Truman Capote (Liliane Kerjan)

Truman Capote (Liliane Kerjan)
Folio Biographies
BIBLIOTECA

A biografia de Truman Capote que a professora universitária Liliane Kerjan escreveu expressamente para a excelente coleção de bolso "Folio biographies" é certamente uma das melhores da coleção. A autora não apenas escreve bem, mas todos os comentários que faz das obras de Capote assim como dos principais acontecimentos da sua vida despertaram-me o desejo de ler tudo o que ele escreveu. Mas Capote não criou apenas obras literárias, ele criou a sua vida com um sentido estético apurado. É um dos poucos escritores cuja vida rivaliza com o interesse das suas obras. Gostei de ter lido sobre os seus encontros com vários "monstros sagrados" da Cultura do século XX. Nos anos 60, quando ainda não tinha nada publicado e nem no jornalismo brilhava, foi convidado para ser cicerone do célebre fotógrafo Henri Cartier Bresson em New Orleans, a sua cidade. No início da sua notoriedade, Capote foi a Paris e teve um encontro com Colette, que Capote adorava. Esse encontro é evocado de forma memorável por Liliane Kerjan. Capote foi amigo de muitos artistas que admiro: Marilyn Monroe, Carson MacCullers ou Tennesse Williams (aliás, Kerjan escreveu para esta coleção uma biografia, premiada, deste dramaturgo que terei de ler um dia). Há coisas que Capote fez, como jornalista, que merecem ser conhecidas. Por exemplo, a longa entrevista que Brando concedeu a Capote e que este transformou numa peça literária, mas indiscreta ao ponto de Brando ter ameaçado matar o seu autor. Ou a reportagem escrita para a New Yorker sobre a tournée da companhia constituída por negros que foi apresentar a ópera Porgy and Bess de Gershwin na Rússia nos anos 50. Outras páginas excelentes são dedicadas à sua obra inovadora In Cold Blood. Liliane Kerjan interpreta de forma inteligente tanto as obras como a vida e a personalidade de Capote. Essa é a principal qualidade de qualquer biografia de artista, mesmo não se tratando de uma biografia exaustiva que possa ser considerada de referência  (essa já existe e é do americano Gerald Clarke). Paris, novembro de 2015: 5/5

L’Empire des sens (Cognac-Jay, 2021)

  L’Empire des sens, de François Boucher a Jean-Baptiste Greuze, é uma viagem ao erotismo na pintura francesa do Oitocentos. Destaque para B...