Boom! (TNSJ, 2022)

 
BOOM! (2022)
Miguel Loureiro encena e protagoniza este espetáculo baseado em vários textos de Tennessee Williams. As personagens principais, Flora Goforth e Chris Flanders, apareceram primeiro num conto de 1953, passaram para o teatro em 1963 em The Milk Train Doesn't Stop Here Anymore e para o cinema em Boom, de Joseph Losey, nos traços de Elizabeth Taylor e Richard Burton. Goforth comporta-se como uma diva sem público na sua ilha privada, sente aproximar-se o fim até que chega o Anjo da Morte na figura de um belo jovem. Miguel Loureiro propõe uma versão camp, a raiar o musical, para esta história tão cara a Williams, que a declinou ao logo de muitos anos no teatro e no cinema, apesar do falhanço clamoroso de público e da crítica. Porto 05.2022 TNSJ 4/5

O Tio Vânia (Andrei Konchalovsky, 1970)

O TIO VÂNIA (1970)
Realização de Andrei Konchalovsky
Uma versão sombria, tensa, do clássico de Tchékhov. Uma família dilacerada, onde ninguém parece feliz, mas lutam pela felicidade, todos os dias. Paris 09.2020 Cinémathèque 4/5

Duet for One (1986)

DUET FOR ONE (1986)
Realização de Andrei Konchalovsky
Duet for One é uma peça de teatro de Tom Kempinski (1980) sobre a depressão de uma violinista decorrente da doença que lhe foi diagnosticada. Ela abandona a carreira de concertista e o seu próprio casamento se desfaz. O filme vale pela história (inspirada na violoncelista Jacqueline du Pré) e pelos grandes atores: Julie Andrews, Max Von Sydow, Alan Bates, Liam Neeson, Macha Méryl, Rupert Everett. Andrews foi nomeada ao Golden Globe. Paris 09.2020 Cinémathèque 3/5

Tom. The Unknown Tennessee Williams (1995)

Tom. The Unknown Tennessee Williams (1995)

Ensaio de Lyle Leverich

Crown Publishers 1995

1st Edition 

BIBLIOTECA 


Exemplar sem capa
BIBLIOTECA

NT

Marivaux. Théâtre complet (1964)

Éditions du Seuil, 1964
BIBLIOTECA P


Terence Rattigan (2000)

 
Ensaio de Michael Darlow (2000)
A biografia de Terence Rattigan é um daqueles livros que nem em sonhos pensava em ler. Encontrei-o nuns saldos de Saint-Ouen e comprei-o junto com outras biografias de personalidades britânicas. Foi uma leitura empolgante. O autor do livro fez uma excelente pesquisa e interpreta a vida e a obra de Rattigan de forma inteligente, conseguindo mostrar que nas peças do dramaturgo inglês se encontram as grandes linhas da sua vida.
Foi através do cinema que tomei conhecimento de Rattigan. Nos últimos 20 anos pelo menos três memoráveis filmes adaptaram peças que ficaram famosas quando se estrearam, tornando Rattigan o mais famoso dramaturgo inglês dos anos 1940/50: The Browning Version (Mike Figgis, 1994), The Winslow Boy (David Mamet, 1999) e The Deep Blue Sea (Terence Davies, 2011), este último uma obra-prima do cinema recente. Mas estas peças tiveram adaptações para cinema em vida do autor, que eu gostaria muito de ver. Rattigan desprezava o cinema, mas escreveu numerosos argumentos originais ou baseados nas suas próprias peças; o cinema era encarado como uma fonte de dinheiro e pouco mais. Rattigan fez uma parceria, digamos assim, com o realizador Anthony Asquith, com quem trabalhou em pelo menos dez filmes. Vi há muitos anos na televisão um ou outro filme dos dois, mas após a leitura desta biografia fiquei com imensa curiosidade em ver todos os frutos desta colaboração excecional. Não antecipo grandes surpresas cinematográficas da parte de Asquith, mas gostaria de conhecer os textos de Rattigan. Este também trabalhou com realizadores como David Lean, Harold French, Laurence Olivier ou Anatole Litvak.
Terence Rattigan era homossexual e grande parte da sua vida decorreu quando os atos homossexuais eram punidos com prisão pelo Direito britânico. Portanto viveu a sua sexualidade da forma mais discreta possível de modo que nem a sua mãe terá sabido da orientação sexual do filho. As suas peças não abordam diretamente a homossexualidade (seriam proibidas por Lord Chamberlain, a instituição censória da época), mas o subtexto das mesmas revelam os dilemas interiores do seu autor. Quando o dramaturgo era vivo, a sua obra teve uma consagração comercial e crítica notável, mas apenas na Grã-Bretanha. Regularmente as peças estreavam em Nova Iorque mas sem sucesso. O universo temático das peças de Rattigan ia ao encontro da sensibilidade dos britânicos, centrando-se na exposição da repressão dos sentimentos e das dificuldades em viver uma vida amorosa sincera e transparente, no quadro casamento. Rattigan era ambicioso, no sentido em que tentava escrever pelo menos uma peça que lhe garantisse um lugar entre os grandes. É um daqueles casos em que o enorme sucesso consecutivo das suas peças (entre o fim dos anos 30 e o surgimento da geração dos angry young men em meados dos anos 50) produziu a desconfiança de que se tratava de um autor comercial mas com uma excelente técnica dramatúrgica. Rattigan sofreu sempre com esse estigma, tendo sido extremamente sensível à crítica das suas peças.
Como acontece com as biografias dos artistas da indústria do espetáculo, a vida deles cruza-se com a de muitos outros. No caso de Rattigan, há sempre boas histórias a serem contadas que envolvem pessoas míticas como John Gielgud, Laurence Olivier, Elizabeth Taylor, Richard Burton ou Vivien Leigh. A minha preferida, porém, envolve Marilyn Monroe, que protagonizou com Olivier um filme escrito e baseado numa peça de Rattigan: The Prince and the Showgirl (1957), realizado pelo próprio Olivier. Embora Rattigan desprezasse o cinema, adorava as suas estrelas. Foi Marilyn que contactou Rattigan para adaptar uma peça sua. Rattigan não desejava outra coisa. E ficou subjugado pela estrela loura no seu primeiro encontro. A produção de The Prince and the Showgirl originou o filme recente My Week with Marilyn (2011), de que gostei e que voltarei a ver, pois agora conheço alguns pormenores de toda essa história que me levam a vê-lo com outro interesse.
Enfim, uma das melhores biografias que li. Terence Rattigan. A Man and His Work, de  Michael Darlow, Quartet Books, 2000 (edição revista da edição original de 1979) 04.2015 5/5

