Private Lives (Noël Coward, 1930)
A comédie de boulevard gosta muito de abrir a porta de casa de um casal (sem filhos), entrar e depois condensar numa intriga o que lá se passa, com pormenores mais ou menos picantes, sempre num tom ligeiro, nunca trágico. Noël Coward não esteve por menos, elegeu dois casais e expôs-lhes as Vidas Íntimas (Private Lives), que até hoje encantam os espectadores que vão teatro. Dentro do género, parece-me que Feydeau é bem superior, mas gostei muito de ter visto esta produção dos Artistas Unidos, com encenação de Jorge Silva Melo, tradução de Miguel Esteves Cardoso, e interpretação de Rúben Gomes, Rita Durão, Tiago Matias, Vânia Rodrigues e Isabel Muñoz. Conheço razoavelmente bem Coward, por ter lido uma biografia, pelas canções e sobretudo pelo cinema (ele foi ator, realizador e autor), mas nunca tinha visto uma peça sua num palco. Como Terence Rattingan, ele raramente é representado fora da terra natal (um dos principais teatros do West End tem o seu nome). Póvoa de Varzim 04.01.2020 Cine-Teatro Garrett 4/5
VIDAS ÍNTIMAS. Tradução: Miguel Esteves Cardoso INTÉRPRETES: Rúben Gomes, Rita Durão, Tiago Matias, Vânia Rodrigues e Isabel Muñoz Cardoso;
ENCENAÇÃO: Jorge Silva Melo; PRODUÇÃO: Artistas Unidos Coprodução Teatro Nacional São João, Centro Cultural de Belém.
Cenografia: Rita Lopes Alves e José Manuel Reis; Figurinos: Rita Lopes Alves; Som: André Pires; Luz: Pedro Domingos; Assistência de Encenação: Nuno Gonçalo Rodrigues.
ESTREIA: Vila Real, Teatro Municipal, 31.10.2019
Jorge Silva Melo, sobre espetaculo na Póvoa de Varzim:
"Na maior parte dos sítios é um encanto e um prazer voltar a ver pessoas. Na Póvoa do Varzim tive um encontro com espectadores uma hora antes do espetáculo e estavam oitenta a cem pessoas na conversa, pessoas que já tinham visto os nossos espetáculos, eram amigos. Em Viana do Castelo também tivemos um encontro com os espectadores depois do espetáculo. A Santarém e a Torres Vedras, por exemplo, nunca tínhamos ido." (Diário de Notícias, 4.03.2020)

