All About Eve (Joseph L Mankiewicz, 2019)

No Noel Coward Theatre (Londres) uma peça está a dar muito que falar. All About Eve é um filme de 1950 com interpretações míticas de Bette Davis e Anne Baxter e a marca da inteligência do seu criador, Joseph L. Mankiewicz. Agora All About Eve é também uma peça de teatro, baseada no argumento de Mankiewicz, criada por Ivo van Hove, que utiliza a filmagem de certas cenas como meio de expressão já visto noutros trabalhos seus. Sem fazer esquecer Davis e Baxter, Gillian Anderson (Margo Channing) e Lily James (Eve Harrington) merecem os maiores elogios nesta história de ambição (Eve) e decadência (Margo). Com Monica Dolan (Karen Richards), Rhashan Stone (Lloyd Richards), Sheila Reid (Birdie). Londres 04.2019 4/5

The Glass Menagerie (Williams, 1945)

Um pai ausente, uma mãe castradora (Amanda Wingfield), dois irmãos frustrados (Laura e Tom Wingfield) mantidos na redoma familiar, impedidos de sair para o mundo. A família como prisão de amor cria um ódio da pior espécie, o ódio de si mesmo. Tom convida um colega para jantar, para fazer a corte à irmã, então o mundo exterior mostra as suas garras disfarçadas de boas intenções. A peça que tornou famoso Tennessee Williams é lindíssima e o espetáculo que vi tornou-se inesquecível pela boa encenação de Charlotte Rondelez e pelas excelentes prestações do elenco. Paris 09.2018 Théâtre de Poche-Montparnasse 4,5/5
Elenco: Cristiana Réali (Amanda Wingfield), Ophelia Kolb (Laura Wingfield), Charles Templon (Tom Wingfield) e Félix Beaupérin (Jim O'Connor).

Jean-Luc Jeener: L'amitié (2016)

Na véspera da estreia de uma peça de teatro, após o ensaio geral, a encenadora da peça está dececionada com o trabalho de um dos atores e vai ter com ele para lhe expor as suas impressões. Mas o ator também tem as suas queixas sobre o trabalho da encenadora... Segue-se uma conversa acesa que abala não só a relação profissional entre os dois mas também, e mais importante ainda, a sua relação de amizade. L'amitié é a nova peça de Jean-Luc Jeener, recentemente criada. Paris 01.2016

L'avare (Molière, 1668)

O Avarento é uma das obras-primas de Molière. Harpagon (excelente Bernard Lefebvre), pai de dois filhos em idade de casar, arranjou uma noiva jovem, namorada secreta do filho, e resolveu casar a filha com um homem mais velho porque fez um bom negócio: não precisa de pagar o dote da filha. Harpagon só vê dinheiro à frente, e a sua fama de sovina ultrapassa as fronteiras da terra onde vive. A grande tragédia dá-se quando lhe roubam as economias; fica inconsolável que nem um bebé. Boa encenação de Jean-Luc Jeener. Paris 09.2016 TNO 4/5

O Mercador de Veneza (Shakespeare, 1597)

O Mercador de Veneza é uma peça polémica, centrada no judeu Shylock, que exige uma libra da carne do armador Antonio, que não consegue pagar a dívida que contraiu junto daquele. Shylock é abandonado pela filha, que leva consigo o dinheiro e as joias do pai e junta-se aos cristãos. Shylock quer vingança a todo o custo, a que tem direito segundo a lei de Veneza, vingança por todas as humilhações que vive como judeu. Comédia? Sim, também. Bom trabalho coletivo do Théâtre du Nord Ouest. Encenação de Jean-Luc Jeener, com Julia Beauquesne, Olivier Bruaux, Frédéric Franzil, Bernard Lefèbvre, Hervé Maugoust, Fabrice Michal, Alexandre de Pardailhan, Hélène Robin, Rose Raguel, Ewelina Silkowska, Paul Wagner. Paris 01.2019 TNO 3/5

Le péché et la grâce (Giraudoux, 1943)