PYGMALION (1938)

 
PYGMALION (Anthony Asquith, 1938)
Este filme é merecidamente um clássico do cinema britânico. Quase tão bom quanto o famoso filme My Fair Lady com Audrey Hepburn (ambos inspirados na mesma peça de teatro). Em tempos vi alguns filmes de Anthony Asquith na televisão portuguesa, mas perdi-lhe o rasto. Pygmalion é um dos seus filmes mais famosos. Baseado na peça homónima (1913) de George Bernard Shaw (que resistiu muito a autorizar esta adaptação), o argumento do filme (consagrado com um óscar) inspirou diretamente o musical My Fair Lady (1958) da Broadway e o filme de George Cukor (1964). A estrela deste filme é Leslie Howard, que na altura estava prestes a tornar-se uma estrela mundial em Gone With The Wind (1939), mas a grande revelação é Wendy Hiller, no seu primeiro papel importante no cinema. Dois enormes atores britânicos dos anos 30/40. Um belo clássico. VC 07.2015 DVDTECA (4/5)

MY DINNER WITH ANDRE

 
O Meu Jantar com o André (TNSJ, 2016)
My Dinner with Andre (1981) é um filme de Louis Malle com o argumento de Andre Gregory e Wallace Shawn. O Meu Jantar com o André é a versão para teatro daquele argumento, encenada em 2013 por Manuel Wiborg no Teatro Taborda, em Lisboa. Esta produção foi reposta agora no Teatro Nacional de São João, com Manuel Wiborg e João Vaz na pele dos dois únicos personagens da peça. Dois amigos, um dramaturgo e o outro encenador de teatro, encontram-se para jantar num restaurante, depois de alguns anos sem se verem. Durante uma hora e meia assistimos à conversa entre os dois, que atravessam momentos de angústia, um devido a problemas financeiros, o outro devido a um mal-estar geral perante as grandes questões da vida. Em cinema certamente este texto resultará melhor, já que a câmara pode trazer algum dinamismo a uma situação que prima pela ausência de ação. Em teatro, este jantar-conversa raia os limites da imobilidade pondo à prova a qualidade do texto e dos atores. O talento de Wiborg e Vaz felizmente valoriza esta produção, garantindo um bom momento de teatro. Porto 07.2016 TNSJ 3/5

