Une semaine de vacances (2012) parece ser um parêntese erótico na obra de Christine Angot. Eu li o seu romance anterior, Les Petits (2011), muito bom aliás, sobre a relação entre uma mulher e um homem, estando este em conflito com a ex-mulher. A dimensão erótica não era importante. Na obra seguinte, Une semaine de vacances, uma jovem mulher e um homem mais velho, casado e com filhos, passam alguns dias juntos. Ela é virgem e ele promete, a pedido dela, não mudar essa condição. Mas, talvez provocado por esse desafio, o amante masculino pretende iniciar a jovem em práticas compensatórias que parecem satisfazer apenas a ele: coito anal e sexo oral em todos os lugares possíveis. Aliás o livro abre com uma felação olímpica que ameaça ocupar toda a narrativa. Mas o prazer parece ser unilateral: só o homem tem voz no livro, voz de comando, voz que parece alimentar o seu próprio prazer. Enquanto faz amor, ele não pára de comparar o sexo, os seios, a bunda da sua amante com os da sua mulher e de uma outra sua outra jovem amante. O garanhão é um homem de cultura, especialista na língua francesa, que compra e lê livros com a mesma bulimia com que come e coleciona amantes (conheço destinos bem piores). Quanto à jovem concubina, no fim das férias, quando regressa de comboio para casa, pode enfim falar... com o seu saco de viagem. Um livro feminista (?), com o estilo superior da sua autora. Paris 2016: 4/5
