrigues
BIBLIOTECA

João do Rio foi um brilhante cronista do Rio de Janeiro do início do século XX. Talentoso escritor, deixou muitos contos escritos, poucos romances (pouco conhecidos), peças de teatro que tiveram sucesso na estreia, reportagens de antologia. Era verdadeiramente notável o seu pensamento, raro entre os intelectuais brasileiros contemporaneos, sobre as questões sociais, como os direitos dos trabalhadores. Tinha uma enorme paixão por Portugal (repetia que queria morrer em Lisboa) e relacionou-se com a nata do pensamento português da época (mas passou-lhe ao lado o melhor, a geração de Orpheu). No final do livro comoveu-me a sua defesa dos "poveiros", os pescadores portugueses que seriam prejudicados pela nova legislação nacionalista que estava para ser aprovada. Era homossexual, mas o livro explora muito pouco essa questão, não me lembro de qualquer relação amorosa que tenha tido (ou sido testemunhada), a não ser a relação íntima com a dançarina Isadora Duncan. Uma biografia cheia de surpresas, para quem conhecia o João do Rio de alguns contos e da fama que perdura até hoje. Leitura Paris, maio de 2018 4/5

Biblioteca Oscar WILDE

OSCAR WILDE (2009)
Autor: Daniel Salvatore Schiffer
Folio Biographie 2009
BIBLIOTECA
Uma boa biografia francesa de Oscar Wilde, escritor britânico de origem irlandesa que amou a França como poucos. Passou aqui os seus últimos anos de vida. Schiffer recorre por vezes à reação mais favorável dos parisienses para sublinhar a posição ingrata do autor na sua pátria, onde não era compreendido pelo público nitidamente mais conservador, que no entanto adoraria mais tarde as suas peças de teatro. A vida de Wilde foi uma tragédia anunciada e Schiffer abusa dessa leitura, chamando a atenção para os muitos factos da juventude de Wilde que iriam ter um papel na sua improvável queda. Entre os escritores Wilde tem um dos destinos mais trágicos: teve uma morte (social) antes de morrer. Foi-lhe retirada a família (mulher e filhos) e quase todos os amigos se afastaram dele. Nunca mais reuperou da série de humilhações que resultaram da condenação do seu amor pelo jovem lord Douglas. Paris 11.2018 4/5

Oscar Wilde (1969)
Autor: Funker
Temas & Debates
BIBLIOTECA P

Carlo Goldoni (Frank Médioni, 2015)

Carlo Goldoni (2015)
Autor: Frank Médioni
Folio Biographie 2015
BIBLIOTECA

Goldoni é um dos grandes nomes da cultura italiana de Setecentos. Nasceu e escreveu grande parte da obra em Veneza, da qual celebrou os costumes e a língua tanto em peças que seguiam a tradição da commedia dell'arte como em comédias revolucionárias que marcam o início do teatro moderno em Itália. Apesar de ser popular e ao mesmo tempo reconhecido pelo público mais exigente (as suas obras completas foram várias vezes publicadas em vida do autor), Goldoni teve uma competição à altura em Veneza sobretudo com Gozzi, mais apegado à commedia dell'arte. Uma das partes mais interessantes desta biografia é a narrativa da oposição entre os dois no campo literário e institucional. Goldoni passou a última parte da sua vida em Paris, vivendo de favores (ou subsídios, diríamos hoje) dos aristocratas e da família real. Escreveu ao longo da vida muitos libretos de ópera e uma grande obra que ainda hoje se lê muito, as suas Memórias. Paris 12.2018 4,5/5

Feydeau (1991)

 
FEYDEAU (1991)
Autor: Henry Gidel
Flammarion 1991
Grandes Biographies
BIBLIOTECA

Feydeau é um dos ícones da Belle Epoque parisiense. Na viragem do século XIX para o século XX as suas peças, vaudevilles e comédias, entusiasmavam o público e a crítica e começavam a ser representadas no estrangeiro e também a ser reprisadas pelos teatros franceses. As suas peças imortalizaram figuras da época, como as cocottes, as mulheres de vida fácil que dominavam a vida social de Paris, ou os ricos, de dinheiro novo ou velho, que caíam nas suas garras. O início do livro é muito interessante porque me deu a conhecer o pai do dramaturgo, Jacques Feydeau, que foi amigo de Flaubert, Théophile Gautier ou Dumas Fils e foi um romancista de grande sucesso mas hoje esquecido. Georges Feydeau, o filho, tornou-se evidentemente muito mais conhecido do que o pai (é o autor cómico francês mais genial depois de Molière). Feydeau foi também um dos grandes colecionadores de arte da sua época, tendo adquirido inúmeros quadros dos impressionistas. Mas foi perdendo quase tudo para pagar as dívidas que ele e a mulher acumulavam com luxos de vária ordem. Feydeau nunca saía de Paris e levava uma vida social invejável (para mim): nunca jantava em casa e mas passava todo o tempo nos bares, sobretudo no Maxim's, a sua segunda casa, e só recolhia aos nascer do sol. Foi amigo de grandes nomes do teatro como Lucien e Sacha Guitry, tendo este último começado a carreira (de ator e autor de comédias) quando Feydeau terminava a sua. Henri Gidel, o autor desta biografia, é um grande especialista de Feydeau, tendo publicado as suas obras completas e escrito várias obras sobre a vida e obra do dramaturgo. Leituras 2018 Vila do Conde, Natal de 2018: 3,5/5

Will Eisner (Michael Schumacher, 2010)

Will Eisner (2010) Autor: Michael Schumacher Bloomsbury 2010 Hardcover BIBLIOTECA F