Jean Giraudoux escreveu o argumento e os diálogos de Le péché et la grâce (1943), primeiro filme de Robert Bresson. Há poucos anos Jean-Luc Jeener transformou esse argumento numa peça de teatro, que vi agora. O trabalho feito é impecável, tendo resultado numa peça muito intensa e densa sobre alguns aspectos essenciais da fé católica. Uma jovem chega a um convento com o plano de converter criminosas, convencendo-as a integrar a ordem. Mas o seu amor-próprio excessivo e a sua crescente rebeldia vai perturbar o funcionamento do convento e a sua própria saúde mental. Todas as atrizes são excelentes, mas destaco mesmo assim a protagonista, Marie Hasse. Muito bom. Paris 03.2017 TNO 4/5

Le Canard Sauvage (Ibsen, 1884)

Há uma família (o pai Hjalmar Ekdal,  a mãe Gina Ekdal, e a filha Hedvig) que, apesar do aperto económico em que vivem, se consideram muito felizes. Mas um dia aparece-lhes em casa um conhecido do passado, amigo de juventude do homem, e filho dos antigos patrões da mulher. Um anjo exterminador. Essa amizade do passado traz consigo um segredo desse passado, e com a sua revelação pretende purificar o casamento do casal, que assenta na mentira e no recalcamento de factos nebulosos relativos às condições que originaram o casamento. A tragédia que se sucede à revelação da mentira vai atingir o ente mais inocente, a criança, que pagará com a vida a falta dos pais e avós. Mais uma peça superior de Ibsen. Paris 05.2018 4/5
Vildanden (1884)
Jean-Luc Jeener (encenação)
com
Philippe Brigaud (Håkon Werle)
Valentin Terrer (Gregers Werle)
Hervé Maugoust (Hjalmar Ekdal)
Michel Wyn (Velho Ekdal)
Christine Liétot (Gina Ekdal)
Katia Lamberger (Hedvig)

Titus Andronicus (Shakespeare)

Jean-Luc Jeener (e os seus intérpretes) assina uma das melhores produções vistas no Théâtre du Nord-Ouest. Ritmo, humor, violência, e uma visão do mundo implacável como encontramos em poucas obras de arte. Paris 02.2022 TNO 5/5

Le Pays Lointain (Jean-Luc Lagarce, 1995)

Le Pays Lointain é a última obra de Lagarce, tendo sido publicada no mês em que o autor morreu. Para mim é uma espécie de remake de Juste la fin du monde. Mesma história, personagens semelhantes. Louis, um escritor de 40 anos regressa à casa da família, depois de muitos anos de ausência, para anunciar a sua morte, que deverá ocorrer nos meses seguintes. A sua visita aciona todas as frustações e mágoas que não poupam nenhum dos membros da família. Sabemos que os problemas internos das famílias traduzem-se muitas vezes por grande violência verbal (e física) e pela repetição ad nauseum dos mesmos lamentos e acusações. Foi penoso assistir a uma tempestade familiar durante quatro horas. Já tinha visto isto em Juste la fin du monde, não há grande novidades neste Pays Lointain, a não ser que nesta última peça Louis está acompanhado da família escolhida, os seus amigos e o amante do momento. Paris 04.2019 Odéon 3/5

La cantatrice chauve (Ionesco, 1950)

La cantatrice chauve é um clássico do teatro do absurdo, um teatro para o nosso tempo, como bem revela a encenação histórica de Jean-Luc Lagarce, de 1991, e que é agora apresentada, com o mesmo elenco da época, no Théâtre de l'Athénée. Um espetáculo único. Paris 02.2018 4/5
Mise en scène de Jean-Luc Lagarce (1991)
com 
Jean-Louis Grinfeld (M. Smith)
Mireille Herbstmeyer (Mme Smith)
Olivier Achard (M. Martin)
Emmanuelle Brunschwig (Mme Martin)
Marie-Paule Sirvent (Mary, a criada) 
François Berreur/Christophe Garcia (Bombeiro)

Les règles du savoir-vivre dans la société moderne (Lagarce, 1994)

