Impunidade (H. G. Cancela, 2014)
Difícil apresentar ou resumir a história deste romance, cujos meandros vão sendo revelados pouco a pouco. Talvez isso não seja importante. Logo de entrada (e vai ser assim todo o caminho) encontramo-nos perante seres magoados, náufragos de uma tragédia familiar de que nada sabemos mas a seu tempo saberemos. Duas crianças, o narrador, suposto pai das crianças, a mãe destas, uma outra mulher e o seu filho adolescente. Pouco falam, pouco fazem e pouco sabemos das suas motivações; e as crianças não são crianças, tolhidas já pelos crimes dos adultos. O narrador descreve imperturbável os escassos movimentos dos personagens, mas tudo é engolido pelo silêncio e pelo calor do interior de Espanha no verão. Mas há as breves notas sobre o corpo das mulheres, revelando um narrador perturbado, por momentos. Impunidade foi finalista do prémio da APE, o júri acertou ao considerá-lo merecedor de tal galardão. Praia das Caxinas 08.2017 3,5/5 BMPV