 
My Dinner with Andre (Louis Malle, 1981)
Desde que vi a peça O Meu Jantar com o André, em 2016, no Teatro São João, fiquei com curiosidade em conhecer o filme de Louis Malle, escrito e protagonizado por Andre Gregory e Wallace Shawn (interpretados no São João por João Vaz e Manuel Wiborg). Dois amigos que trabalham no teatro, um que sobrevive com enormes dificuldades para se manter no meio, o outro que foi uma estrela da encenação até se afastar do teatro, mas mantendo um estatuto e nível de vida elevados, esses dois amigos não se vêem há muitos anos e agora encontram-se para jantar num restaurante nova-iorquino de luxo. Falam um pouco de tudo, mas sobretudo de teatro e da influência deste no espírito e na vida dos homens. A conversa é estimulante, à beira do insuportável  (o egocentrismo de Andre é por vezes irritante, mas também sabe escutar o amigo) e não admira que o argumento do filme se tenha transformado numa peça de teatro representada em todo o lado. Andre Gregory e Wallace Shawn são antes de tudo homens de teatro e colaborariam mais tarde com Louis Malle em Vanya 42nd Street (outra peça de teatro testemunhada e reinventada pelo cinema). Paris 03.2018 Cinémathèque 3,5/5 

DON JUAN IN HELL (1903)

 
Don Juan aux Enfers (2016)
Don Juan in Hell (1903) de George Bernard Shaw. Trata-se do terceiro ato, refundido, de uma peça bem maior de quatro atos criada em 1903. É uma peça que apresenta um conflito ideológico, entre o homem novo do socialismo e o super-homem de Nietzsche através de várias personagens que chegam ao inferno e dialogam entre si e com o diabo. Don Juan encontra no inferno Dona Ana, seduzida por ele, o pai desta, e o próprio dramaturgo, Bernard Shaw. Interessante, mas não é o tipo de peça que me entusiasme. Paris 03.2016 TNO 2.5/5

Bernard Shaw (1962)

 
Ensaio de Margaret Shenfield (1962)
Bernard Shaw foi um dos mais célebres escritores do seu tempo, tendo recebido a consagração máxima do Nobel. Leu e escreveu muito sobre filosofia e política, foi crítico de arte e depois crítico de teatro, escreveu romances que não vingaram, mas foi como dramaturgo que ficou conhecido e deve hoje uma certa posteridade. Escreveu algumas dezenas de peças, mas apenas três ou quatro interessam os teatros e o público de hoje. Ficou à sombra do seu grande ídolo, Ibsen, do qual foi um dos grandes defensores em Inglaterra. Para mim, Bernard Shaw será para sempre o autor de Pygmalion (1913), que inspirou um belo filme (1938), um musical da Broadway (My Fair Lady, 1956) e um filme musical sublime (My Fair Lady, 1964). Vila do Conde 02.2020 3/5

The Importance of Being Earnest (1952)

 
Filme de Anthony Asquith
Vi apenas três filmes de Anthony Asquith, um realizador um tanto académico e de quem quase não se fala, mas esses filmes nunca saíram da minha memória e estão entre aqueles que sempre quis rever. Os três filmes adaptam três obras-primas do teatro inglês, de Terence Rattigan, George Bernard Shaw e Oscar Wilde. Este último talvez nunca tenha tido tão boa sorte no cinema quanto com The Importance of Being Earnest assinado por Anthony Asquith em 1952. A origem teatral da história que vemos é mais do que assumida porque o filme abre num teatro com espectadores que vão assistir a uma peça. Teatro filmado? Nada disso. Para muitos de nós este filme deixa para sempre o melhor testemunho de grandes atores de meados do século 20, todos primorosos: Michael Denison (Algernon), Michael Redgrave (Jack), Edith Evans (Lady Bracknell), Dorothy Tutin (Cecily), Joan Greenwood (Gwendolen), Margaret Rutherford (Miss Prism), Miles Malleson (Canon Chasuble). Filme inesquecível. Vila do Conde 12.2019 DVDTECA 4/5

Elia Kazan. A Biography (2005)

 
Ensaio de Richard Schickel (2005)
Este é um dos melhores livros que li sobre cinema. Trata-se da biografia de referência de um grande realizador e também encenador americano. Os primeiros cinco capítulos (num total de 17) é dedicado à participação de Kazan no Theatre Group, nos anos 30, os seus anos decisivos de formação. Nesse grupo ele foi sobretudo ator, mas também encenador, e trabalhou com grandes dramaturgos da época: Clifford Odets, Robert Ardrey, Irwin Shaw, Paul Green. Leitura 06.2022

Biblioteca T. WILLIAMS

 
TENNESSEE WILLIAMS (2010)
Autor: Liliane Kerjan
Folio Biographie Nº72, 2010
BIBLIOTECA