Lagarce escreve sobre as regras burocráticas e consagradas pela sociedade sobre a vida dos cidadãos desde o seu nascimento até à morte. Um texto pouco dramatúrgico mas divinamente interpretado por Catherine Hiegel. 
Les règles du savoir-vivre dans la société moderne (1994), encenação de Marcial di Fonzo Bo, com Catherine Hiegel, Paris 10.2021 Théâtre du Petit Saint-Martin 4/5

ANGELS IN AMERICA (1991)

A peça já clássica de Tony Kushner, Angels in America (1991), é apresentada na Comédie Francaise, numa versão breve (a original americana dura sete horas, esta duas). O texto francês é de Pierre Laville, e a mise en scène de Arnaud Desplechin. Apenas oito actores dão vida a mais de 20 personagens, que representam a América gay dos anos 80, ameaçada pela sida e sobretudo pelo conservadorismo homofóbico da época. Paris 03.2020 & 2023 Comédie-Française 4/5
Intérpretes: Michel Vuillermoz, Jennifer Decker, Gaël Kamilindi, Dominique Blanc, Florence Viala, Jérémy Lopez, Clément Hervieu-Léger, Christophe Montanez.
ANGELS IN AMERICA (2003)
Minissérie da HBO

REALIZAÇÃO:  Mike Nichols ARGUMENTO:  Tony Kushner PRODUÇÃO: HBO Films GÉNERO: Série TV, Drama ORIGEM: EUA, Itália ESTREIA: 7 & 8/12/2003 (EUA) 31/05/2004 (Portugal) ELENCO: Meryl Streep, Emma Thompson, Al Pacino, Patrick Wilson VISTO Paris 16.06.2024 Cinémathèque 4/5

MACBETH (Shakespeare, 1606)

Nuno Carinhas encena Macbeth, a tragédia escocesa de Shakespeare, sobre a ambição desmedida do general Macbeth que, instigado pela mulher, mata o rei para lhe suceder. O palco é dominado pelo negro e pelo vermelho da terra e da tragédia sangrenta que abrasa o país. Um bom espetáculo. Porto 02.2018 TNSJ 4/5
João Reis 
(Macbeth) 
Emília Silvestre 
(Lady Macbeth)
Joana Carvalho
João Cardoso
João Castro
Diana Sá
Jorge Mota
Paulo Calatré
Paulo Freixinho
Sara Barros Leitão


Macbeth (Justin Kurzel, 2015)
Macbeth não era uma prioridade entre as dezenas de filmes, novos e clássicos, que estão nas salas para serem vistos. No entanto, a curiosidade por ver uma enésima adaptação do monumento de Shakespeare e por ver como Michael Fassbender e Marion Cotillard encarnaram os protagonistas levou-me a escolher filme. Como já tinha acontecido com a adaptação de Orson Welles, o filme deixou-me indiferente. Ao menos com Welles temos volta e meia soluções de mise em scène que nos exigem a admiração incondicional. Com esta nova adaptação não há nada disso. Estão lá a língua e os versos de Shakespeare, sempre admiráveis, e a luta inglória do realizador em estar à sua altura. Sem dúvida, prefiro Shakespeare nos palcos, onde a palavra não é perturbada por tantas imagens desnecessárias. Paris 01.2016 Sala Accatone 2,5/5

Marlène Dietrich - Les Nuits Blanches de l'Ange Bleu (2017)

Marlene Dietrich no seu apartamento parisiense rememora o fio da sua vida, em particular dos muitos homens que conheceu, como um tal de Jean (Gabin?) que a marcou sobremaneira. Esta peça musical (Luana Kim/Dietrich canta em várias línguas) foi escrita e é interpretada por Luana Kim. As canções são o melhor do espetáculo. Paris 11.2017 TNO 2,5/5

Andromaque (T. Odéon, 2023)

Paris 12.2023 Théâtre de l'Odéon 2/5

Iokaste (Teca, 2023)

Porto 2023 Teca 1.5/5

Comme s'il en pleuvait (Sébastien Thiéry, 2014)

