Rebecca West A Life (1988)
Victoria Glendinning, 1988
BIBLIOTECA
Até ter lido este livro, eu ignorava que Rebecca West fora uma das mulheres mais admiráveis do século XX. A sua obra concentra-se no ensaio, no jornalismo e, menos, na ficção. Se tivesse sido uma romancista excecional, como a sua contemporânea Virginia Woolf, seria hoje um nome célebre, mas publicou poucos romances. Pelo menos o primeiro, O Regresso do Soldado, ainda hoje é publicado (foi editado na imaculada coleção da Relógio d'Agua em 2009). Ela escreveu crónicas, críticas e reportagens em muitos periódicos ingleses e americanos, fez fortuna com o seu trabalho, fortuna que não teve em criança. O pai não conseguia sustentar minimamente a família (a mulher e três filhas), que esteve na Austrália, na Escócia até que por fim se instalou em Londres. As três irmãs eram feministas e Rebecca lutou ao lado de organismos que defendiam o voto das mulheres. Mas foi através da obra que a sua luta feminista mais se evidenciou. Curiosamente, na vida privada há sinais contrários. Durante muitos anos foi amante do célebre escritor H.G. Wells, que, apesar de a amar, nunca se separou da mulher. Rebecca e Wells tiveram um filho, que ela criou como mãe solteira. Até à juventude de Anthony West, ele pensou que os seus pais eram seus tios. A revelação traumatizou não só o jovem como as relações com a mãe e o pai. Mais uma vez constato que os escritores frequentemente transpõem para os romances que escrevem a sua privada privada, por vezes a mais íntima. Anthony West foi igualmente escritor como os pais e lavou a roupa suja familiar nos seus livros, tendo sido alvo de processos da parte da mãe e dos seus meios-irmãos Wells. Mas também Rebecca West e H.G.Wells fizeram a mesma coisa nos seus livros. Adiante.
Rebecca compilou os seus textos jornalísticos em livros que se tornaram famosos em todo o lado, sobretudo um livro sobre a Jugoslávia e outro sobre a traição no tempo da segunda guerra, escrito a partir de reportagens sobre o julgamento de traidores do período da guerra.
Trata-se do segundo livro de Victoria Gendinning que leio este ano, e o outro tinha sido igualmente uma biografia, a de Vita Sackville-West. A biografia de Rebecca West ainda consegue ser melhor. Excelente. Paris 2017 4,5/5