Uma excelente introdução à vida e à obra de Tennessee Williams, um dos maiores dramaturgos americanos. Peças como A Streetcar Named Desire ou Suddenly Last Summer não só deram origem a clássicos do cinema (assinados, respetivamente, por Elia Kazan e Joseph Mankiewics) como continuam a ser representados todos anos em todo o mundo. Talvez seja mais representado do que qualquer um dos seus colegas americanos. A leitura da biografia de um criador leva quase sempre o leitor a concluir que as obras criadas pelo biografado são mais autobiográficas do que ele julgava. Por trás da diversidade das obras há uma certa unidade dos temas, das relações entre personagens ou dos dramas (entre outros elementos das obras). Tennessee Williams expôs-se nas suas peças como poucos criadores, sobretudo através das personagens femininas. Por exemplo a relação estreita que sempre manteve com a irmã, doente durante toda a sua vida. Williams venerava-a e essa relação aparece na sua obra. Excelente livro. Paris 10.2020 5/5
TENNESSEE WILLIAMS (1972)
Autor: Jeanne Fayard
Seghers Théâtre de tous les temps 1972
BIBLIOTECA

Arthur Miller (2003)

 
Ensaio de Martin Gottfried (2003)
Nunca tinha lido nada sobre o teatro americano, muito menos com a seriedade e abundância de pormenores como esta biografia de Arthur Miller. Este escreveu talvez a grande peça de teatro americano de sempre, Death of a Salesman. Escreveu outras grandes peças (não muitas) mas essa é a melhor. Quem criou (encenou) essa e outras peças de Miller foi o seu amigo Elia Kazan, outro expoente da renovação do teatro americano. É talvez a parte mais fascinante do livro, quando vemos o trabalho conjunto para revelar em cena o trabalho do génio de Miller. Este também é conhecido por ter casado com Marilyn Monroe: foi um dos casamentos do século 20. Para quem não abria mão da sua privacidade, Marilyn foi uma escolha inesperada. The Misfits, o último filme de Marilyn, parte de um conto de Miller, mas na altura já estavam separados. Miller foi sempre defendido pela crítica europeia mas o mesmo não se passava com a crítica americana. Na verdade, só ouvira falar de duas peças suas, do início da sua carreira, o que é pouco para quem escreveu peças até muito tarde. VC 04.2019 4/5

HENRY VIII

 
Peça longa e complexa, assinada por Shakespeare e Fletcher, sobre parte significativa do reinado de Henry VIII, desde a ascensão (e posterior queda) do cardeal Wolsey até ao nascimento da filha Elizabeth, futura rainha. A encenação e os atores criaram grandes momentos de teatro. Paris 10.2022 TNO 4,5/5
Mise en scène de Isabel Mahay, com Florian Bernard, Ophélia Blatner, Sébastien Boju, Catherine Dastrée, Héloïse Dugas, Rodolphe Fonty, Théophile Gros, Jonathan Le Guillou, Clémence Hohl, Romain Jouffroy, Guillaume Millet, Allen Nicolae, Hervé Reverbori, Christophe Rouillon, Éric Veiga

Lady Windermere's Fan (2018)

 
Lady Windermere's Fan (Oscar Wilde, 1892) já tem um século mas continua a encantar plateias, não precisando para isso de produções arrojadas, inovadoras. Mas precisa de atores carismáticos e nesta produção dirigida por Kathy Burke, a atenção do público vai toda para Jennifer Saunders (da sitcom Ab Fab). Mas o elenco é muito bom, no seu conjunto. Londres 04.2018 Vaudeville Theatre 3,5/5
Elenco
Grace Molony (Lady Windermere)
Samantha Spiro (Mrs. Erlynne)
Kevin Bishop (Lord Windermere)
Jennifer Saunders (Duchess of Berwick)

A MOON FOR THE BISBEGOTTEN (1957)

Une lune pour les déshérités, de Eugene O'Neill (A Moon for the Misbegotten, 1957) é a sequela de Long Day's Journey into Night, o grande clássico do dramaturgo. Retoma a personagem de Jim Tayrone da peça anterior. Este ama Josie, que tem fama de colecionar amantes, o que não a impede de também amar Jim. O pai de Josie vai tentar aproximá-los mas há qualquer coisa que impede Jim de aceitar a felicidade que Josie lhe pode proporcionar. Vi a peça no Théâtre du Nord Ouest, com encenação competente de Yvan Garouel. Paris 11.2017 TNO 3/5

Long Day's Journey into Night (2018)