Um casal (Pierre Arditi e Evelyne Buyle) é surpreendido com o aparecimento de notas de 100 euros na sala deles. Todos os dias o fenómeno se repete. Decidem então aproveitar a fortuna que lhes calhou... A peça estreou no Théâtre Édouard VII, em Paris, e teve desde então numerosas reposições e elencos. Melun 12.2020 TV 2/5

Knock 2020 (Alain Didier, 2022)

Uma peça-propaganda contra as decisões políticas do uso obrigatório da máscara e do passe sanitário no passado bem recente. Paris 10.2022 TNO 1/5
Mise en scène de Margaret Clarac, com Julia Beauquesne, Margaret Clarac, Joelle Helary, Yves Jouffroy, Jonathan Le Guillou, Alexandre Triaca

A Streetcar Named Desire

Paris 6.04.2024 
Théâtre des Bouffes Parisiens 4/5

Testament de Marie (Colm Toibin, 2013)

Colm Toibin escreveu esta peça a partir do seu romance The Testament of Mary (2012). A peça foi criada no ano seguinte na Broadway, com encenação de Deborah Warner, com Fiona Shaw como única intérprete em palco. Deborah Warner encenou também a criação francesa, Le Testament de Marie, no teatro Odéon. Marie é a mãe de Jesus, que é Dominique Blanc nesta produção. Maria narra à sua maneira a vida do seu filho até à crucifixação. Blanc é brilhante, mas não consegue eliminar o tédio que senti quando vi a peça. A prosa de Toibin é... prosa de romance, e isso nem sempre funciona bem em palco. Paris 05.2017 Théâtre de l'Odeon 2,5/5

Le Maitre de Santiago (Henry de Montherlant, 1947)

Assisti ontem a Le Maitre de Santiago, drama de Henry de Montherlant, (criado em 26 de janeiro de 1948), numa produção do Théatre du Nord-Ouest, que conta com a encenação de Patrice Le Cadre e tem bons atores, com destaque para Jean-Luc Jeener e Sophie Raynaud. A peça é austera e trata do receio que tem um homem religioso de ser contaminado pelas coisas terrenas. E nessa fuga à realidade arrasta consigo a sua jovem filha. Paris 12.2013 TNO 3/5

La Cage aux folles (Jean Poiret, 1973)

Em 2010 La Cage aux folles foi apresentada aos parisienses pela terceira vez, depois da criação da peça de Jean Poiret em 1973. Nesta nova produção, apresentada no Théâtre de la Porte Saint-Martin, e encenada por Didier Caron, os dois papéis principais pertencem a Christian Clavier e a Didier Bourdon. Os dois vivem juntos e terão de receber os futuros sogros do filho de um deles, mas para isso têm de esconder a sua relação conjugal. Um clássico. Melun 12.2020 TV 3/5

Monsieur Barnett (Jean Anouilh, 1967)

Monsieur Barnett está no barbeiro, cortam-lhe o cabelo e fazem-lhe as unhas. O barbeiro e a manicure têm Barnett em grande estima (como cliente) e não param de insinuar a sua alta categoria social. Mas Barnett está prestes a morrer naquela cadeira de barbeiro e só quer ver-se livre dos dois insuportáveis empregados. Exige (últimas vontades) ficar a sós com uma estagiária atraente da casa... Mise en scène de Isabel Mahay, com Alain Michel, Fred Dias, Florian Bernard, Vasilica Grangeas. Paris 09.2019 Théâtre du Nord-Ouest 3/5

Siegfried (Giraudoux, 1928)


Siegfried (1928) é a primeira peça de Jean Giraudoux e tornou-o imediatamente célebre. A peça foi encenada por Louis Jouvet na Comédie des Champs-Elysées e ambos, autor e encenador, dominaram o teatro francês dos anos 30. Siegfried conta a história de um político alemão célebre que descobre que é na realidade francês, o que abre uma crise pessoal que é o eixo central da peça. Visto no Théâtre du Nord Ouest em 2012 e em 12.2016 (3/5)

Le Petit-Maitre Corrigé (1734)

Paris 07.2023 Comédie Française 3/5

NOEL COWARD em Portugal

 PRIVATE LIVES (1930)


