Edith Wharton (Diane de Margerie, 2000)

 
Edith Wharton (Flammarion, 2000)
Comprei este livro pensando ser uma biografia de Edith Wharton. Mas não é. Diane de Margerie, que traduziu para francês várias obras de Wharton e prefaciou outras tantas, tornou-se íntima do universo romanesco da escritora americana a ponto de tentar um retrato da escritora que se inspira tanto nas suas obras como na sua vida. Wharton é um daqueles escritores que se expôs, nas dimensões mais íntimas do seu ser, nas personagens, nas tramas e nas situações dos seus romances, novelas e contos. De forma oblíqua, obviamente. O efeito conseguido por Margerie é o mais positivo: desbrava a complexidade da obra de Wharton ao mesmo tempo que aguça a curiosidade do potencial leitor para os livros da autora. Edith teve uma relação complicada, distante, com a mãe, e o pai primou pela ausência. Em adulta apenas teve grandes amizades masculinas, nomeadamente com homossexuais (latentes ou não), como Henry James, Walter Berry e Morton Fullerton (com este último teve a sua única paixão consumada). Se estas amizades masculinas aparecem nas suas ficções, é a mulher que ocupa o seu centro. As mulheres da sua sociedade não têm grande liberdade de ação, mesmo aquelas da velha aristocracia de Nova Iorque, a que Wharton tanto se dedicou. Wharton tornou-se numa escritora reconhecida e, ao contrário do seu grande amigo e mentor Henry James, numa escritora muito popular, com vários best-sellers. Wharton admirava as suas personagens-mulheres que lutavam contra as armadilhas e preconceitos sociais e desprezava aquelas que contribuíam para a reprodução desses constrangimentos. Tornar-se escritora, conquistar a room of one's own, como defendia Virgina Woolf, foi sem dúvida o grande feito desta grande escritora, que vou querer visitar muitas vezes. VC 2017 4/5

The Nickel Boys (Colson Whitehead, 2019)

THE NICKEL BOYS (2019) Prémio Pulitzer 2020 Os Rapazes de Nickel Alfaguara 2020 Tradução de Hugo Gonçalves