The Murdee Room (P. D. James, 2004)

 
Neste romance, P. D. James precisa de cerca de 150 páginas para apresentar as personagens e o contexto em que irá decorrer a investigação dirigida por Adam Dalgliesh sobre duas mortes no pequeno museu privado de Dupayne, em Hampstead, Londres. Para alguns leitores, essa apresentação poderá ser excessivamente longa e penosa, para outros (como eu), essa estratégia, aliada ao estilo de James, dá uma espessura sociológica e psicológica à história e às personagens. Como em outras obras da escritora, as personagens são solitárias e desenvolvem hábitos, quase manias, que muito revelam das sociedades urbanas de hoje. A felicidade conjugal não escolheu nenhuma das muitas personagens deste romance. A solidão destas torna-as egoístas e particularmente dependentes da sua ambição pessoal que passa pelo dinheiro, pelo poder, pelo sexo e pela realização profissional. É o que se chama um romance noir em pleno, que não se esgota nos crimes e em quem os cometeu. Alguns personagens são responsáveis pelos crimes que não cometeram, outros os desejaram ou tirariam proveito com eles. Os romances de P. D. James estimulam sempre pertinentes reflexões sobre o poder da morte entre os vivos. Um dos crimes foi até cometido na sala dos homicídios de um museu. E os crimes ecoam crimes antepassados, cuja memória é devidamente preservada naquela sala. Salvador 11.2017:  4/5

Unnatural Causes (P. D. James, 1967)

Unnatural Causes (1967) é o romance menos interessante que li até agora de P. D. James. O título francês, Sans les mains (Mazarine, 1987), r...