Iphigénie será sacrificada pelo pai para aplacar a ira dos deuses. Segue-se a reação dos mais íntimos da heroína, a mãe e o futuro esposo. Infelizmente, o tom da peça, nesta produção, resvala para o histérico. Esta é uma das peças menos interessantes que vi de Racine. A encenação de Rémi de Monvel e a direção de atores estão aquém do que costumo ver no Théâtre du Nord-Ouest. Paris 06.2017 NOTA: 2,5/5
Voltei hoje a frequentar um dos meus locais preferidos de Paris: o Théâtre du Nord Ouest. Deve ser único no mundo, pois propõe regularmente integrais de dramaturgos, mesmo que isso implique a encenação de dezenas de peças e a leitura de tantas outras. Há semanas começou a integral de Racine, de quem nada vi antes. Iphigénie é uma tragédia pouco encenada hoje, que retoma a trama de Eurípedes. Iphigénie, filha do rei de Micenas Agamemnon, vai ser sacrificada pelo pai para aplacar a ira dos deuses. Em Eurípedes o sacrifício consuma-se, em Racine não. Afinal a peça foi estreada perante a corte em Versailles, que não devia estar para suportar tamanho desenlace trágico. A peça conta com quase dois mil versos alexandrinos, mas os atores dirigidos por Jean-Luc Jeener tiveram o talento de tornar o texto mais inteligível do que muitas comédias francesas contemporâneas. O grande trunfo do espetáculo é a palavra de Racine. Durante três horas a minha atenção foi muito desigual, mas muitas vezes foi um encanto escutar a poesia de Racine. Paris 01.2015 TNO
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| Hall do Théâtre du Nord Ouest |


