Simon Liberati (Paris, 1960) é um dos mais interessantes escritores franceses da sua geração. Publicou o primeiro romance, Anthologie des apparitions, em 2004 e o último, Jayne Mansfield 1967, em 2011. Sempre quis ler este autor e calhou começar por um livro de cinéfilo ou pelo menos de fã da cultura pop. Pois Jayne Mansfield mais do que atriz, é hoje lembrada como um ícone da cultura trash anos dos 1950/1960. Depois de ter feito alguns filmes importantes dos anos 1950, nomeadamente com Frank Tashlin, viveu a sua última década da sua fama de bimbo, de sex symbol decadente, assídua da imprensa de escandâlo. A sua morte, num violento acidente de carro, coroou essa vida feita de escândalos sucessivos. Liberati dedica a sua narrativa aos últimos meses de Mansfield, começando por narrar de forma minuciosa e mórbida o célebre acidente. Mais interessante é a narrativa da estratégia de carreira de Mansfield, assente menos em filmes (medíocres) do que em aparições em tudo quanto é sítio que a convidasse para se expor. Jayne Mansfield manteve um arquivo exaustivo de recortes sobre a sua vida tal como foi sendo publicada na imprensa. Ela e a filha entretinham-se a manter esse arquivo completo e organizado. Mansfield foi uma das primeiras personalidades que deviam a fama à própria fama, como hoje se diz da galáxia people. O livro de Liberati deve quase tudo ao seu modelo e pouco ao estilo do autor. Espero ter mais sorte na próxima leitura de Liberati. Leituras: 2011 3/5