Manuela Sotto, Teatro Avenida, Anos 40

Carlos Quevedo, Teatro Maria Matos, 1985, com Graça Lobo, Helena Isabel, Filipe Ferrer, Paulo de Carvalho e Cláudia Cadima, tradução de Miguel Esteves Cardoso

Livrinhos do Teatro, tradução de Miguel Esteves Cardoso

Vidas Íntimas, encenação de Jorge Silva Melo, 2019, tradução de Miguel Esteves Cardoso, com Rúben Gomes, Rita Durão, Tiago Matias, Vânia Rodrigues e Isabel Muñoz Cardoso PRODUÇÃO: Artistas Unidos Coprodução Teatro Nacional São João, Centro Cultural de Belém.

Barbara... j'ai peur mais j'avance, de Véronique Daniel

Fui rever este belo solo de Véronique Daniel (encenado por Alain Bonneval) sobre a vida e a obra de Barbara. Intenso. Paris 12.2016 TNO 3,5/5
"Les chansons que je chante je les ai toutes vécues. Les mots qui sortent de ma gorge me font mal, m'étouffent, alors je les crie, je les vomis, pour pouvoir respirer, pour continuer à vivre."


Barbara... j'ai peur mais j'avance é um espetáculo escrito e interpetado por Véronique Daniel e encenado para o Théâtre du Nord Ouest por Alain Bonneval. Trata-se de um bom espetáculo, que aliás penso em rever, sobre a vida e a obra da cantora e compositora Barbara. É uma das minhas preferidas da música francesa, representanto muito bem certas facetas da chanson. Trata-se de um solo em que são interpretadas várias canções de Barbara à medida que vão desfilando acontecimentos da sua vida. Muito interessante. Paris 10.2013 TNO 3/5

Le Moine Noir (2023)

Le Moine Noir (2023)
Kirill Serebrennikov
Paris 03.2023 Théâtre du Châtelet 2.5/5

IVANOV (Tchekhov, 1887)

Ivanov merece figurar no pequeno grupo das grandes obras de Tchekhov. Mas foi à terceira (vez) que descobri o seu real valor. Quase todas as personagens são desagradáveis, representando a humanidade em toda a sua mesquinhez e baixeza. O protagonista é um dos heróis modernos mais notáveis que conheço. Faz mal aos seus próximos (trai a mulher sabendo que ela vive os seus últimos dias de vida) mas só se preocupa com os seus próprios sentimentos e angústias. A produção a que assisti privilegia a comédia que a peça permite (ri muito) e é uma das melhores que vi no Théâtre du Nord-ouest. Paris 06.2019 4,5/5
Ivanov, mis en scène de Yvan Garouel, com Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave e Sara Viot.

No início da peça conhecemos Ivanov, personagem antipática, obcecado pelo que se passa na sua cabeça e confuso por não se reconhecer no homem que foi na juventude. Indiferente à mulher, que está a morrer de tuberculose. Porém, quase todas as outras personagens são piores do que ele, antipáticas na mesma, mas sem a dúvida que atormenta Ivanov, personagem trágica. Nem sempre foi agradável ver a peça encenada por Yvan Garouel, mas Ivanov é mais rica do que parece à superfície. Paris 02.2019 TNO 4/5
Elenco: Muriel Adam, Jean-Paul Audrain, Baptiste Benoit, Laurent Benoit, Pierre Dès de Berc, Marianne Carion, Gérard Cheylus, Rui Ferreira, Yvan Garouel, Pascal Guignard, Syla de Rawsky, Fanny Sütterlin, Emmanuelle Thébaud, Cédric Villenave, Sara Viot.

Une femme sans préjugés (2019)

Une femme sans préjugés (Tchekhov e Monique Lancel, 2019)
Une femme sans préjugés é na origem um conto (1883) do jovem Tchekhov, e passou a ser neste ano uma peça de teatro escrita e encenada por Monique Lancel, que se inspirou naquele conto. Apresenta a história de amor entre dois jovens, ela confiante no seu amor, ele perturbado por um segredo do seu passado, que com muita dificuldade revela à companheira. Tom surpreendentemente feliz numa obra de juventude do escritor russo. Com Rémi Picard (Maxime Salutov), Roxanne Flochlay (Eléna Gavrilovna), Bernard Lefebvre, Hélène Robin e Dominique Vasserot. Paris 09.2019 Théâtre du Nord-Ouest 3/5

La Cerisaie (Tchekhov, 1904)

Encenação de Clément Hervieu-Léger
Comédie-Française, 06.2022?