 
Long Day's Journey into Night (O'Neill, 1956)
Desconhecia este clássico da dramaturgia americana, terminado em 1942, criado em 1956 na Suécia e na Broadway, mas conhecia a sua sequela, criada em 1957, A Moon for the Misbegotten. Nenhuma das duas produções me fez amar O'Neill como aconteceu com uma peça de Ibsen que vi na semana passada e que me seduziu inteiramente. A produção de Long Day a que assisti esta semana tem atributos mais do que impressionantes: Jeremy Irons e Lesley Manville nos protagonistas, Richard Eyre na direção. Peça demasiado longa (mais de três horas), com uma segunda parte repetitiva. Mas todos os atores são bons e transmitem bem o desespero generalizado em que caiu esta família americana que tinha tudo para ser modelar. Um pater familias (James Tyrone) com um passado glorioso no teatro sério, uma esposa e mãe carinhosa e muito bela. O amor entre os dois esposos é evidente, mas o que falhou ali? A forretice de James Tyrone e a evidente insegurança e frustração de Mary Tyrone dominam as suas máscaras e o destino dos dois filhos nada ajudam à situação: Jamie Tyrone não tem perspetivas de emprego estável e muito menos de ser bem sucedido como o pai, e Edmund tem o futuro próximo assegurado num sanatório para tuberculosos. Mary refugia-se na morfina, o marido e os rapazes na bebida. Mas acima de tudo o que os une é o amor familiar, ninguém quer desertar do ninho, quando muito agridem-se com amor. Londres 02.2018 Wyhndham's Theatre 4/5
Richard Eyre (encenação)
com
Jeremy Irons (James Tyrone)
Lesley Manville (Mary Tyrone)
Rory Keenan ("Jamie" Tyrone) 
Matthew Beard (Edmund)
Jessica Regan (Cathleen)

An Ideal Husband (1999)

 
Filme de Oliver Parker
Cada geração de atores deveria ter a oportunidade de fazer uma nova versão das peças clássicas de Oscar Wilde, pois elas, para além de garantirem um bom momento de grande humor britânico, permitem aos atores brilharem. Que outro tipo de filme poderia juntar duas das minhas atrizes preferidas das últimas décadas (Julianne Moore e Cate Blanchett)? A realização não é brilhante mas os atores asseguram o bom nível deste Ideal Husband (1895). Lisboa 1999 cinema Londres & Vila do Conde 12.2019 DVDTECA 3,5/5
O elenco: Cate Blanchett (Lady Gertrude Chiltern), Minnie Driver (Miss Mabel Chiltern), Rupert Everett (Lord Arthur Goring), Julianne Moore (Mrs. Laura Cheveley), Jeremy Northam (Sir Robert Chiltern), John Wood (Lord Caversham), Peter Vaughan (Phipps), Ben Pullen (Tommy Trafford), Marsha Fitzalan (Countess), Lindsay Duncan (Lady Markby), Neville Phillips (Mason), Nickolas Grace (Vicomte de Nanjac), Simon Russell Beale (Sir Edward), Anna Patrick (Miss Danvers), Delia Lindsay (Lady Basildon).

A Doll's House (Patrick Garland, 1973)

 
A Doll's House (Patrick Garland, 1973)
Filme de Patrick Garland

Christopher Hampton adaptou a peça de Ibsen para este filme maravilhoso com atores superlativos: Claire Bloom, Anthony Hopkins, Denholm Elliot (nomeado ao BAFTA), Ralph Richardson, Edith Evans. O discurso final de Nora é sempre surpreendente de atualidade, e nem se aplica apenas às mulheres, mas reflete a contradição do amor, quando aquele que ama não deixa o outro existir por si. Melun 01.2021 TV 4/5

Le dernier jour d'un condamné (1829)

 
Texto muito conhecido de Victor Hugo, aqui habitado por uma mulher, Pauline Smile, de forma intensa e precisa. Paris 06.2019 TNO 4/5

Marie Tudor (1833)

Há semanas vi uma peça de Victor Hugo na Comédie Française que não me deixou boa lembrança. Ontem vi Maria Tudor, também de Victor Hugo, nas instalações modestas do Théâtre du Nord-Ouest, com o palco nu, sem adereços, e a peça comoveu-me muito mais. É uma peça trágica sobre a corte inglesa de Maria Tudor, sobre as peripécias que levaram à morte de um dos seus amantes, morte decretada por ela e pateticamente adiada e revertida (sem sucesso) também por ela. Pela exigência do papel, a atriz principal Aude Kerivel merece todos os elogios. A (boa) encenação é de Pierre-François Kettler. Paris 03.2016 TNO 4/5

Lucrèce Borgia (2016)

 
Esta encenação de Denis Podalydès da Lucrèce Borgia (1833) de Victor Hugo tem sido muito elogiada. Talvez seja da peça ou da encenação, mas gostei pouco do que vi. O clima geral, da ação e dos atores, atinge a histeria, talvez em sintonia com o legado sanguinolento dos Borgia. O espetáculo ressente-se disso. Paris 02.2016 Comédie-Française  5/10

Le dernier jour d'un condamné (1829)

 
David Mallet encena e interpreta esta adaptação para a cena do famoso romance de Victor Hugo, Le dernier jour d'un condamné (1829). Interpretação intensa e justa do drama íntimo e da palavra de Hugo. Paris 01.2017 TNO 3,5/5

