Raymond Chandler le gentleman de Californie (Frank MacShane, 1982)

Raymond Chandler é um dos mestres do romance policial. Foi ele quem aboliu de forma mais consistente a fronteira entre a literatura de género policial e a grande literatura, que ultrapassa a questão de género. Chandler era um homem com perfeita consciência do seu valor e da revolução que pretendia fazer no campo da literatura. Nasceu em Chicago mas passou a adolescência em Inglaterra (os pais tinham origem irlandesa), onde frequentou o prestigiado Dulwich College, que lhe assegurou uma sólida formação em estudos clássicos. Era um excelente aluno e poderia ter ido para uma das grandes universidades inglesas, mas acabou por regressar aos Estados Unidos, onde viveu o resto da sua vida. O título francês desta biografia americana remete para a forma como na verdade ele se via: um gentleman de educação britânica a viver numa terra pessoas sem classe. Nunca gostou de Nova Iorque e tão pouco gostava de Los Angeles, a cidade que ele ajudou a imortalizar. Na verdade, amou muito a sua mulher, companheira de toda a vida (e muitos anos mais velha do que ele) mas tinha um relacionamento difícil com a maioria das pessoas. Estavam sempre a mudar de casa (várias vezes por ano) por incompatibilidade com os vizinhos (crianças, barulho, falta de classe, etc.). A sua passagem por Hollywood é intempestiva. Lá ganhou muito dinheiro, teve secretárias como amantes, escreveu de forma lúcida e frontal contra Hollywood e detestou quase tudo o que foi feito no cinema em torno da sua obra. Escreveu contos e alguns (poucos) romances que o tornaram célebre entre os próprios pares, não apenas escritores de policiais, mas também os escritores mais prestigiados da época. Quando estes últimos o elogiavam, Chandler sentia que o seu trabalho tinha enfim sido devidamente reconhecido. A correspondência de Chandler parece ser enorme, e atravês das cartas expressava-se de forma abundante e pertinente sobre o seu trabalho e a sua vida, tendo escrito para pessoas que provavelmente dificilmente teriam grandes conversas na sua presença. O autor da biografia, Frank MacShane, fez bem em citar abundantemente Chandler pois desse modo ficamos a conhecer sem interpretações de terceiros o que pensava Chandler. Foi uma excelente leitura. Paris 2017 4,5/5

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