Anton Tchekhov

 
PIÈCES EN UN ACTE
Tradução de André Markowicz
Babel nº 719
BIBLIOTECA

Sacha Guitry (Découvertes Gallimard, 2007)

A vida de Guitry esteve sempre intimamente associada ao seu trabalho (de ator, dramaturgo, realizador, encenador) pois não só o seu pai era um famoso ator (Lucien Guitry, um dos grandes do seu tempo), como Guitry se casou com mulheres que se tornaram atrizes das suas peças e dos seus filmes. O desgaste dos seus muitos casamentos teve provavelmente a ver com a excessiva dependência dessas mulheres/atrizes em relação a Guitry. Aliás, em alguns casos essas atrizes são hoje recordadas e celebradas apenas pelo trabalho que fizeram com Guitry. É apaixonante ver como Guitry permaneceu no centro da vida cultural francesa durante 50 anos aproximadamente, e a sua estrela só empalideceu no imediato pós-segunda guerra, quando foi preso e acusado de ter manifestado simpatias pelo regime nazi instalado em França. Mas nos anos 1950 ele voltaria à mó de cima, tornando-se um realizador mais popular e celebrado do que antes. Como é habitual na coleção Découvertes da Gallimard, o trabalho dos autores é impecável. Natal de 2017, Póvoa de Varzim e novembro de de 4/5

Dictionnaire de la Langue du Théâtre (2002)

Dictionnaire de la Langue du Théâtre (2002)
Obra de Agnès Pierron
Le Robert 2002
BIBLIOTECA

Les Trois Sœurs (Simon Stone, 2017)

Simon Stone reescreveu as Três Irmãs de Tchekhov mas pouco sobrou do autor russo. Três irmãs tentam ser felizes nos tempos de hoje mas o fracasso, sobretudo amoroso, está sempre à espreita. A amargura, a desilusão, garante-lhes um estado de desespero crescente. Uma casa transparente que se move é um grande achado desta produção. Paris 11.2017 Odéon 3,5/5

J'étais dans ma maison et j'attendais que la pluie vienne (Lagarce, 1994)

J'étais dans ma maison et j'attendais que la pluie vienne (Lagarce, 1994)
J'étais dans ma maison et j'attendais que la pluie vienne é a primeira peça que vejo de Jean-Luc Lagarce, cujo universo passei a conhecer através de um filme recente (Juste la fin du monde, de Xavier Dolan). Peça e filme têm personagens e situações muito semelhantes: depois de anos de ausência, um homem regressa à casa da família mas esse reencontro é muito tenso. Em J'étais dans ma maison... são cinco mulheres que suspenderam a vida pessoal enquanto esperavam pelo irmão mais novo, expulso da casa materna pelo pai. O texto é belíssimo e na história há ecos das três irmãs de Tchekhov e da madame Butterfly, que tratam de vidas dedicadas à espera de algo ou alguém que nunca se manifestará, pelo menos na forma idealizada pelas personagens. Gostei da encenação de Magalie Claustres e das cinco intépretes: Magalie Claustres, Elidie Duranton, Hélène Martinez, Noëlie Merlo, Marie-Cécile Veyrenc. Paris 12.2017 TNO 4/5

LINE (1967)

LINE, Le Premier
Line (1967) é uma peça em uma acto, a primeira encenada de Israel Horovitz, autor contemporâneo americano muito representado em França. Um grupo de homens e uma mulher conhecem-se numa fila e todos querem ser o primeiro, valendo tudo para consegui-lo. A encenação de Marta Corton Viñals e os bons atores garantem uma leitura do texto que me pareceu muito boa. Não faltam o sentido de jogo, o humor e a energia que são fundamentais para levar a bom termo esta peça do teatro do absurdo. Paris 06.2015 Théâtre du Nord-Ouest