Rachel. La divine tragédie (2002)

Ensaio de Claude Dufresne 
Rachel foi uma enorme atriz francesa do tempo do Romantismo, internacionalmente idolatrada, como as turnés que fez pelo mundo o provam. Atuava em francês, mas na época o francês era uma língua segunda para as élites de muitos países. O mais interessante é que Rachel foi uma tragédienne, ela brilhou nas peças clássicas do século 17 francês (Racine e Corneille) e não no teatro contemporâneo, romântico, que estava na moda. No entanto, todos a admiravam, como Victor Hugo. Quanto à sua vida pessoal, será exagerado falar em ninfomania? O livro de Claude Dufresne arrasta-se na narrativa dos seus sucessivos amantes, que pouco tempo ficavam com ela, que eram rapidamente substituídos porque era normal ela ter mais do que um amante no mesmo período. Um Don Juan de saias, sem dúvida. Rachel veio da maior pobreza, passou fome, teve pouca escola, mas conseguiu tornar-se célebre numa arte tão erudita. Notável. Vila do Conde 10.2019 3/5

O Amor é Tão Simples (1939)

 
Uma das melhores peças de Noël Coward (Present Laughter, 1939) em boa hora representada em Portugal. Mesmo em França raramente se vê uma peça deste autor nos palcos. O protagonista (Diogo Infante) é uma celebridade do mundo do teatro, permanentemente assediado pelas mulheres, que transformam a sua vida num rodopio sem fim. Apetece dizer que já não se fazem comédias inteligentes como esta. Brilhante. Lisboa, março de 2022 Teatro da Trindade 4/5

O Beijo da Mulher Aranha (Manuel Puig, 1976)

 
O Beijo da Mulher Aranha, encenado por Hélder Gamboa, com João Jesus e Diogo Mesquita. Que espetáculo maravilhoso! Muito simples, dois homens numa cela de prisão, presos por serem o que são: um homossexual e um revolucionário, algures num país da América Latina sob uma ditadura. O homossexual, em troca da liberdade, tem de obter informações sobre as atividades do revolucionário. Mas quem realmente manipula quem? Ao longo da peça o homossexual conta detalhadamente ao companheiro a história de um dos meus filmes preferidos, Cat People. Lisboa, abril de 2022 Sala Estúdio do Teatro da Trindade INATEL 4,5/5

Oleanna (David Mamet, 1992)

 
Um professor e uma aluna, conversas em que as palavras explodem como granadas, relações de poder que se invertem, #Me Too antes do tempo. Peça estupenda de David Mamet, na versão de Pedro Mexia, encenada por Ricardo Pais, com Mafalda Lencastre (Carol, aluna) e Pedro Almendra (John, professor). Entrei pela primeira vez na Sala Estúdio Latino do Teatro Sá da Bandeira. Porto, março de 2019 N4/5

Folle Époque (SillySeason, 2020)

 

Não conhecia o coletivo de artistas SillySeason, nem de nome. Talento não lhes falta. As mulheres pareceram-me melhores, mais exuberantes e ousadas. O desespero, disfarçado ou visível, parece ser o sentimento dominante do grupo de jovens que se encontra num bar para seduzir, se divertir ou simplesmente esquecer o tempo que passa. Os loucos anos 1920 encontram os pouco prometedores anos 2020 mas os sentimentos pessoais não mudam, o desespero espera por todos na linha de chegada. Porto 2020 Teatro Carlos Alberto 3/5

LE BOURGEOIS GENTILHOMME (1670)

O ESPETÁCULO (TECA, 2020)
 
O BURGUÊS FIDALGO
Ricardo Alves, do grupo Palmilha Dentada, adapta com muita liberdade e inteligência o clássico de Molière. O espetáculo é muito muito divertido. E a história e o desenho das personagens não podiam ser mais claros. Porto agosto? de 2020 Teatro Carlos Alberto (TECA) 4/5

O ESPETÁCULO (TNO, 2015)
Não está entre as peças mais famosas de Molière, mas vale a pena conhecê-la. Um burguês crédulo vive obcecado com a nobreza, caindo na cantiga de todos aqueles que tentam aproximá-lo das "gens de qualité", acenando com uma possível amante marquesa ou com o casamento da filha com o filho do Sultão de Turquia. Esta comédia tinha originalmente música de Lully e coreografia de Pierre Beauchamp. Paris 06.2015 TNO 3/5

O Homem da Guitarra (Jon Fosse, 1997)

 