What the Butler Saw (Joe Orton, 1969)

Vi ontem pela primeira vez uma peça de Joe Orton: What the Butler Saw (1969), numa versão espanhola (Teatro Infanta Isabel, Madrid). Uma farsa que começa quando um psiquiatra tenta seduzir uma candidata à função de (sua) secretária. O ritmo é imparável e os atores bons mas tenho a certeza de que o texto podia ser aproveitado de forma mais interessante. Madrid 08.2015 Teatro Infanta Isabel 3/5

A Força do Hábito (Teatro das Beiras, 2020)

Os bastidores de um circo. Ensaio para o espectáculo do dia seguinte. O diretor não está nada contente com a sua troupe. Nenhum profissionalismo. O homem respira frustração e desespero por todos os poros. Parece que todos os dias é assim. É a vida. O Teatro das Beiras encena com inteligência um texto nada fácil de Bernhardt. Póvoa de Varzim 11.2021 CT Garrett 3,5/5

Les Apparences sont trompeuses (Thomas Bernhard, 1985)

Alfred Luciani
Yves Jouffroy










Dois irmãos septuagenários têm como rotina visitar-se um ao outro às terças e as quintas. Amaram a mesma mulher, Matilde, recém-falecida, que era casada com um deles. Apesar de estarem sós no mundo, as rivalidades entre si surgem tão naturalmente como se fossem adolescentes. O que foi marido de Matilde não aceita a decisão desta de deixar a casa de campo para o irmão. Um texto de Thomas Bernhard fascinante e cómico, muito bem defendido por Alfred Luciani e Yves Jouffroy, atores que já conhecia de outras produções do Théâtre du Nord Ouest. Paris 01.2018 3/5

Ils nous ont oubliés (Thomas Bernhard)

Numa casa isolada, vivia um casal de idosos, uma vivência claustrofóbica que levou à morte da mulher pelo companheiro. O tema é sombrio, mas a encenadora não olha a meios para nos fazer sentir essa vivência auto-destrutiva, através do grotesco, através da música sufocante, etc.. É uma experiência estética impressionante mas desconfortável também. Paris 04.2022 Ateliers Berthier 3/5

Athénée Théâtre Louis-Jouvet (Norma, 1996)

 
Athénée Théâtre Louis-JouVet (Norma, 1996)
BIBLIOTECA??

TEATROS

BERLIM



LISBOA

Teatro Aberto

Teatro da Cornucópia 

Teatro da Trindade 

Teatro Nacional D. Maria II


LONDRES

Apollo Theatre

Apollo Victoria Theatre

Barbican 

Gielgud Theatre 

London Coliseum

Novello Theatre 

Sondheim Theatre

Wyndham's Theatre 2019


MADRID



PARIS

Théâtre des Champs-Elysées 

Théâtre du Châtelet 

Théâtre du Nord-Ouest 

Théâtre de l'Odéon


PORTO

Teatro Carlos Alberto

Teatro do Bolhão

Teatro ESMAE 

Teatro Nacional de São João

Teatro Rivoli


PÓVOA DE VARZIM

Cine-Teatro Garrett


RIO DE JANEIRO

Teatro Nacional


SALVADOR DA BAHIA

Teatro da Vila Velha

Teatro Martim Gonçalves 2014


SÃO PAULO


VILA DO CONDE



Kristin Lavransdatter, La Rose du Nord (2017)

Kristin Lavransdatter (1920-1922) é a grande obra da escritora norueguesa Sigrid Undset. Narra a vida de uma mulher na Idade Média, na Noruega, das suas relações com os pais e o marido, e a sua decisão de se recolher a um convento no final da vida. Vi há dias uma adaptação para teatro dessa obra, intitulada Kristin Lavransdatter, La Rose du Nord (2017), encenada por Sei Shiomi, e interpretada por Helena Dubiel Lorenzen. Théâtre du Nord Ouest 12.2017 3/5

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle,  mais de l...