Pode um homem que vive da bondade dos estranhos, a tocar música na rua, encarnar a humanidade? Pode, claro que pode. Ele é o homem da guitarra, mas ele é também um homem comum, que exprime de forma por vezes desajeitada e imprecisa as suas dores. Vi este espetáculo, encenado e interpretado por Manuel Wiborg, no Teatro Carlos Alberto. Porto, julho de 2017 N3,5/5
Sou o Vento. Sono. O Homem da Guitarra
Tradução de Pedro Porto Fernandes
Livrinhos de Teatro nº 33 Artistas Unidos / Livros Cotovia
Leituras 2025


As Regras do Jogo. O Teatro da Cornucópia (1999)

 
Ensaio de Carlos Alberto Machado
As Regras do Jogo. O Teatro da Cornucópia e a Crítica, 1973-1995 (Frenesi, 1999), de Carlos Alberto Machado é na origem uma tese de mestrado defendida em 1998. Felizmente transformada em livro. Tudo é de louvar nesta obra. A muita informação disponibilizada sobre todos os espetáculos da Cornucópia, as boas sínteses sobre o campo do teatro à época da criação da companhia, a apresentação dos críticos de teatro no período considerado, a discussão do projeto da Cornucópia à luz das reflexões apresentadas nos programas dos espetáculos e das análises e apreciações dos críticos. A Cornucópia foi talvez a companhia de maior prestígio entre as que iniciaram o movimento do teatro independente no início dos anos 70. Este livro permite sustentar essa afirmação, com base na análise da reação da crítica aos espetáculos da companhia ao longo de 20 anos. VC 08.2020 N3.5/5

O Dia do Juízo (Horvath, 1937)

 
O Dia do Juízo (Der jüngste Tag, 1937) foi escrita em plena ascensão do nazismo, quando o poder se empenhava em eliminar certas categorias de indivíduos (comunistas, judeus...) e proliferavam os discursos, formais e do senso comum que comungavam tal política do ódio. A peça fala dessa realidade, lembrando os filmes de Fritz Lang, outro alemão contemporâneo do dramaturgo germano-húngaro, que tratou nos seus filmes da multidão à procura de um culpado e da justiça feita sem provas. Vi agora a versão de O Dia do Juízo de Cristina Carvalhal (estreada em 2019 no Teatro São Luiz, em Lisboa), reposta no Teatro Carlos Alberto, no Porto. Com Carlos Malvarez, Cucha Carvalheiro, Eduardo Frazão, Ivo Alexandre, Júlia Valente, Manuela Couto, Paulo Pinto, Pedro Lacerda. Porto 02.2020 TCA 4/5

História do Teatro Português (1968)

Ensaio de Luiz Francisco Rebello

Não há muitas histórias do teatro português. Esta, de Luiz Francisco Rebello, é uma das mais conhecidas. É uma história breve, publicada inicialmente pelas Publicações Europa-América, na coleção «Saber» em 1968. Li a 3ed revista e aumentada. O teatro português sofre muito em comparação com as grandes dramaturgias nacionais: Gil Vicente, Castro, Garrett e poucos mais. Um repertório escasso cujo conhecimento alargado depende demasiado da escola. Outras áreas artísticas tiveram um pouco mais de sorte. Gostei sobretudo de conhecer a modernização do teatro em Portugal a partir dos anos 50. Muitos dos seus protagonistas ainda estão connosco e não imaginava que eles vinham de tão longe... Vila do Conde, agosto de 2020 N3.5/5

PROGRAMA DE ESPETÁCULOS

2000 - SENHOR EU, O GUICHET, A FECHADURA (Tardieu), Porto: Rivoli, outubro de 2000

1999 - (A)TENTADOS (Crimp), Porto: Rivoli, outubro de 1999

1998 - A QUEDA DO EGOÍSTA JOHANN FATZER (Brecht), Lisboa: Teatro Variedades, abril de 1998

1996 - TRÊS MULHERES ALTAS (Albee), Lisboa: Teatro Municipal S. Luiz, março de 1996

1996 - AS TROIANAS (Eurípides/Sartre), Lisboa: TNDMII - Sala Garrett, fevereiro de 1996

1996 - ANTÓNIO, UM RAPAZ DE LISBOA (Silva Melo), Lisboa: Teatro Tivoli, abril de 1996


KING LEAR (1606)

A OBRA:

AUTOR: William SHAKESPEARE: ORIGEM: Inglaterra
CRIAÇÃO: 12.1606 PERSONAGENS: Lear, Goneril, Cordelia, Regan, The Fool, Duke of Albany, Duke of Cornwall, King of France, Duke of Burgundy, Earl of Gloucester, Edgar, Edmund, Earl of Kent, Oswald, Doctor, Curan, Old Man

O ESPETÁCULO (CT Garrett, 2023)
LEAR
TRADUÇÃO: Editorial Avante! ENCENAÇÃO: Bruno Martins PRODUÇÃO: Teatro Nacional D. Maria II, Teatro da Didascália, Teatro do Bolhão, Casa das Artes de Famalicão INTÉRPRETES: Ana Fonseca, Anabela Sousa, António Capelo, Eduardo Breda, Inês Garcia, João Figueiredo, João Paulo Costa, Matilde Cancelliere, Paulo Calatré, Pedro Couto CRIAÇÃO: 17.02.2023 Teatro-Cinema de Fafe VISTO: Póvoa de Varzim 2.03.2023 Cine-Teatro Garrett NOTA: 4/5


O ESPETÁCULO (TNO, 2022)
Magnífica peça numa encenação à altura deste monumento. Jean-Luc Jeener interpreta de forma superior o protagonista, um rei que perde tudo em favor das filhas. E no fim perde-as também. A peça não poderia ser mais atual... Todo pai é um rei... Paris 05.2022 TNO 4/5


O ESPETÁCULO (TNSJ, 2016)
Uma bela oportunidade para conhecer ou rever o texto de Shakespeare, certamente um dos mais adaptados da cultura ocidental. O encenador Rogério de Carvalho e o Ensemble propõem uma leitura cristalina da tragédia familiar desencadeada pela partilha pelo velho rei Lear dos seus bens e poder por duas das suas filhas. Jorge Pinto é excelente. Porto 07.2016 TNSJ 4/5

A STREETCAR NAMED DESIRE (1947)

A STREETCAR NAMED DESIRE

AUTOR: Tennessee Williams
ORIGEM: EUA
PERSONAGENS: Blanche Dubois, Stella Kowalski, Stanley Kowalski, Harold "Mitch" Mitchell

LOCAL: Bairro Francês de Nova Orleães

CRIAÇÃO:  3.12.1947, Ethel Barrymore Theatre, Broadway, New York City. 
ENCENAÇÃO Elia Kazan. 
INTÉRPRETES: Blanche Dubois (Jessica Tandy), Stella Kowalski (Kim Hunter), Stanley Kowalski (Marlon Brando), Harold "Mitch" Mitchell (Karl Malden)

LONG DAY'S JOURNEY INTO NIGHT (1956)

1ª edição 1956

TÍTULO: Long Day's Journey Into The Night (1956)

AUTOR: Eugene O'NEILL
ORIGEM: EUA     GÉNERO: Tragédia
CRIAÇÃO: Royal Dramatic Theatre, Estocolmo, Suécia 02.02.1956
LOCAL: Monte Cristo Cottage, litoral de Connecticut, 1912
PERSNAGENS: Mary Cavan Tyrone, James Tyrone, Edmund Tyrone, James Tyrone Jr., Cathleen


LONGA JORNADA PARA A NOITE
Long Day's Journey Into the Night (Eugene O'Neill, 1956)

TRADUÇÃO: Luísa Costa Gomes
ENCENAÇÃO: Ricardo Pais
PRODUÇÃO: Ensemble – Sociedade de Atores e TNSJ
CRIAÇÃO: 20.04.2024??. TNSJ, Porto
INTÉRPRETES: Emília Silvestre (Mary), João Reis (James), Pedro Almendra, Simão do Vale Africano, Joana Africano
VISTO: Porto 05.2023 TNSJ  NOTA: 3.5/5 
O clássico de Eugene O'Neill encenado por Ricardo País e protagonizado por Emília Silvestre (Mary) e João Reis (James). Não é dos meus textos preferidos do teatro americano. Demasiado realista e explicitado para o meu gosto. Porto, maio? de 2023 TNSJ


Um Elétrico Chamado Desejo (2024)

 
UM ELÉTRICO CHAMADO DESEJO
A Streetcar Named Desire (T. Williams, 1947)
TRADUÇÃO: Bruno Bravo
ENCENAÇÃO: Bruno Bravo
PRODUÇÃO: Primeiros Sintomas
INTÉRPRETES: António Mortágua, Joana Santos, Nuno Nunes, Sandra Faleiro e Félix Lozano, Marcelo Moleka, Nazaré Lobo, Rafael Ligeiro e Telma Grova
VISTO: Lisboa 07.07.2024 CAL - Centro de Artes de Lisboa.    NOTA: 4/5

TWELFTH NIGHT, OR WHAT YOU WILL (c. 1602)

Noite De Reis (Shakespeare)
Lisboa fevereiro de 2023 Teatro da Trindade 3/5

Nuit des Rois (Shakespeare)
Paris 06.2022 TNO

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976)

La Gloire de Mon Père (M. Pagnol, 1976) Presses Pocket 1986 Leitura, agosto de 2026 "ce n'est pas de moi que je parle,  mais de l...